Tag Archives: Comportamento financeiro

Revolução informacional: os avanços tecnológicos afetaram a teoria econômica?

Paul Ormerod, em seu paper Economics[1], realiza uma breve crítica sobre os modelos macroeconômicos da escola dominante ou convencional (“mainstream”), apontando as falhas no pressuposto da racionalidade dos agentes econômicos e na hipótese de que as preferências são fixas no tempo. O autor começa citando como exemplo a crise europeia de 2010, durante a qual os modelos financeiros foram incapazes de prever e explicar o comportamento do ciclo econômico da época.

Os modelos “real business cycle” de Kydland e Prescott e os modelos DSGE (“Dynamic Stochastic General Equilibrium”) são mencionados como ferramentas populares ao redor do mundo, ainda que tenham falhado em prever os efeitos da crise financeira mundial de 2008. A essência desses modelos envolve um arcabouço matemático complexo e microfundamentos baseados na escolha ótima dos indivíduos entre lazer e trabalho. Continue lendo

Finanças pessoais: aplicativos são mais eficientes que anotações no papel?

A Royal London realizou o estudo denominado “Looking after the pennies: A Royal London study into the impact of regular monitoring on household spending and saving”[1], entre julho e novembro de 2016. O objetivo do trabalho é testar o impacto do uso de meios de controle financeiro sobre o gerenciamento de sua vida financeira. Para isso, 411 cidadãos do Reino Unido que participaram da pesquisa foram convidados a registrar cada centavo gasto diariamente utilizando aplicativos de celular ou o simples método de anotação em papel.

No começo do estudo, os participantes responderam a um questionário para medir sua capacidade financeira. 93% dos respondentes disseram que é importante monitorar gastos domésticos e 84% afirmaram ter controle sobre suas finanças. No entanto, 30% possuíam problemas em manter em dia as contas de casa, e 31% não tinham nenhum tipo de planejamento de seu consumo, o que demonstra certo nível de contradição. Continue lendo

Relatório “Educação financeira para além do conhecimento: estratégias de intervenção no comportamento de poupança”

A coordenação de estudos comportamentais da CVM (COP/CVM) publica o relatório “Educação financeira para além do conhecimento: estratégias de intervenção no comportamento de poupança”. O estudo representa o esforço da CVM para compreender os vieses e barreiras que podem afetar comportamentos financeiros, notadamente aqueles relativos à poupança, por meio de revisão bibliográfica. Também são descritas as intervenções encontradas na literatura científica que trabalharam com conceitos de ciências comportamentais para incentivar a formação de poupança e a tomada de decisões financeiras conscientes.

O relatório integra o projeto homônimo, o qual compreende a elaboração e validação de um ou mais produtos/materiais educacionais destinados à população de renda intermediária com potencial de poupança. Os produtos finais do projeto objetivarão estimular e apoiar a formação de reservas financeiras, assim como a promoção de decisões de investimento conscientes e bem informadas. O projeto também se caracteriza pela ampla utilização de “insights” provenientes das ciências comportamentais, sobretudo da psicologia, para que se busque uma efetiva mudança de comportamento financeiro dos usuários dos produtos educacionais a serem elaborados. Continue lendo

A mudança protagonizada pelas startups é disruptiva: entrevista com Guilherme Horn

Guilherme Horn é um dos pioneiros de Fintech no Brasil. Criou a Ágora, um case de sucesso de Fintech na América Latina, vendida para o Bradesco em 2008. Depois disso lançou a Órama, eleita pela Amazon em 2013 a startup de Fintech mais inovadora do mundo. É editor do Finnovation e escreve a coluna “Seu bolso na era digital”, no Jornal Estado de São Paulo.

O empreendedor e investidor-anjo concedeu uma entrevista exclusiva ao CVM Educacional na qual menciona as startups como protagonistas de uma disrupção do mercado financeiro brasileiro, da mesma forma que vem ocorrendo em outros países.

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Por que é tão difícil para o consumidor dizer não?

Quando compramos algum produto, é comum que o vendedor ofereça seguros e acessórios, de que não necessariamente precisamos, em busca de aumentar sua comissão com a venda.

Com base nisso, a CVM australiana (ASIC) estudou as pessoas que contrataram seguros complementares ao adquirir veículos novos, a fim de compreender tanto as técnicas usadas pelos vendedores quanto a experiência de compra de tais produtos pelos consumidores.

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É Possível Desenviesar o Comportamento dos Apostadores?

Alguns pesquisadores acham que é possível “desenviesar” o comportamento dos apostadores por meio de uma técnica chamada de experiential learning (aprendizado experimental).

Um estudo do Banco Mundial testou a aplicação dessa técnica por meio de um jogo de dados simples, a fim de simular a dificuldade progressiva de tirar somente o número 6 à medida que mais dados iam sendo adicionados ao jogo.

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É Preciso Adequar a Educação Financeira a Diferentes Perfis: Entrevista com Mauricio Prado

Maurício Prado é Diretor Executivo da Plano CDE, consultoria que oferece soluções de pesquisa e inovação, focada especificamente nas classes C,D e E. Ele foi palestrante na 4ª Conferência de Ciências Comportamentais e Educação do Investidor¹, onde falou sobre “Segmentação de Serviços Financeiros para a Baixa Renda”.

Em recente pesquisa sobre o comportamento financeiro dessa parcela da população encontrou 3 diferentes perfis e defende que tanto os produtos e serviços quanto a comunicação e as estratégias de educação financeira sejam adaptados aos diferentes perfis no qual se divide esse público.

Apresentamos a entrevista exclusiva que ele concedeu ao CVM Comportamental, assim como o link para sua palestra.

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