Como está a Educação Financeira dos jovens brasileiros? Uma análise a partir do PISA

Promover a educação financeira da população é um objetivo comum de muitos países, por diversas razões: crescente oferta de produtos e serviços financeiros, maior longevidade da população, novas tecnologias financeiras etc. A recente pandemia mundial apenas reforçou essa necessidade, especialmente para os mais jovens, que irão, em muitos países, enfrentar uma realidade financeira muito diferente da de seus pais. A OECD recomenda, inclusive, que a educação financeira comece o mais cedo possível, na escola, contribuindo para formar uma sociedade, no futuro, com um bem-estar financeiro de maior qualidade. Entender conceitos financeiros, conhecer características, riscos e oportunidades de produtos e serviços financeiros, saber gerir suas finanças pessoais, entre outras competências, integram um conjunto básico de capacidades necessários a todo cidadão.

Nesse particular, um instrumento que nos dá um quadro confiável e detalhado do letramento financeiro da população jovem é o PISA (Programme for International Student Assessment). O PISA é um survey trienal que avalia as habilidades de estudantes de diversos países para a participação na vida econômica e social. Nos fornece dados sobre as habilidades dos estudantes em leitura, matemática e ciências, e também em áreas inovadoras, como resolução de problemas, competências globais e pensamento criativo. Continue lendo…

Como foi a 8ª Conferência de Ciências Comportamentais e Educação do Investidor

A CVM, em parceria com a B3 e a Anbima, realizou nos dias 14 e 15 de dezembro a Conferência de Ciências Comportamentais e Educação do Investidor. Esse já é um evento tradicional da CVM, e está em sua oitava edição.

A Conferência é um evento anual que propõe debates sobre Ciências Comportamentais, comportamento do investidor e Educação Financeira, com o propósito de aperfeiçoar as ações de proteção e orientação do investidor brasileiro, levar informação qualificada ao seu público, e incentivar a formação de poupança no país. Contamos com a participação de especialistas de renome na área, do cenário nacional e internacional, professores universitários, e representantes de órgãos reguladores e autorreguladores.

A Educação Financeira impacta o comportamento financeiro?

 

É amplamente conhecido que muitas variáveis podem influenciar o comportamento e as decisões financeiras individuais.  Questões como a renda, a existência de dependentes financeiros na família, a disciplina para investir, o autocontrole para poupar e a curiosidade para pesquisar novos investimentos, por exemplo, são fatores que podem ser apontados. Discute-se, também, o papel da educação financeira na tomada de decisões e comportamentos relacionados a finanças. Intuitivamente, podemos afirmar que ser financeiramente educado traz mais benefícios que não ser. Mas qual é o impacto real do letramento financeiro nas finanças das pessoas? Continue lendo…

Intuição e emoção na tomada de decisões financeiras

Um estudo publicado em 2011 pelos pesquisadores ingleses Mark Creevy, Emma Soane, Nigel Nicholson e Paul Willman procurou entender como os investidores compreendem o impacto das emoções em suas decisões financeiras.

Os pesquisadores compartilham do pressuposto de que as decisões financeiras são atravessadas por emoções, tal como é amplamente aceito pelas Ciências Comportamentais. Nesse sentido, afastam-se de uma vertente mais cognitivista[1] da Psicologia Econômica ao argumentarem que as emoções não são ruídos que atrapalham o processo decisório, que teria sua forma ótima quando puramente racional. Ao contrário, os autores defendem que as emoções são um componente primário do processo decisório. Ou seja, não há um processo decisório perfeito e estritamente racional, desviado de seu curso ideal pelas emoções. A proposta dos autores é que as emoções são parte da tomada de decisão tanto quanto os processos cognitivos.

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Decisões financeiras podem ser explicadas por diferenças de gênero?

Diferenças no comportamento financeiro entre homens e mulheres têm sido um objeto de pesquisa relevante para estudiosos de economia comportamental. Neste post, debatemos alguns estudos que tratam das diferenças entre os gêneros no comportamento financeiro. Dentre as características que a literatura aponta como diferentes, uma delas refere-se aos riscos que se corre ao investir. Há estudos que apontam que mulheres preferem correr menos riscos que homens. Comumente, constata-se que essa diferença pode se dever a desigualdades em termos de educação financeira e variações de apetite para o risco e autoconfiança. A pesquisa que discutiremos neste post acrescenta um outro fator que pode levar as mulheres a se arriscarem menos financeiramente: a confiança que possuem em suas habilidades financeiras.

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Quais são as decisões mais difíceis enfrentadas por day traders?

 

 

Comumente, pesquisas de economia comportamental sobre tomada de decisão são feitas baseadas na descrição dos cenários de risco. Nessa abordagem, as probabilidades de perdas e ganhos e os resultados possíveis de uma determinada tarefa são apresentadas para o indivíduo. No Penso, Logo Invisto, já divulgamos pesquisas que usam essa abordagem, como essa.

Claire McAndrew e Julie Gorey, pesquisadoras inglesas, fizeram algumas críticas a essa abordagem. A primeira é que este delineamento não reproduz o mundo real, onde as pessoas não têm acesso ao detalhamento dos riscos de suas decisões. Elas também apontam que esse método foca em uma forma que seria a ideal de como as pessoas deveriam tomar decisões, apontando os desvios ou erros que se distanciam disso. Continue lendo…

Qual é o impacto da assessoria profissional na carteira de investimentos?

Alguns pesquisadores argumentam que investir sob a orientação de consultores financeiros é uma forma de minimizar os erros de investimentos causados por vieses comportamentais. Para entender quais são os benefícios da orientação profissional, analisando se ela de fato traz vantagens para o investidor e quais seriam elas, pesquisadores alemães fizeram uma pesquisa com investidores, clientes de um banco privado alemão. 

Analisou-se a carteira e as movimentações de 65.000 investidores, com o objetivo de avaliar os efeitos do aconselhamento nos portfólios de investimentos. Para isso, a amostra foi dividida entre os clientes que faziam investimentos com assessoria profissional e os que investiam por conta própria. 

Para análise da carteira de investimentos, os pesquisadores tiveram acesso à composição das carteiras, ou seja, quais produtos os investidores possuíam, e à movimentação dos investimentos. 

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