Tag Archives: Psicologia Econômica

Revolução informacional: os avanços tecnológicos afetaram a teoria econômica?

Paul Ormerod, em seu paper Economics[1], realiza uma breve crítica sobre os modelos macroeconômicos da escola dominante ou convencional (“mainstream”), apontando as falhas no pressuposto da racionalidade dos agentes econômicos e na hipótese de que as preferências são fixas no tempo. O autor começa citando como exemplo a crise europeia de 2010, durante a qual os modelos financeiros foram incapazes de prever e explicar o comportamento do ciclo econômico da época.

Os modelos “real business cycle” de Kydland e Prescott e os modelos DSGE (“Dynamic Stochastic General Equilibrium”) são mencionados como ferramentas populares ao redor do mundo, ainda que tenham falhado em prever os efeitos da crise financeira mundial de 2008. A essência desses modelos envolve um arcabouço matemático complexo e microfundamentos baseados na escolha ótima dos indivíduos entre lazer e trabalho. Continue lendo

Relatório “Educação financeira para além do conhecimento: estratégias de intervenção no comportamento de poupança”

A coordenação de estudos comportamentais da CVM (COP/CVM) publica o relatório “Educação financeira para além do conhecimento: estratégias de intervenção no comportamento de poupança”. O estudo representa o esforço da CVM para compreender os vieses e barreiras que podem afetar comportamentos financeiros, notadamente aqueles relativos à poupança, por meio de revisão bibliográfica. Também são descritas as intervenções encontradas na literatura científica que trabalharam com conceitos de ciências comportamentais para incentivar a formação de poupança e a tomada de decisões financeiras conscientes.

O relatório integra o projeto homônimo, o qual compreende a elaboração e validação de um ou mais produtos/materiais educacionais destinados à população de renda intermediária com potencial de poupança. Os produtos finais do projeto objetivarão estimular e apoiar a formação de reservas financeiras, assim como a promoção de decisões de investimento conscientes e bem informadas. O projeto também se caracteriza pela ampla utilização de “insights” provenientes das ciências comportamentais, sobretudo da psicologia, para que se busque uma efetiva mudança de comportamento financeiro dos usuários dos produtos educacionais a serem elaborados. Continue lendo

CVM Comportamental Vol. 3 – Vieses do Consumidor: Ilusão de Controle

Ilusão de controle (Illusion of control, em inglês) consiste em acreditar na própria capacidade de afetar eventos futuros, ainda que não se possua qualquer controle sobre eles.

Os pesquisadores Amos Tversky, Daniel Kahneman e David Hirshelifer afirmam que este viés pode ter origem nas necessidades humanas de conforto, segurança, proteção da autoestima e bem-estar emocional.

Continue lendo

Escolher o Momento Certo é Essencial no Nudge: Entrevista com a Drª Cäzilia Loibl

A Doutora Cäzilia Loibl é professora associada do Departamento de Ciências Humanas na Ohio State University e planejadora financeira certificada (CFP®). Ela já publicou trabalhos sobre Políticas Públicas, Economia Comportamental e Preferência do Consumidor e o foco de sua pesquisa é examinar as decisões financeiras ao longo da vida adulta.
Sua palestra na 4ª Conferência de Ciências Comportamentais e Educação do Investidor¹ foi intitulada Estimulando Famílias de Baixa Renda a Pouparem Regularmente, na qual explicou o que são “nudges”, descreveu seus principais tipos e discutiu alguns achados de suas pesquisas a respeito desse tipo de intervenção comportamental.
Apresentamos a entrevista exclusiva da Drª Loibl ao CVM Comportamental, assim como o link para sua palestra.

Continue lendo

CVM Comportamental Vol. 3 – Vieses do Consumidor: Efeito Halo

O Efeito Halo (halo effect, em inglês) é um viés cognitivo em que nossas primeiras impressões sobre determinadas características de uma pessoa influenciam nosso julgamento sobre outras características não necessariamente relacionadas.

Por exemplo, uma pessoa gentil pode nos parecer mais bela do que pareceria se fosse rude. É um atalho mental (heurística) que nosso cérebro utiliza para definir alguém em sua totalidade baseado em poucas informações disponíveis.

Continue lendo

As Intervenções Precisam Ser Personalizadas: Entrevista com o Dr. Werner DeBondt

O Dr. DeBondt é um dos pioneiros no campo das Finanças Comportamentais. É também Diretor e fundador da Richard H. Driehaus Center for Behavioral Finance na DePaul University, em Chicago, Estados Unidos.

Foi palestrante principal (keynote speaker) na 4ª Conferência de Ciências Comportamentais e Educação do Investidor¹, onde falou sobre Psicologia da Regulação.

Apresentamos a entrevista exclusiva que o Dr. DeBondt concedeu ao CVM Comportamental, assim como o link para sua palestra.

Continue lendo

Como Ajudar os Pobres a Pouparem um Pouco?

Pesquisadores da Universidade de Duke e do Banco Mundial realizaram um experimento no Quênia¹, entre 2013 e 2014, com o intuito de compreender que tipos de intervenções são mais eficazes, e menos dispendiosas, para ajudar a aumentar a taxa de poupança dos países mais pobres.

Eles testaram dois tipos de intervenções psicológicas, avaliando sua eficácia e comparando-as com incentivos financeiros, e concluíram que as intervenções foram não só mais eficazes como mais baratas do que os incentivos. Além disso, constataram que o envio regular de lembretes para poupar, assim como dos saldos em conta, aumentou a média de poupança em 100%.

Continue lendo