Tag Archives: Tomada de Decisão

Caçadores de risco ou avessos ao risco?

Teorias convencionais de processo decisório financeiro presumem indivíduos racionais, totalmente informados e que objetivam avaliar os riscos de investimento pela volatilidade dos rendimentos. Tais modelos preveem que as pessoas investem uma fração positiva da sua riqueza no mercado de ações e diversificam a carteira de investimentos. Entretanto, a evidência empírica mostra que o comportamento financeiro real é difícil de explicar a partir de um modelo totalmente racional. As pessoas geralmente não estão confortáveis ​​com o risco e percebem as perdas como ´maiores do que os ganhos’.

Usando dados da ING International Survey (IIS), o artigo de Maria Ferreira “Cross-Country Differences in Risk Attitudes Towards Financial Investment[1] divulgou uma pesquisa sobre atitudes de risco financeiro de indivíduos em 15 países e identificou fatores relevantes que afetam a propensão a assumir riscos em investimentos. Os resultados apontam uma atitude de aversão ao risco em toda a amostra de aproximadamente 12.500 pessoas e sugerem que nem sempre se sustenta a teoria de que o desejo de aumentar os investimentos em produtos com maiores rendimentos é diretamente proporcional à disponibilidade de correr risco.

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Como dobrar as taxas de poupança!

Em 2018, o Behavioral Economics Guide focou em três assuntos de interesse crescente na Economia Comportamental: a imagem social como um preditor subjacente do comportamento humano; a efetividade e as consequências dos contratos de compromisso; e, o papel da falta de atenção nas decisões do consumidor.

Algumas aplicações de ideias acerca desses temas foram expostas nesse guia. Hoje falaremos sobre meios utilizados para incentivar a poupança e encorajar a população a manter esse hábito por tempo suficiente para atingir seus objetivos, uma vez que muitos começam, mas pouquíssimos conseguem atingir suas metas.

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E-mails informativos são capazes de aumentar a contribuição previdenciária?

A Mathematica Policy Research, em abril de 2017, publicou o estudo denominado “Using Behavioral Insights to Increase Retirement Savings”[1], que estudou formas de aumentar o nível de poupança para aposentadoria dos funcionários do Departamento de Trabalho dos Estados Unidos (DOL) com o uso de “insights” comportamentais.

Dado que, pelo plano de aposentadoria Thrift Savings Plan – TSP, o governo americano deposita o mesmo valor da contribuição mensal do servidor (benefício também conhecido como “matching”) em sua conta de aposentadoria individual até o limite de 5% do salário, é de se esperar que ele aproveite plenamente esta vantagem. Entretanto, em 2015 mais de 25% dos funcionários públicos do DOL contribuíram abaixo desse limite, o que abriu espaço para uma intervenção comportamental. Logo, a pesquisa procura entender se e-mails informativos são capazes de influenciar as pessoas a pouparem mais. Continue lendo

A Transmissão Social de Conhecimentos Financeiros

Na busca de soluções para problemas cotidianos, é comum recorrermos às pessoas à nossa volta que não são necessariamente especialistas. Especialmente quando o tema é finanças.

Partindo dessa premissa, um recente estudo tentou responder a seguinte questão: é válido buscar o conhecimento de pessoas leigas em um assunto (neste caso, finanças) antes de tomar uma decisão?

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As Intervenções Precisam Ser Personalizadas: Entrevista com o Dr. Werner DeBondt

O Dr. DeBondt é um dos pioneiros no campo das Finanças Comportamentais. É também Diretor e fundador da Richard H. Driehaus Center for Behavioral Finance na DePaul University, em Chicago, Estados Unidos.

Foi palestrante principal (keynote speaker) na 4ª Conferência de Ciências Comportamentais e Educação do Investidor¹, onde falou sobre Psicologia da Regulação.

Apresentamos a entrevista exclusiva que o Dr. DeBondt concedeu ao CVM Comportamental, assim como o link para sua palestra.

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Desconto Hiperbólico: mais vale um pássaro na mão?

É razoável que as pessoas prefiram antecipar as boas experiências e adiar as ruins. Quando se pensa em termos cronológicos, há quem prefira que os recebimentos sejam tão breves quanto possível e que os pagamentos não venham tão cedo.

A predisposição humana para privilegiar a gratificação imediata e para descontar um valor quando tem que adiar a satisfação são denominadas, respectivamente, Viés do Presente e Desconto Hiperbólico.

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