Como foi a 8ª Conferência de Ciências Comportamentais e Educação do Investidor

A CVM, em parceria com a B3 e a Anbima, realizou nos dias 14 e 15 de dezembro a Conferência de Ciências Comportamentais e Educação do Investidor. Esse já é um evento tradicional da CVM, e está em sua oitava edição.

A Conferência é um evento anual que propõe debates sobre Ciências Comportamentais, comportamento do investidor e Educação Financeira, com o propósito de aperfeiçoar as ações de proteção e orientação do investidor brasileiro, levar informação qualificada ao seu público, e incentivar a formação de poupança no país. Contamos com a participação de especialistas de renome na área, do cenário nacional e internacional, professores universitários, e representantes de órgãos reguladores e autorreguladores.

Como o comportamento financeiro dos pais influencia os filhos?

A educação financeira é uma importante ferramenta para as decisões financeiras conscientes e para planejamentos capazes de absorver choques econômicos, desenvolver poupança e se manter distante de dívidas. Já falamos aqui algumas vezes que a educação financeira durante a infância pode ter um grande impacto na nossa vida adulta. Agora gostaríamos de discutir como o papel dos pais influencia o comportamento financeiro dos filhos.

Pais influenciam comportamento financeiro dos filhos

Crianças, principalmente no início da vida, aprendem em grande parte por observação e imitação. Os pais são agentes de socialização financeira, isto é, são eles que nos inserem na sociedade e, são os primeiros a ensinar como o dinheiro funciona. Estudos encontraram que crianças que observam os comportamentos dos pais, de forma geral, estão propensas a repeti-los – e o mesmo se dá com os comportamentos financeiros (NorAzman e Muhammad, 2017). Continue lendo…

Se planejar com antecedência faz você gastar menos ou mais?

Planejar é uma técnica importante para alcançar qualquer objetivo, especialmente na vida financeira: a associação que reúne os planejadores financeiros no país[1], por exemplo, define planejamento financeiro como “o processo de atingir as metas financeiras da vida por meio do gerenciamento adequado dos seus recursos financeiros”.

Entre as diversas abordagens utilizadas, uma estratégia muito difundida, quando o objetivo é a aquisição de um bem ou serviço, especialmente aqueles de maior valor, é a fixação de um orçamento para essa compra. Assim o indivíduo pode se organizar com antecedência necessária para  poupar o suficiente para adquirir o item desejado.

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A Educação Financeira impacta o comportamento financeiro?

 

É amplamente conhecido que muitas variáveis podem influenciar o comportamento e as decisões financeiras individuais.  Questões como a renda, a existência de dependentes financeiros na família, a disciplina para investir, o autocontrole para poupar e a curiosidade para pesquisar novos investimentos, por exemplo, são fatores que podem ser apontados. Discute-se, também, o papel da educação financeira na tomada de decisões e comportamentos relacionados a finanças. Intuitivamente, podemos afirmar que ser financeiramente educado traz mais benefícios que não ser. Mas qual é o impacto real do letramento financeiro nas finanças das pessoas? Continue lendo…

A personalidade pode influenciar a participação no mercado?

Muitas decisões são necessárias na hora de investir, sendo a primeira delas decidir ser ou não um investidor. Uma pesquisa feita por estudiosos finlandeses (Conlin e colegas, 2015) buscou entender o quanto a personalidade das pessoas influencia as suas decisões. Para avaliar a personalidade, foi utilizado o Inventário de Temperamento e Caráter (Temperament and Character Inventory, ou TCI, de Cloninger et al), que, segundo os autores, oferece uma visão detalhada da personalidade, a partir de traços e subescalas. Continue lendo…

Intuição e emoção na tomada de decisões financeiras

Um estudo publicado em 2011 pelos pesquisadores ingleses Mark Creevy, Emma Soane, Nigel Nicholson e Paul Willman procurou entender como os investidores compreendem o impacto das emoções em suas decisões financeiras.

Os pesquisadores compartilham do pressuposto de que as decisões financeiras são atravessadas por emoções, tal como é amplamente aceito pelas Ciências Comportamentais. Nesse sentido, afastam-se de uma vertente mais cognitivista[1] da Psicologia Econômica ao argumentarem que as emoções não são ruídos que atrapalham o processo decisório, que teria sua forma ótima quando puramente racional. Ao contrário, os autores defendem que as emoções são um componente primário do processo decisório. Ou seja, não há um processo decisório perfeito e estritamente racional, desviado de seu curso ideal pelas emoções. A proposta dos autores é que as emoções são parte da tomada de decisão tanto quanto os processos cognitivos.

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Há relação entre o conhecimento financeiro e a formação de reserva de emergência?

No mês passado foi comemorado o dia mundial da poupança. A CVM tem como uma de suas atribuições o incentivo à formação de poupança e aplicação em valores mobiliários (de acordo com a Lei nº 6.385, de 7 de dezembro de 1976, art. 4º, inciso I). A poupança de consumidores pode influenciar tanto o crescimento micro como o macro econômico, uma vez que desempenha um papel fundamental no acúmulo de riquezas, segundo Babiarz e Robb (2013).

As pessoas com menor grau de educação financeira estão mais propensas a cometer erros ao tomar decisões financeiras, o que pode impactar não só o indivíduo, mas também o plano macrossocial. Para investir, ainda mais em casos de pouca experiência, é imprescindível que o investidor esteja munido das informações necessárias e acompanhe o mercado, de forma a fazer um investimento consciente e bem informado, buscando orientação de profissionais e um processo contínuo de educação financeira – instrumento de grande valor para o estímulo da poupança e do planejamento financeiro. Continue lendo…