Educação financeira e povos indígenas

Embora as populações indígenas representem uma pequena parte da população mundial, seu conhecimento tradicional e sua relação com o ecossistema são muito valiosos para o desenvolvimento sustentável e a gestão ambiental. Na Amazônia[1], por exemplo, os territórios indígenas (e terras protegidas) são responsáveis ​​por 58% do armazenamento de carbono.

Na experiência da CVM, por meio de uma ação piloto no estado do Pará, observou-se, porém, que a comunidade indígena local pode ainda enfrentar desafios ao mapear os recursos oriundos das atividades desenvolvidas, bem como para poupar dinheiro e obter crédito. Nas crises econômicas, como a provocada pela COVID-19, os indígenas representaram o grupo com maiores perdas de renda, segundo levantamento (NERI, 2020). Tendo uma economia amplamente baseada na agricultura e no extrativismo, que pode ser convertida em renda coletiva, é importante olhar para sua produção e seu acesso ao capital.

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Por que pensar em educação financeira para a primeira infância e quais os impactos para a economia e a sociedade?

Viver em sociedade significa fazer parte de sua economia, presente nas relações humanas desde que nascemos, afinal necessitamos de uma série de bens que são produzidos para a garantia de nossa vida, sendo que o dinheiro é o meio de troca mais eficaz que utilizamos.

O tema dinheiro é tão importante que desde 1897 surgem as primeiras pesquisas no mundo, sobre o sentido do dinheiro para as crianças. Até a 2ª Guerra Mundial, dinheiro não era algo que uma criança manipulasse, mas isso começou a se modificar quando as mães passaram a trabalhar e deixar dinheiro para os filhos. Isso transformou por completo a relação das crianças com o dinheiro e de todo um mercado.

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Mulheres estão adiando a aposentadoria?

Pesquisas no Estados Unidos mostram que, no país, as mulheres têm procurado se manter no mercado de trabalho por mais tempo. Em 2016, as pesquisadoras Annamaria Lusardi e Olivia Mitchell, analisando amostras de mulheres obtidas de um censo nacional, perceberam que mulheres nas faixas de idade de 51-56 e 57-61 são mais propensas a estarem trabalhando que amostras da mesma idade obtidas em 1992, quando controlados outros fatores.

Ao analisar também as amostras mais recentes de mulheres próximas à aposentadoria, viu-se que estas também têm mais débitos que as amostras anteriores e que isso pode estar associado à intenção de trabalhar por mais tempo. Além do aumento das dívidas, houve uma redução no número de mulheres com dinheiro poupado. Continue lendo…

Como está a Educação Financeira dos jovens brasileiros? Uma análise a partir do PISA

Promover a educação financeira da população é um objetivo comum de muitos países, por diversas razões: crescente oferta de produtos e serviços financeiros, maior longevidade da população, novas tecnologias financeiras etc. A recente pandemia mundial apenas reforçou essa necessidade, especialmente para os mais jovens, que irão, em muitos países, enfrentar uma realidade financeira muito diferente da de seus pais. A OECD recomenda, inclusive, que a educação financeira comece o mais cedo possível, na escola, contribuindo para formar uma sociedade, no futuro, com um bem-estar financeiro de maior qualidade. Entender conceitos financeiros, conhecer características, riscos e oportunidades de produtos e serviços financeiros, saber gerir suas finanças pessoais, entre outras competências, integram um conjunto básico de capacidades necessários a todo cidadão.

Nesse particular, um instrumento que nos dá um quadro confiável e detalhado do letramento financeiro da população jovem é o PISA (Programme for International Student Assessment). O PISA é um survey trienal que avalia as habilidades de estudantes de diversos países para a participação na vida econômica e social. Nos fornece dados sobre as habilidades dos estudantes em leitura, matemática e ciências, e também em áreas inovadoras, como resolução de problemas, competências globais e pensamento criativo. Continue lendo…

Como o comportamento financeiro dos pais influencia os filhos?

A educação financeira é uma importante ferramenta para as decisões financeiras conscientes e para planejamentos capazes de absorver choques econômicos, desenvolver poupança e se manter distante de dívidas. Já falamos aqui algumas vezes que a educação financeira durante a infância pode ter um grande impacto na nossa vida adulta. Agora gostaríamos de discutir como o papel dos pais influencia o comportamento financeiro dos filhos.

Pais influenciam comportamento financeiro dos filhos

Crianças, principalmente no início da vida, aprendem em grande parte por observação e imitação. Os pais são agentes de socialização financeira, isto é, são eles que nos inserem na sociedade e, são os primeiros a ensinar como o dinheiro funciona. Estudos encontraram que crianças que observam os comportamentos dos pais, de forma geral, estão propensas a repeti-los – e o mesmo se dá com os comportamentos financeiros (NorAzman e Muhammad, 2017). Continue lendo…

Como falar com crianças sobre a relação entre consumo e educação financeira?

A visão das crianças sobre o dinheiro é, muitas vezes, tida como ingênua, pois elas ainda não internalizaram as concepções dos adultos a respeito da economia. Portanto, elas não só podem ser excluídas dos processos econômicos em geral, mas desconsideradas em termos de suas perspectivas, experiências e do seu papel social.

Acontece que elas vão crescer e precisam estar preparadas para a realidade econômica e, mesmo que ainda estejam em processo de desenvolvimento, é preciso lembrar que também fazem parte do sistema econômico e de consumo.

Um estudo finlandês, realizado por Minna Ruckenstein com crianças de 6 e 7 anos, buscou entender seus desejos de consumo, seu entendimento acerca do uso do dinheiro e o lugar que ele ocupa em suas vidas, bem como a diferença entre sua noção e a dos adultos, incluindo-as em uma Epistemologia do Consumo.

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Como avaliar o nível de letramento financeiro da população?

Em março último a OCDE/INFE tornou pública a nova versão de sua ferramenta de avaliação de letramento e inclusão financeiros¹. Trata-se de uma atualização do questionário aplicado entre 2015 e 2016 em quarenta países. A versão de 2018 traz novidades que permitem mensurar o conhecimento financeiro relacionado às inovações que transformaram o mercado financeiro nos últimos anos. Continue lendo…