Tag Archives: Psicologia Econômica

O papel do autocontrole nas decisões econômicas das crianças

As crianças podem adquirir comportamentos econômicos e hábitos a partir da observação de outras pessoas ou a partir de suas próprias experiências. Buscando mostrar como o aumento do nível de autocontrole ou a indução de orientação de autorregulação podem afetar as decisões econômicas das crianças, as autoras Agata Trzcińska, Katarzyna Sekścińska e Dominika Maison publicaram, no inicio de agosto, o artigo The role of self-control and regulatory foci in money-saving behaviours among children¹. Elas estavam interessadas em saber ​​se a ativação mental de autocontrole não relacionado ao comportamento financeiro é suficiente para influenciar não só as decisões financeiras hipotéticas, mas também comportamentos econômicos.

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Aprendendo Rápido ou Devagar?

Em julho, recebemos um convite para assistir a uma palestra na PUC Rio com Terrance Odean, um dos autores do artigo Learning Fast or Slow¹. De forma lúdica, ele iniciou comparando as reações de Luke – personagem interpretado por Paul Newman em “Rebeldia Indomável”, que apesar de apanhar tanto não desiste – a dos investidores de day trade que mesmo perdendo dinheiro demoram a abandonar a prática.

 

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E-mails informativos são capazes de aumentar a contribuição previdenciária?

A Mathematica Policy Research, em abril de 2017, publicou o estudo denominado “Using Behavioral Insights to Increase Retirement Savings”[1], que estudou formas de aumentar o nível de poupança para aposentadoria dos funcionários do Departamento de Trabalho dos Estados Unidos (DOL) com o uso de “insights” comportamentais.

Dado que, pelo plano de aposentadoria Thrift Savings Plan – TSP, o governo americano deposita o mesmo valor da contribuição mensal do servidor (benefício também conhecido como “matching”) em sua conta de aposentadoria individual até o limite de 5% do salário, é de se esperar que ele aproveite plenamente esta vantagem. Entretanto, em 2015 mais de 25% dos funcionários públicos do DOL contribuíram abaixo desse limite, o que abriu espaço para uma intervenção comportamental. Logo, a pesquisa procura entender se e-mails informativos são capazes de influenciar as pessoas a pouparem mais. Continue lendo

Série CVM Comportamental – Vol. 3 – Vieses do Consumidor

Na introdução ao 1º volume desta série explicamos o que são heurísticas e vieses. Por sua importância na compreensão do conteúdo que apresentaremos a seguir, lembramos novamente esses conceitos:

As heurísticas são regras de bolso (ou atalhos mentais) que agilizam e simplificam a percepção e a avaliação das informações que recebemos. Por um lado, elas simplificam enormemente a tarefa de tomar decisões; mas, por outro, podem nos induzir a erros de percepção, avaliação e julgamento que escapam à racionalidade ou estão em desacordo com a teoria da estatística. Esses erros ocorrem de forma sistemática e previsível, em determinadas circunstâncias, e são chamados de vieses.

Nesse 3º volume, não apenas comentamos novos vieses, mas procuramos fazer isso sob a ótica do consumo consciente, mostrando em que sentido eles podem ser obstáculos entre a nossa intenção e as ações de adquirir produtos e serviços que efetivamente atendem nossas necessidades, sem comprometer nosso bem-estar financeiro e levando em conta aspectos de sustentabilidade.

Download: CVM Comportamental vol. 3

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Revolução informacional: os avanços tecnológicos afetaram a teoria econômica?

Paul Ormerod, em seu paper Economics[1], realiza uma breve crítica sobre os modelos macroeconômicos da escola dominante ou convencional (“mainstream”), apontando as falhas no pressuposto da racionalidade dos agentes econômicos e na hipótese de que as preferências são fixas no tempo. O autor começa citando como exemplo a crise europeia de 2010, durante a qual os modelos financeiros foram incapazes de prever e explicar o comportamento do ciclo econômico da época.

Os modelos “real business cycle” de Kydland e Prescott e os modelos DSGE (“Dynamic Stochastic General Equilibrium”) são mencionados como ferramentas populares ao redor do mundo, ainda que tenham falhado em prever os efeitos da crise financeira mundial de 2008. A essência desses modelos envolve um arcabouço matemático complexo e microfundamentos baseados na escolha ótima dos indivíduos entre lazer e trabalho. Continue lendo

Relatório “Educação financeira para além do conhecimento: estratégias de intervenção no comportamento de poupança”

O centro de estudos comportamentais e pesquisa da CVM (CECOP/CVM) publica o relatório “Educação financeira para além do conhecimento: estratégias de intervenção no comportamento de poupança”. O estudo representa o esforço da CVM para compreender os vieses e barreiras que podem afetar comportamentos financeiros, notadamente aqueles relativos à poupança, por meio de revisão bibliográfica. Também são descritas as intervenções encontradas na literatura científica que trabalharam com conceitos de ciências comportamentais para incentivar a formação de poupança e a tomada de decisões financeiras conscientes.

O relatório integra o projeto homônimo, o qual compreende a elaboração e validação de um ou mais produtos/materiais educacionais destinados à população de renda intermediária com potencial de poupança. Os produtos finais do projeto objetivarão estimular e apoiar a formação de reservas financeiras, assim como a promoção de decisões de investimento conscientes e bem informadas. O projeto também se caracteriza pela ampla utilização de “insights” provenientes das ciências comportamentais, sobretudo da psicologia, para que se busque uma efetiva mudança de comportamento financeiro dos usuários dos produtos educacionais a serem elaborados. Continue lendo

CVM Comportamental Vol. 3 – Vieses do Consumidor: Ilusão de Controle

Ilusão de controle (Illusion of control, em inglês) consiste em acreditar na própria capacidade de afetar eventos futuros, ainda que não se possua qualquer controle sobre eles.

Os pesquisadores Amos Tversky, Daniel Kahneman e David Hirshelifer afirmam que este viés pode ter origem nas necessidades humanas de conforto, segurança, proteção da autoestima e bem-estar emocional.

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