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Finanças são para Longo Prazo: Entrevista com Flore-Anne Messy

Flore-Anne Messy é chefe da Divisão para Assuntos Financeiros da OCDE e responsável pela Secretaria Executiva da INFE.

A INFE foi criada em 2008 para promover a cooperação internacional entre os elaboradores de políticas públicas e outros envolvidos em Educação Financeira ao redor do mundo. Atualmente congrega 240 instituições públicas de 110 países, servindo como plataforma para coletar dados sobre letramento financeiro, aplicar pesquisas, elaborar análises e desenvolver instrumentos de políticas públicas.

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Muitos Investidores Não Sabem a Quem Recorrer: Entrevista com Gerri Walsh

Gerri Walsh é Vice-Presidente Sênior de Educação para Investidores da FINRA e Presidente da FINRA Foundation, participou da criação da área de educação de investidores da CVM americana (SEC), da idealização da Semana dos Investidores, nos Estados Unidos, e da campanha “Get the Facts on Saving and Invest”, importantes marcos da história da Educação Financeira nos anos 90.

Ela nos concedeu uma entrevista durante a última Conferência de Ciências Comportamentais e Educação do Investidor, em dezembro de 2016.

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O Objetivo do Conhecimento Financeiro é nos Tornar mais Felizes: Entrevista com Annamaria Lusardi

Referência absoluta na área de Educação Financeira, a Drª Annamaria Lusardi dispensa apresentações, mas quem quiser saber um pouco mais sobre a biografia dessa importante pesquisadora pode consultar sua página no Global Financial Literacy Excellence Center (GFLEC) ou ler seus artigos disponíveis na internet.

Aproveitamos os eventos da semana de 5 a 9/12/2016 (IEC2016)¹ para entrevistar a professora e saber um pouco mais sobre o assunto.

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Qual o Futuro do Dinheiro? Entrevista com Bill Maurer

Qual o futuro do dinheiro? Será que a moeda física será substituída por meios de pagamento digitais? Para responder a essas e outras perguntas, convidamos o Dr. Bill Maurer para uma entrevista.

O Dr. Maurer é um antropólogo cultural que realiza pesquisas com foco nas infraestruturas tecnológicas e nas relações sociais de troca e de pagamento. Além disso, se interessa por formas emergentes, alternativas e experimentais de moeda, tecnologias de pagamento e suas implicações jurídicas.

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Como Ajudar os Pobres a Pouparem um Pouco?

Pesquisadores da Universidade de Duke e do Banco Mundial realizaram um experimento no Quênia¹, entre 2013 e 2014, com o intuito de compreender que tipos de intervenções são mais eficazes, e menos dispendiosas, para ajudar a aumentar a taxa de poupança dos países mais pobres.

Eles testaram dois tipos de intervenções psicológicas, avaliando sua eficácia e comparando-as com incentivos financeiros, e concluíram que as intervenções foram não só mais eficazes como mais baratas do que os incentivos. Além disso, constataram que o envio regular de lembretes para poupar, assim como dos saldos em conta, aumentou a média de poupança em 100%.

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4ª Conferência de Ciências Comportamentais e Educação do Investidor

Além dos habituais temas relacionados à educação do investidor e aos estudos comportamentais, os eventos da semana de 5 a 9 de dezembro deste ano tratarão também de novas tecnologias financeiras – conhecidas como Fintech – e incluem a comemoração dos 40 anos da Lei nº 6385/76, que criou a CVM.

Os eventos deste ano contam com a participação de renomados pesquisadores nacionais e internacionais, representantes de órgãos reguladores e autorreguladores, empresas e profissionais do mercado com atuação educacional relevante

Os encontros proporcionarão uma abordagem multidisciplinar, abrangendo campos da Psicologia, Economia, Antropologia e Educação, entre outros, assim como o debate sobre estratégias e políticas públicas inovadoras na área da educação financeira.

A programação deste ano está mais intensa, ocupando uma semana inteira, e compreenderá os seguintes eventos:

  • 2ª – Fintech Day
  • 3ª – Seminário de Pesquisas em Educação Financeira e Comportamento
  • 4ª (manhã) – 40º Aniversário da Comissão de Valores Mobiliários
  • 4ª (tarde) e 5ª – Conferência de Ciências Comportamentais e Educação do Investidor
  • 6ª – Seminário Regional sobre Novas Tendências em Educação Financeira

O programa completo, com os temas dos painéis e seus componentes, está disponível no site http://www.iecbrazil.com.br/, por meio do qual deve ser feita a inscrição do participante, indispensável para a entrada no evento.

