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A geração Y e o letramento financeiro: uma perspectiva global

O artigo[1] publicado por Lusardi e Oggero em maio de 2017 discute o papel crescente da geração Y (ou “millennials” em inglês) na economia. Em menos de dez anos espera-se que a força de trabalho seja composta majoritariamente por indivíduos nascidos entre a década de 80 e 90. Assim, os autores procuram entender o grau de maturidade dos “milenares” para a tomada de decisões financeiras a partir do seu nível de letramento financeiro.

A importância do letramento financeiro vem aumentando com a diminuição do Estado de Bem Estar Social, de forma que os indivíduos dependerão mais de si mesmos para sua seguridade financeira. Isso pode ser explicado pelo desejo de redução das despesas futuras dos governos nacionais com aposentadorias e pelo aumento da expectativa de vida, por exemplo. Por esses motivos, a educação financeira é importante para o investimento, poupança e consumo conscientes. Continue lendo

O Objetivo do Conhecimento Financeiro é nos Tornar mais Felizes: Entrevista com Annamaria Lusardi

Referência absoluta na área de Educação Financeira, a Drª Annamaria Lusardi dispensa apresentações, mas quem quiser saber um pouco mais sobre a biografia dessa importante pesquisadora pode consultar sua página no Global Financial Literacy Excellence Center (GFLEC) ou ler seus artigos disponíveis na internet.

Aproveitamos os eventos da semana de 5 a 9/12/2016 (IEC2016)¹ para entrevistar a professora e saber um pouco mais sobre o assunto.

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Fragilidade Financeira

Fragilidade financeira é um termo cunhado por Hyman Minsky para definir a vulnerabilidade de um determinado sistema financeiro a crises. Lusardi, Schneider e Tufano estudaram a fragilidade financeira do ponto de vista dos lares americanos, examinando sua capacidade para levantar fundos de emergência. A pesquisa avaliou a aptidão das famílias americanas para levantar dois mil dólares, dentro de 30 dias, e comparou-a com a das famílias de sete outros países industrializados.

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Existe um melhor momento para receber educação financeira?

No artigo intitulado “Why ‘Just in Time’ Financial Education Is Too LateAnnamaria Lusardi explica porque acredita que transmitir educação financeira somente no momento da tomada de decisão já é tarde demais.

Segundo a autora, o conceito de just In time (que traduzimos livremente como “na hora certa”) por si só já é problemático, pois ignora o valor intrínseco da educação.

Todo conhecimento não aplicado (não só o financeiro) vai se perdendo ao longo do tempo, porém isso não significa que se deva abdicar de transmitir qualquer saber não imediatamente aplicável, deixando para fazê-lo apenas no momento em que for necessário. Isso equivale a ignorar o potencial transformador da educação.

Em seu artigo, Lusardi chama atenção para o fato de que indivíduos que possuem conhecimentos financeiros têm maior propensão para poupar, planejar seu futuro e selecionar melhor seus investimentos. No entanto, ela defende que esses conhecimentos precisam ser adquiridos antes que eles tomem tais decisões, a fim de que possam influenciar positivamente o comportamento futuro.

Nesse sentido, ela cita como exemplo a importância de começar a poupar o mais cedo possível. Tal recomendação, que é evidente para quem compreende o efeito dos juros compostos no tempo, é inócua para quem não tem educação financeira. Trata-se de um conhecimento de base, que não possui “hora certa” para ser recebido.

Além disso, a autora alega que a maioria das decisões financeiras não é tomada no momento da compra ou negociação, mas é resultado de um conjunto de outras decisões tomadas antes, e que tentar transmitir educação financeira nesse momento já é tarde demais.

Quando alguém vai a um banco contratar um financiamento imobiliário, por exemplo, geralmente já decidiu que tipo de imóvel quer adquirir, como pretende pagar, etc. – mas, e se tais decisões estiverem mal embasadas?

Para evitar isso, é necessário que o conhecimento financeiro esteja disponível muito mais cedo, antes mesmo que a pessoa comece a sonhar com a compra do imóvel, possibilitando um processo de compra mais consciente e informado.

Considerando que tomamos decisões financeiras o tempo todo ao longo de nossa vida, mas que o peso de algumas sobre o nosso bem-estar é inegavelmente superior ao de outras, nos remetemos a outro post deste blog – Programados para a imprudência? – na tentativa de propor uma possível solução para a pergunta do título:

Oferecer uma educação oportuna, ou seja, ensinar os conceitos básicos o mais cedo possível e reforçá-los em momentos cruciais, quando a pessoa for tomar as decisões financeiras mais importantes.

Assim, ao invés de substituir a educação financeira, a metodologia just in time poderia ser usada para recuperar e reforçar os conhecimentos financeiros previamente adquiridos, ajudando as pessoas a tomarem melhores decisões financeiras.

Na 3ª Conferência de Educação Financeira e Comportamento do Investidor, a Drª Lusardi falará sobre a importância do letramento financeiro e a efetividade da educação financeira. O evento acontecerá no Rio de Janeiro, nos dias 7 e 8 de dezembro de 2015, com tradução simultânea para o português. As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas aqui.

IEC2015: Annamaria Lusardi

Annamaria Lusardi

LusardiAnnamaria Lusardi é umas das maiores autoridades mundiais em Educação Financeira e Alfabetização Financeira. Já recebeu inúmeros prêmios por suas pesquisas, entre os quais o Fidelity Pyramid Prize, um prêmio para os autores de pesquisas aplicadas que mais ajudaram a melhorar o bem-estar financeiro dos americanos ao longo da vida. Atualmente, dirige o Programme for International Student Assessment (PISA)’s Financial Literacy Expert Group e o OECD/International Network on Financial Education’s Research Committee.

A Drª. Lusardi é Ph.D. em Economia pela Universidade de Princeton e Denit Trust Chair of Economics and Accountancy na George Washington University School of Business (GWSB). Já lecionou na Dartmouth College e nas universidades de Princeton, Chicago Harris School of Public Policy, Chicago Booth School of Business e Columbia Business School. É fundadora e Diretora Acadêmica do GWSB’s Global Financial Literacy Excellence Center (GFLEC).

É possível ter acesso a seus artigos através de seu blog Financial Literacy and Ignorance e de suas contribuições para o Wall Street Journal.

A pesquisa mais recente da Coordenação de Estudos Comportamentais e Pesquisa da CVM, sobre educação financeira e traços de personalidade, foi baseada em um estudo realizado por Lusardi e Mitchell, em 18 países, sobre o grau de Educação Financeira da população.

Na IEC2015, a Drª Lusardi falará sobre a importância da alfabetização financeira e a efetividade da educação financeira. As inscrições estão abertas!