O Viés do Status Quo (status quo bias) é a tendência a preferir manter as coisas na situação em que estão, seja por não fazer nada ou por insistir em uma decisão já tomada, ainda que mudar represente a escolha mais proveitosa.

O comportamento de manter o status quo é comum em várias áreas. Por exemplo, quando alguém instala um software, se depara com configurações predeterminadas (conhecidas como default), muitas vezes com o aviso de que é altamente recomendável mantê-las, caso o usuário não saiba o que fazer. E, nesse caso, geralmente é a melhor conduta.

Entretanto, o mesmo comportamento aplicado à área financeira pode se mostrar desastroso, uma vez que as opções pré-selecionadas podem fazer com que a pessoa consuma produtos e serviços dos quais não necessita, simplesmente por causa da forma como são oferecidos.

Muitas vezes, ao contratar um produto ou serviço, a pessoa é levada a  adquirir em conjunto itens de que não precisa, sob a justificativa de que só irá ser cobrada se consumi-los, ou de encontrar a opção de renovação automática já selecionada.

Esse tipo de estratégia de venda apela para o viés do status quo e se baseia na pressuposição de que muitas pessoas irão ignorar que ali há uma escolha ou de que permanecerão na inércia, sem tomar nenhuma atitude, optando silenciosamente pela aquisição.

Quando a pessoa decide conscientemente manter-se no estado atual, por achar que ele atende razoavelmente suas necessidades e que não tem elementos suficientes para avaliar os benefícios e riscos de uma eventual mudança, não se trata necessariamente de um viés.

No entanto, diversas pesquisas demonstraram que

as pessoas têm uma preferência significativamente alta pela preservação do status quo, mesmo quando são fornecidas informações suficientes para fazer uma escolha que lhes seja mais vantajosa.

Em um experimento, os pesquisadores dividiram os sujeitos em 2 grupos. Ao primeiro, foram apresentadas diversas escolhas entre alternativas equivalentes. Ao segundo, foram oferecidas as mesmas opções, porém com a indicação de qual seria a default (aquela previamente selecionada, caso a pessoa não optasse).

Houve diferença relevante entre os 2 grupos, com indiscutível preferência pelas opções pré-escolhidas. Ou seja, saber que existe uma opção default é algo que direciona a escolha, fazendo a maioria das pessoas optar por mantê-la.

Vários fatores, como o custo (financeiro e psicológico) de mudar e o medo do arrependimento, podem ser responsáveis por essa resistência à mudança. Outros vieses, como a Aversão a Perda, também podem ter um papel na composição desse viés.

Como as condições da economia mudam com o passar do tempo, é preciso que o consumidor esteja sempre atento às notícias e aos indicadores financeiros para saber avaliar o momento de mudar. Se o setor imobiliário estiver em baixa, por exemplo, pode ser uma boa hora para renegociar o valor do aluguel, ao invés de ficar parado e simplesmente aceitar o reajuste proposto.

Além disso, é preciso estar atento às opções disfarçadas na hora da compra de um produto ou da aquisição de um serviço. Para tanto, porém, é necessário que o consumidor se conscientize de sua eventual preferência por manter o status quo na hora de tomar decisões.

Assim, para contornar esse viés, é recomendável:

  • Combater a própria inércia, reavaliando periodicamente se as premissas que orientam suas escolhas econômicas e financeiras ainda permanecem válidas, por exemplo: se você vem aplicando em um determinado produto financeiro, mas a taxa de administração aumenta ou a rentabilidade diminui, é preciso considerar uma eventual troca ou escolher outro produto para novas aplicações;
  • Tomar cuidado com opções pré-selecionadas ao preencher cadastros ou assinar contratos com instituições financeiras; a venda casada é proibida e a instituição não pode obrigar o cliente a aceitar um produto que não deseja para poder ter acesso a outro;
  • Questionar tais opções e esclarecer todas as dúvidas (especialmente no que se refere a riscos) antes de assinar contratos ou termos de aceite/ciência; se não entender o que está sendo oferecido, não assinar o contrato ou simplesmente pedir para retirar os itens que não deseja (como a garantia estendida, por exemplo);
  • Evitar apegar-se aos produtos financeiros que já conhece ou possui, procurando se informar sobre novas modalidades, por exemplo: fundos de investimento costumam ter taxas de administração mais baixas para quantias mais altas, então é recomendável verificar periodicamente se atingiu a quantia mínima, avaliando a possibilidade de transferir a aplicação para outro fundo com menor taxa (atentando para a alíquota do imposto de renda, que diminui conforme o prazo da aplicação);
  • Renegociar despesas – como telefonia celular, internet, TV a cabo, tarifas bancárias, anuidades de cartões de crédito e assinaturas de jornais e revistas – já que seus preços vão sendo reajustados periodicamente, podendo ficar acima do valor de um pacote novo e até com mais vantagens;
  • Aproveitar o período de vencimento de alguns produtos e serviços, como seguros e aplicações financeiras, para consultar a concorrência e pesquisar melhores opções, antes de optar pela renovação, evitando restringir-se às instituições com as quais tem relacionamento, pois elas podem ficar defasadas em relação ao mercado, com a concorrência oferecendo menores taxas e maiores retornos para produtos similares; e
  • Tomar decisões de compra e de investimento com base nas perspectivas futuras da economia e não apenas no passado.

Finalmente, gostaríamos de saber sua opinião. E você? Costuma resistir à mudança e se acomodar às escolhas já realizadas? O que faz para vencer sua própria resistência? Fica atento às datas de reajuste de serviços para renegociar valores? Costuma comparar preços e taxas ou aceita a primeira opção que oferecem?

Aguardamos seus comentários!

2 thoughts on “Viés do Status Quo: não se mexe em time que está perdendo?

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