Entre as novidades deste ano, além do Fintech Day, está o Seminário sobre pesquisas em Educação Financeira, como espaço para discussão mais aprofundada do tema, e a inclusão de um painel sobre Antropologia das Finanças na Conferência, que contará com a presença de autoridades mundiais em Antropologia do Dinheiro e das Finanças, como o Dr. Bill Maurer.

As palestras terão temas como “Nudges no Mercado Financeiro”, “Estimulando Famílias de Baixa Renda a Poupar Regularmente”, “Como a Publicidade Contribui para o Processo Decisório de Investimentos” e “Como os Reguladores de Valores Mobiliários dos Estados Unidos estão Direcionando os Investidores Vulneráveis”, entre vários outros.

O Dr. Werner DeBondt falará sobre a Psicologia da Regulação e um painel discutirá de que modo seria possível assegurar a adequação da recomendação de investimentos.

Será discutida a educação de investidores dos Estados Unidos, Canadá, Indonésia, Itália e Espanha, além de apresentado em mais detalhes – pela Drª Annamaria Lusardi – o resultado do estudo americano de capacidade financeira, já comentado aqui no blog.

Os eventos deste ano continuam gratuitos e acontecerão no Rio de Janeiro, no Windsor Atlântica Hotel, localizado na Avenida Atlântica, 1020, no bairro de Copacabana.

No entanto, a participação só estará garantida após a confirmação que enviaremos por e-mail, em data próxima à da realização dos eventos, uma vez que a quantidade de participantes está sujeita à lotação máxima do auditório.

Por isso, não perca tempo e faça logo sua inscrição!

Série CVM Comportamental – Viés do Crescimento Exponencial

O Viés do Crescimento Exponencial (em Inglês, Exponential Growth Bias) descreve a dificuldade de raciocinar em termos de juros compostos, o que pode nos levar a subestimar seus efeitos no longo prazo.

Isso acontece porque, dada a falta de familiaridade como o tipo de raciocínio matemático envolvido em seu cálculo, muitas pessoas calculam os juros compostos de modo linear, projetando retornos bem abaixo da realidade e, por isso, menosprezando a importância de poupar.

Por outro lado, esse viés pode fazer com que um tomador de empréstimo perca o controle sobre sua vida financeira, por exemplo, ao contrair uma dívida cujo valor a ser pago cresça mais rapidamente do que o esperado.

Outra consequência é que, além de projetar um crescimento inferior ao real para suas aplicações, subvalorizando os ganhos futuros e minimizando as vantagens de ter uma reserva, quem falha em visualizar o crescimento exponencial também tem dificuldade de compreender a importância do fator tempo para a poupança e o conceito de valor do dinheiro no tempo. Assim, esse indivíduo tende a adiar o momento de começar a poupar e, ao fazê-lo, possui preferência por investimentos de curto prazo.

No Brasil, é comum que o rendimento de determinados investimentos seja tributado a alíquotas que diminuem conforme o prazo da aplicação. Uma tributação mais favorável, aliada à escolha do produto de investimento adequado, pode gerar diferenças de rentabilidade que, mesmo pequenas à primeira vista, se tornam significativas no longo prazo, devido ao efeito dos juros compostos.

Em comparação, aquele que supera essa dificuldade se sentirá estimulado a poupar não apenas um valor superior, mas também por um período de tempo mais longo, maximizando seu retorno financeiro.

Embora os conhecimentos de matemática financeira sejam úteis para a tomada de decisões, atualmente existem diversas ferramentas disponíveis que auxiliam a projetar o saldo futuro dos investimentos ou a estimar o tempo necessário para amortizar uma dívida, sem a necessidade de efetuar cálculos complexos.

Por fim, para evitar o Viés do Crescimento Exponencial, é recomendável:

  • Utilizar simuladores, aplicativos e planilhas disponíveis na internet e no celular para observar o efeito dos juros compostos no longo prazo;
  • Compreender os benefícios de começar a poupar o mais cedo possível e deixar o valor aplicado pelo maior tempo que puder;
  • Aproveitar as oportunidades de ganhar juros e evitar pagá-los (por exemplo, quitando suas contas em dia);
  • Evitar atrasar o cartão de crédito ou pagar o mínimo por longos períodos, deixando os juros se acumularem mês a mês;
  • Caso seja realmente necessário contrair um empréstimo ou financiamento, procurar informar-se sobre o Custo Efetivo Total e negociá-lo para que seja o mínimo, assim como contratar pelo menor prazo possível;
  • Trocar as dívidas mais caras (com maior taxa de juros) por outras com menor taxa;
  • Ficar sempre atento aos contratos de empréstimo, em que normalmente se especifica o regime de juros vigentes, seu valor, periodicidade, forma de reajuste e demais informações relevantes;
  • Em caso de dificuldade, buscar a orientação de profissionais especializados ou de pessoas que tenham maior experiência e familiaridade com decisões financeiras.