Finanças comportamentais & Investimentos ASG

As ciências comportamentais têm ganhado relevância nos últimos anos demonstrando como aspectos psicológicos, sociológicos, dentre outros influenciam a tomada de decisões econômicas. Esse conhecimento tem sido utilizado, inclusive, por governos, incluindo o brasileiro[1], para otimizar a implementação de políticas públicas e a criação de nudges[2].

Nas finanças comportamentais, subdisciplina da economia comportamental, o foco é estudar como os aspectos mencionados acima influenciam a tomada de decisão financeira, incluindo decisões de investimento. Já é sabido que os investidores nem sempre tomam a decisão que representam o melhor custo-benefício, visto que invariavelmente sofrem a influência das emoções e crenças quando da avaliação de riscos de um investimento.   Continue lendo…

Comportamento do investidor e covid-19

 

Em 2020, a pandemia do covid-19 trouxe enormes desafios sociais e econômicos para todos os países, com impactos no mercado financeiro. É bem conhecido, a partir de estudos sobre o comportamento do investidor (ARANHA 2006), que momentos de crise podem gerar estresse psicológico e influir nas decisões de investimento.

Um dos comportamentos mais comuns em momentos de pânico ou euforia do mercado, e que podem interferir na tomada de decisão do investidor, é denominado “comportamento de manada”, onde o investidor ignora suas informações particulares e segue a conduta de outros investidores. Esse efeito é potencializado pelo viés da confirmação, viés cognitivo que influencia o investidor a buscar informações que confirmem suas crenças e opiniões e ignorar, ou dar menor peso, aquelas que contrariam a decisão de investimento tomada.

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Mulheres estão adiando a aposentadoria?

Pesquisas no Estados Unidos mostram que, no país, as mulheres têm procurado se manter no mercado de trabalho por mais tempo. Em 2016, as pesquisadoras Annamaria Lusardi e Olivia Mitchell, analisando amostras de mulheres obtidas de um censo nacional, perceberam que mulheres nas faixas de idade de 51-56 e 57-61 são mais propensas a estarem trabalhando que amostras da mesma idade obtidas em 1992, quando controlados outros fatores.

Ao analisar também as amostras mais recentes de mulheres próximas à aposentadoria, viu-se que estas também têm mais débitos que as amostras anteriores e que isso pode estar associado à intenção de trabalhar por mais tempo. Além do aumento das dívidas, houve uma redução no número de mulheres com dinheiro poupado. Continue lendo…

Fraudes em idosos no contexto da pandemia

Embora todos estejam sujeitos a situações de fraude financeira, em qualquer momento da vida adulta, é certamente para os idosos que os efeitos podem ser mais prejudiciais ao bem-estar financeiro, podendo mesmo destruir a reserva financeira construída ao longa da vida. O problema não é exclusivamente brasileiro, segundo um relatório da Organização Internacional das Comissões de Valores (Relatório Final de Vulnerabilidade do Investidor Sênior), de março de 2018, esse é um problema global, afetando inclusive países desenvolvidos.

Um estudo bastante elucidativo sobre o tema, voltado à população idosa norte-americana, foi desenvolvido em 2018 por pesquisadores do TIAA Institute do Pension Research Council/Boettner Center da Wharton School na Universidade da Pennsylvania, o “Health and Retirement Study (HRS)” sobre os fatores de risco ligados aos diferentes tipos de golpe projetados especificamente para os idosos.  Continue lendo…

É possível superar os efeitos da impulsividade no comportamento financeiro?

Para garantir um futuro financeiramente estável e resguardar-se frente a imprevistos é necessário um bom planejamento. Um paper publicado em 2016 na American Psychology Association pontua que, para seguir os planos feitos, além de conhecimento financeiro é necessário ter controle dos impulsos, assumir uma postura pouco materialista e possuir uma visão de futuro, ou conceito de futuro.

Este estudo se apoia em pesquisas anteriores que afirmam que o materialismo, a pouca visão de futuro e baixo autocontrole são os principais fatores para a baixa taxa de poupança entre americanos, juntamente com normas culturais.

Para os autores, conhecer os aspectos da personalidade pode ajudar a identificar as pessoas que tendem a gastar, mas não contribuem tanto para mudança de comportamento. Isso se dá porque características da personalidade são relativamente estáveis e por isso, difíceis de mudar através de exercícios.

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Como está a Educação Financeira dos jovens brasileiros? Uma análise a partir do PISA

Promover a educação financeira da população é um objetivo comum de muitos países, por diversas razões: crescente oferta de produtos e serviços financeiros, maior longevidade da população, novas tecnologias financeiras etc. A recente pandemia mundial apenas reforçou essa necessidade, especialmente para os mais jovens, que irão, em muitos países, enfrentar uma realidade financeira muito diferente da de seus pais. A OECD recomenda, inclusive, que a educação financeira comece o mais cedo possível, na escola, contribuindo para formar uma sociedade, no futuro, com um bem-estar financeiro de maior qualidade. Entender conceitos financeiros, conhecer características, riscos e oportunidades de produtos e serviços financeiros, saber gerir suas finanças pessoais, entre outras competências, integram um conjunto básico de capacidades necessários a todo cidadão.

Nesse particular, um instrumento que nos dá um quadro confiável e detalhado do letramento financeiro da população jovem é o PISA (Programme for International Student Assessment). O PISA é um survey trienal que avalia as habilidades de estudantes de diversos países para a participação na vida econômica e social. Nos fornece dados sobre as habilidades dos estudantes em leitura, matemática e ciências, e também em áreas inovadoras, como resolução de problemas, competências globais e pensamento criativo. Continue lendo…