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CVM Comportamental Vol. 3 – Vieses do Consumidor: Ilusão de Controle

Ilusão de controle (Illusion of control, em inglês) consiste em acreditar na própria capacidade de afetar eventos futuros, ainda que não se possua qualquer controle sobre eles.

Os pesquisadores Amos Tversky, Daniel Kahneman e David Hirshelifer afirmam que este viés pode ter origem nas necessidades humanas de conforto, segurança, proteção da autoestima e bem-estar emocional.

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CVM Comportamental Vol. 3 – Vieses do Consumidor: Efeito Halo

O Efeito Halo (halo effect, em inglês) é um viés cognitivo em que nossas primeiras impressões sobre determinadas características de uma pessoa influenciam nosso julgamento sobre outras características não necessariamente relacionadas.

Por exemplo, uma pessoa gentil pode nos parecer mais bela do que pareceria se fosse rude. É um atalho mental (heurística) que nosso cérebro utiliza para definir alguém em sua totalidade baseado em poucas informações disponíveis.

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É Possível Desenviesar o Comportamento dos Apostadores?

Alguns pesquisadores acham que é possível “desenviesar” o comportamento dos apostadores por meio de uma técnica chamada de experiential learning (aprendizado experimental).

Um estudo do Banco Mundial testou a aplicação dessa técnica por meio de um jogo de dados simples, a fim de simular a dificuldade progressiva de tirar somente o número 6 à medida que mais dados iam sendo adicionados ao jogo.

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CVM Comportamental – Vieses do Consumidor: Vieses de Atribuição

Os vieses de atribuição (attribution bias, em inglês) são um conjunto de vieses que explicam erros sistemáticos – que cometemos ao procurar explicações causais para os acontecimentos, seja em relação ao nosso comportamento ou ao alheio.

Na psicologia social, pesquisadores explicam os vieses da atribuição a partir de duas abordagens:

  • Cognitiva: alega que o julgamento que fazemos é distorcido em relação à realidade porque interpretamos as situações do nosso ponto de vista, limitados às informações disponíveis e baseados tanto no estado em que nos encontramos (físico, psicológico, etc.) quanto em nossas experiências passadas;
  • Motivacional: defende que os vieses da atribuição não são falhas no modo de processar as informações, mas que nossa tendência a fazer julgamentos apressados (ou insuficientemente fundamentados) por atribuição ocorre quando somos motivados ou pressionados a decidir.

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Como Ajudar os Pobres a Pouparem um Pouco?

Pesquisadores da Universidade de Duke e do Banco Mundial realizaram um experimento no Quênia¹, entre 2013 e 2014, com o intuito de compreender que tipos de intervenções são mais eficazes, e menos dispendiosas, para ajudar a aumentar a taxa de poupança dos países mais pobres.

Eles testaram dois tipos de intervenções psicológicas, avaliando sua eficácia e comparando-as com incentivos financeiros, e concluíram que as intervenções foram não só mais eficazes como mais baratas do que os incentivos. Além disso, constataram que o envio regular de lembretes para poupar, assim como dos saldos em conta, aumentou a média de poupança em 100%.

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Pesquisa da FINRA Revela Vieses do Investidor?

A Pesquisa do Investidor de 2015 — um componente do Estudo Nacional de Capacidade Financeira, realizado pela Fundação FINRA em 2015 — fornece uma rica gama de informações adicionais sobre tópicos relacionados a investimento, que podem ser de interesse para pesquisadores, educadores, reguladores e outros profissionais relacionados de alguma forma ao setor financeiro.

As conclusões mostram que os investidores estão relativamente menos confiantes na capacidade dos reguladores para garantir a equidade nas negociações.  Ainda assim, parecem bastante otimistas em relação ao desempenho geral do mercado e ainda mais otimistas com o desempenho de sua própria carteira – visão que pode estar sujeita a alguns vieses já comentados aqui, como o Viés do Otimismo e a Falácia do Planejamento.

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Série CVM Comportamental – Viés do Crescimento Exponencial

O Viés do Crescimento Exponencial (em Inglês, Exponential Growth Bias) descreve a dificuldade de raciocinar em termos de juros compostos, o que pode nos levar a subestimar seus efeitos no longo prazo.

Isso acontece porque, dada a falta de familiaridade como o tipo de raciocínio matemático envolvido em seu cálculo, muitas pessoas calculam os juros compostos de modo linear, projetando retornos bem abaixo da realidade e, por isso, menosprezando a importância de poupar.

Por outro lado, esse viés pode fazer com que um tomador de empréstimo perca o controle sobre sua vida financeira, por exemplo, ao contrair uma dívida cujo valor a ser pago cresça mais rapidamente do que o esperado.

Outra consequência é que, além de projetar um crescimento inferior ao real para suas aplicações, subvalorizando os ganhos futuros e minimizando as vantagens de ter uma reserva, quem falha em visualizar o crescimento exponencial também tem dificuldade de compreender a importância do fator tempo para a poupança e o conceito de valor do dinheiro no tempo. Assim, esse indivíduo tende a adiar o momento de começar a poupar e, ao fazê-lo, possui preferência por investimentos de curto prazo.

No Brasil, é comum que o rendimento de determinados investimentos seja tributado a alíquotas que diminuem conforme o prazo da aplicação. Uma tributação mais favorável, aliada à escolha do produto de investimento adequado, pode gerar diferenças de rentabilidade que, mesmo pequenas à primeira vista, se tornam significativas no longo prazo, devido ao efeito dos juros compostos.

Em comparação, aquele que supera essa dificuldade se sentirá estimulado a poupar não apenas um valor superior, mas também por um período de tempo mais longo, maximizando seu retorno financeiro.

Embora os conhecimentos de matemática financeira sejam úteis para a tomada de decisões, atualmente existem diversas ferramentas disponíveis que auxiliam a projetar o saldo futuro dos investimentos ou a estimar o tempo necessário para amortizar uma dívida, sem a necessidade de efetuar cálculos complexos.

Por fim, para evitar o Viés do Crescimento Exponencial, é recomendável:

  • Utilizar simuladores, aplicativos e planilhas disponíveis na internet e no celular para observar o efeito dos juros compostos no longo prazo;
  • Compreender os benefícios de começar a poupar o mais cedo possível e deixar o valor aplicado pelo maior tempo que puder;
  • Aproveitar as oportunidades de ganhar juros e evitar pagá-los (por exemplo, quitando suas contas em dia);
  • Evitar atrasar o cartão de crédito ou pagar o mínimo por longos períodos, deixando os juros se acumularem mês a mês;
  • Caso seja realmente necessário contrair um empréstimo ou financiamento, procurar informar-se sobre o Custo Efetivo Total e negociá-lo para que seja o mínimo, assim como contratar pelo menor prazo possível;
  • Trocar as dívidas mais caras (com maior taxa de juros) por outras com menor taxa;
  • Ficar sempre atento aos contratos de empréstimo, em que normalmente se especifica o regime de juros vigentes, seu valor, periodicidade, forma de reajuste e demais informações relevantes;
  • Em caso de dificuldade, buscar a orientação de profissionais especializados ou de pessoas que tenham maior experiência e familiaridade com decisões financeiras.