O Viés do Otimismo (optimism bias) é a tendência a superestimar a probabilidade de eventos positivos e subestimar o risco de ocorrerem eventos negativos em nossa vida. Quando nos projetamos no futuro, temos uma maior tendência a acreditar que seremos ricos e saudáveis do que a pensar que podemos sofrer um acidente, contrair uma doença ou perder o emprego.

Esse viés nos faz acreditar que nosso futuro será melhor do que o passado e que somos mais sortudos do que os outros. Isso faz com que o fumante ache que nunca irá contrair um câncer de pulmão ou que o praticante de esportes radicais pense que sua chance de sofrer uma lesão é pequena, ainda que ambos conheçam bem as estatísticas.

O lado perigoso desse viés é que ele nos faz subestimar os riscos, ainda que amplamente conhecidos, e deixar de adotar comportamentos preventivos, tais como não beber antes de dirigir, usar equipamento de proteção, adotar métodos contraceptivos, etc.

A única coisa que sabemos sobre imprevistos é que eles acontecem de tempos em tempos. Ainda assim, há quem assuma obrigações de pagamento que comprometem toda a sua renda, sem levar em conta o risco de adversidades.  Ao agir desse modo, a pessoa pode, inadvertidamente, estar colocando a si mesma e quem dela depende em situação de fragilidade financeira.

Além disso, o otimismo exagerado em relação ao futuro pode prejudicar nossos planos para a aposentadoria, já que nos faz poupar menos (ou nada) e confiar excessivamente em determinadas suposições que mais tarde podem não se mostrar verdadeiras.

Isso inclui achar que nossas despesas permanecerão no mesmo padrão do presente, que o valor recebido da previdência oficial será suficiente para cobri-las ou que não há possibilidade de o fundo de pensão para o qual contribuímos durante toda nossa vida produtiva enfrentar problemas ou até quebrar.

No mundo financeiro, os riscos são uma preocupação permanente, tanto que há inúmeros produtos criados para minimizá-los, alguns com alto grau de sofisticação. No entanto,

há providências que qualquer um pode tomar para se proteger de eventos inesperados, bastando que vença o excesso de otimismo e se conscientize de que problemas podem acontecer a qualquer momento e a qualquer pessoa – incluindo nós mesmos.

Nesse sentido, uma das principais ações a pôr em prática é formar uma reserva de emergência para usar em caso de um evento urgente e inesperado. Isso é feito separando um valor por mês em uma aplicação de baixo risco e alta liquidez, pois já que ela serve para cobrir riscos, tem que estar mais protegida do que qualquer outra quantia e, como é destinada a emergências, deve estar disponível a qualquer momento. O tamanho da reserva varia para cada pessoa, mas geralmente se recomenda guardar entre 6 e 12 vezes o valor das despesas mensais.

Outro procedimento recomendável é a contratação de seguros. Para tanto, é preciso verificar as coisas e pessoas que mais precisam de nossa proteção. Por exemplo, se há pessoas que dependam de nossa renda, o seguro de vida pode vir em primeiro lugar; se utilizamos muito o automóvel e não temos condições de comprar outro em caso de acidente/roubo, protegê-lo pode ser de grande importância. Tendo identificado nossas prioridades, temos que decidir um valor a ser contratado que seja suficiente para repor os bens ou cobrir as despesas, levando em conta nossa capacidade de pagamento.

No que se refere à aposentadoria, o raciocínio é diferente do da reserva financeira, pois o valor a ser guardado não se destina a cobrir imprevistos e sim nossas futuras despesas mensais, as quais é razoável supor que aumentem com o tempo, devido às exigências da idade madura. Portanto, como se trata de um investimento de longo prazo, é possível abrir mão da liquidez em prol da rentabilidade, sendo desejável uma aplicação que proporcione um ganho real acima da inflação para compensar o futuro aumento de gastos.

Em resumo, para contornar o Viés do Otimismo é preciso esperar o melhor, mas se preparar para o pior. Tendo isso em mente, é também aconselhável:

  • Tomar cuidado com expectativas de altíssima rentabilidade, pois além de rentabilidade e risco andarem juntos, promessas de rentabilidade muito acima do mercado muitas vezes estão associadas a fraude;
  • Pesquisar sobre a idoneidade do intermediário junto aos órgãos reguladores e de defesa do consumidor, além de desconfiar caso encontre algum empecilho na hora de fazer resgates;
  • Procurar informações sobre a saúde financeira da companhia que emitiu o papel, nos investimentos em que há o risco de o emissor não conseguir honrar a dívida;
  • Na escolha do investimento, considerar se há proteção do Fundo Garantidor de Crédito, se há registro na CETIP ou na CBLC e outras garantias; e
  • Acompanhar de perto a gestão e a rentabilidade dos recursos destinados à aposentadoria, a fim de garantir que realmente estarão disponíveis e que serão suficientes quando precisar deles.

Finalmente, queremos saber sua opinião. Acha que consegue ter uma visão realista de si mesmo e do seu futuro financeiro? Como acha que o viés do otimismo pode afetar sua vida? Tem alguma dica para contornar esse viés?

Aguardamos seu comentário!

4 thoughts on “Viés do Otimismo: amanhã será melhor do que hoje?

  1. O mais importante não é deixar de ser otimista, mais sim ser previdente para não ser pego de surpresa. Em alguns momentos da vida pensar que tudo vai dar certo pode ser sentido como a “esperança” que move a pessoa para seguir em frente.
    Portanto as pessoas precisam ter consciência de que a proteção (reserva de emergência, previdência, seguros, entre outras opções) pode ser uma saída.

    1. Oi Rosi,

      Você tem razão. Segundo Gerd Gigerenzer, as heurísticas não são falhas do nosso pensamento, mas atalhos mentais necessários para lidarmos com as situações da vida cotidiana. Ou seja, há um importante motivo por trás do viés do otimismo. No entanto, é preciso estarmos atentos para usá-lo sempre a nosso favor e aprendermos a neutralizar seus efeitos negativos, que infelizmente também existem.
      Agradecemos seu comentário!

      Atenciosamente,
      COP/CVM

  2. Eu até tento ter uma visão realista para o futuro, porém são todas negativas, talvez pelo meu jeito “hippie” de viver não consigo ter planos de curto ou longo prazo. Achei o texto interessante, talvez possa contribuir para abrir a minha mente a respeito da vida e o futuro.

    1. Oi Leandro,

      Agradecemos seu comentário.
      É importante lembrar que planejar não significa necessariamente “engessar”, pois o planejamento sempre pode ser mudado. Então, é possível fazer planos sem abrir mão da liberdade de modificá-los. O benefício é termos ao menos um norte…

      Atenciosamente,
      COP/CVM.

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