Mulheres estão adiando a aposentadoria?

Pesquisas no Estados Unidos mostram que, no país, as mulheres têm procurado se manter no mercado de trabalho por mais tempo. Em 2016, as pesquisadoras Annamaria Lusardi e Olivia Mitchell, analisando amostras de mulheres obtidas de um censo nacional, perceberam que mulheres nas faixas de idade de 51-56 e 57-61 são mais propensas a estarem trabalhando que amostras da mesma idade obtidas em 1992, quando controlados outros fatores.

Ao analisar também as amostras mais recentes de mulheres próximas à aposentadoria, viu-se que estas também têm mais débitos que as amostras anteriores e que isso pode estar associado à intenção de trabalhar por mais tempo. Além do aumento das dívidas, houve uma redução no número de mulheres com dinheiro poupado. Continue lendo…

É possível superar os efeitos da impulsividade no comportamento financeiro?

Para garantir um futuro financeiramente estável e resguardar-se frente a imprevistos é necessário um bom planejamento. Um paper publicado em 2016 na American Psychology Association pontua que, para seguir os planos feitos, além de conhecimento financeiro é necessário ter controle dos impulsos, assumir uma postura pouco materialista e possuir uma visão de futuro, ou conceito de futuro.

Este estudo se apoia em pesquisas anteriores que afirmam que o materialismo, a pouca visão de futuro e baixo autocontrole são os principais fatores para a baixa taxa de poupança entre americanos, juntamente com normas culturais.

Para os autores, conhecer os aspectos da personalidade pode ajudar a identificar as pessoas que tendem a gastar, mas não contribuem tanto para mudança de comportamento. Isso se dá porque características da personalidade são relativamente estáveis e por isso, difíceis de mudar através de exercícios.

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Como o comportamento financeiro dos pais influencia os filhos?

A educação financeira é uma importante ferramenta para as decisões financeiras conscientes e para planejamentos capazes de absorver choques econômicos, desenvolver poupança e se manter distante de dívidas. Já falamos aqui algumas vezes que a educação financeira durante a infância pode ter um grande impacto na nossa vida adulta. Agora gostaríamos de discutir como o papel dos pais influencia o comportamento financeiro dos filhos.

Pais influenciam comportamento financeiro dos filhos

Crianças, principalmente no início da vida, aprendem em grande parte por observação e imitação. Os pais são agentes de socialização financeira, isto é, são eles que nos inserem na sociedade e, são os primeiros a ensinar como o dinheiro funciona. Estudos encontraram que crianças que observam os comportamentos dos pais, de forma geral, estão propensas a repeti-los – e o mesmo se dá com os comportamentos financeiros (NorAzman e Muhammad, 2017). Continue lendo…

A personalidade pode influenciar a participação no mercado?

Muitas decisões são necessárias na hora de investir, sendo a primeira delas decidir ser ou não um investidor. Uma pesquisa feita por estudiosos finlandeses (Conlin e colegas, 2015) buscou entender o quanto a personalidade das pessoas influencia as suas decisões. Para avaliar a personalidade, foi utilizado o Inventário de Temperamento e Caráter (Temperament and Character Inventory, ou TCI, de Cloninger et al), que, segundo os autores, oferece uma visão detalhada da personalidade, a partir de traços e subescalas. Continue lendo…

Há relação entre o conhecimento financeiro e a formação de reserva de emergência?

No mês passado foi comemorado o dia mundial da poupança. A CVM tem como uma de suas atribuições o incentivo à formação de poupança e aplicação em valores mobiliários (de acordo com a Lei nº 6.385, de 7 de dezembro de 1976, art. 4º, inciso I). A poupança de consumidores pode influenciar tanto o crescimento micro como o macro econômico, uma vez que desempenha um papel fundamental no acúmulo de riquezas, segundo Babiarz e Robb (2013).

As pessoas com menor grau de educação financeira estão mais propensas a cometer erros ao tomar decisões financeiras, o que pode impactar não só o indivíduo, mas também o plano macrossocial. Para investir, ainda mais em casos de pouca experiência, é imprescindível que o investidor esteja munido das informações necessárias e acompanhe o mercado, de forma a fazer um investimento consciente e bem informado, buscando orientação de profissionais e um processo contínuo de educação financeira – instrumento de grande valor para o estímulo da poupança e do planejamento financeiro. Continue lendo…

O comportamento financeiro dos millennials difere de outras gerações?

Pessoas nascidas após a década de 1980 até um pouco depois do novo milênio (embora não haja um consenso sobre a data exata) pertencem à chamada Geração Y, e podem ser denominadas também como millennials. Segundo um estudo realizado em 2018 nos Estados Unidos por Bolognesi, Hasler e Lusardi (2020a), millennials – definidos pelos autores como indivíduos com idades entre 18 e 37 anos, naquele ano – têm o potencial de moldar o futuro da economia americana pelos próximos 30 anos, a partir de suas decisões econômicas.

Utilizando dados obtidos pelo NFCS (National Financial Capability Study, Estudo Nacional de Capacidade Financeira, em tradução livre), pesquisadores analisaram millennials em comparação com adultos mais velhos (de 38 a 64 anos) em relação a seus comportamentos, conhecimentos e situação financeira, e seu gerenciamento de dinheiro e finanças quando comparados com jovens adultos da mesma faixa, mas em anos anteriores, como 2009, 2012 e 2015. Continue lendo…

As crises econômicas podem afetar o apetite por risco?

Os acontecimentos do passado têm o potencial de servir como experiências e lições para atitudes tomadas no presente. A crise de 2008, por exemplo, resultou em diminuição de patrimônio e renda, além de perdas de emprego que impactaram negativamente o mercado de trabalho. Há indícios que ela afetou também o comportamento dos investidores.

Um artigo publicado em 2020, por Lippi e Rossi, parte do pressuposto que o cenário de crise influencia a tolerância a risco de investidores e busca demonstrar como isso ocorreu durante a crise 2008, na Itália. Mesmo sendo difícil medir a tolerância a risco por sua natureza multidimensional, mudanças neste fator podem levar a ajustes na alocação de ativos, mudanças no portfólio e no planejamento financeiro, segundo os autores.

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