Fraudes em idosos no contexto da pandemia

Embora todos estejam sujeitos a situações de fraude financeira, em qualquer momento da vida adulta, é certamente para os idosos que os efeitos podem ser mais prejudiciais ao bem-estar financeiro, podendo mesmo destruir a reserva financeira construída ao longa da vida. O problema não é exclusivamente brasileiro, segundo um relatório da Organização Internacional das Comissões de Valores (Relatório Final de Vulnerabilidade do Investidor Sênior), de março de 2018, esse é um problema global, afetando inclusive países desenvolvidos.

Um estudo bastante elucidativo sobre o tema, voltado à população idosa norte-americana, foi desenvolvido em 2018 por pesquisadores do TIAA Institute do Pension Research Council/Boettner Center da Wharton School na Universidade da Pennsylvania, o “Health and Retirement Study (HRS)” sobre os fatores de risco ligados aos diferentes tipos de golpe projetados especificamente para os idosos. 

Uma conclusão talvez inusitada dessa pesquisa foi que mesmo os idosos possuidores de um bom conhecimento financeiro podem se tornar vítimas de fraudes. Segundo os pesquisadores, existem outros fatores inerentes a esta etapa da vida que influenciam na “tomada de decisão” financeira. A própria aposentadoria, com o distanciamento do ambiente de trabalho e alterações na rotina, traz mudanças de vida que podem afetar emocionalmente o indivíduo. Essas e outras situações, como perdas de familiares e amigos, podem contribuir para uma certa fragilidade emocional, o que pode tornar os idosos mais suscetíveis a fraudes perpetradas por pessoas que, embora mal intencionadas, sejam hábeis em explorar as necessidades emocionais e sociais da vítima.

Os estudos ressaltam a importância do adequado tratamento dos idosos pelas entidades dedicadas à proteção, o que inclui instituições financeiras, aumentando as proteções e oferecendo ferramentas de monitoramento e informação, que reduzam as oportunidades de exploração. Outra forma de proteção é aumentar o conhecimento dos idosos sobre as técnicas de persuasão dos fraudadores. Essa pode ser uma linha de defesa importante, mesmo para quem está fragilizado por uma situação da vida.

Essa situação desafiadora ganhou novas características com a pandemia global. Estamos vivenciando alterações de rotina e mudanças de hábitos de vida, principalmente relacionados ao uso mais intenso dos meios digitais para atividades cotidianas. Nesse cenário, um levantamento da FEBRABAN (Federação Brasileira de Bancos), publicado em 02/09/2020, revelou que, no período de quarentena, houve um aumento de 60% em tentativas de golpes financeiros contra idosos. Assim, o tema é cada vez mais atual e importante.

A CVM possui diversos materiais sobre o tema que podem ser encontradas no Portal do Investidor (www.investidor.gov.br), destacando-se os boletins de proteção do consumidor/investidor, elaborados em conjunto com a SENACON (https://www.investidor.gov.br/publicacao/ListaBoletim.html). A CVM também apoiou a campanha da ANBIMA para alertar sobre as fraudes financeiras (https://seliganafraude.anbima.com.br/), além de divulgar alertas ao público (https://www.gov.br/cvm/pt-br/assuntos/protecao/alertas) e divulgar conteúdos e campanhas por seu canal educacional nas redes sociais (https://www.gov.br/cvm/pt-br/assuntos/educacao/redes-sociais) .

Referência
DeLiema, Marguerite; Deevy, Martha; Lusardi, Annamaria; and Mitchell, Olivia S., “Exploring the Risks and Consequences of Elder Fraud Victimization: Evidence from the Health and Retirement Study” (2018). Wharton Pension Research Council Working Papers. 17. https://repository.upenn.edu/prc_papers/17  Cartilha de Engenharia Social produzida pela FEBRABAN, FIESP E MNSP, em 2017, e revisada pelo Grupo de Trabalho de Conscientização da Comissão Executiva de Prevenção a Fraudes da FEBRABAN, em 2020. https://antifraudes.febraban.org.br/downloads/cartilha_eng_social_final.pdf

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