Tag Archives: behavioraleconomics

Como uma cidade na Inglaterra fez com que moradores inadimplentes pagassem os tributos atrasados

Em abril de 2018, os autores Chris Larkin, Michael Sanders, Isabelle Andresen e Felicity Algate lançaram o artigo Testing Local Descriptive Norms and Salience of Enforcement Action: A Field Experiment to Increase Tax Collection¹. O trabalho trata de um experimento de campo realizado com a o auxílio da administração pública local do sudeste da Inglaterra. O objetivo do projeto era testar se é possível incentivar um aumento na taxa de pagamento a um tributo local, denominado “Council Tax²”, por meio de duas intervenções comportamentais realizadas via cartas-lembrete.

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CVM realiza 6ª Conferência de Ciências Comportamentais e Educação do Investidor

Também será promovido 3º Seminário Regional sobre Novas Tendências em Educação Financeira

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), em parceria com a B3 (Brasil, Bolsa, Balcão) e a Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais), promoverá o 3º Seminário Regional sobre Novas Tendências em Educação Financeira e a 6ª Conferência de Ciências Comportamentais e Educação do Investidor.

O Seminário será realizado nos dias 12 e 13/11 e contará com a participação de membros e especialistas da Rede Internacional de Educação Financeira da OECD (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que apoia a organização do evento, além da presença de representantes de ministérios da fazenda e educação, bancos centrais, autoridades de regulação, funcionários de governo, comunidade acadêmica, entre outros.

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Como levar em conta o envelhecimento cognitivo ao prestar serviços financeiros?

Por conta do processo de envelhecimento pelo qual passa a população do Reino Unido e buscando encorajar as empresas de serviços financeiros a melhor compreender como aprimorar seu atendimento aos consumidores mais velhos, o órgão regulador daquele país, Financial Conduct Authority (FCA), iniciou em 2016 o projeto “Ageing Population[1]. Um dos produtos do projeto é uma revisão de literatura destinada a fornecer uma visão geral do espectro de fatores cognitivos que podem afetar a forma com que os idosos lidam com serviços financeiros. A revisão apresenta os achados acadêmicos mais recentes sobre envelhecimento cognitivo e suas consequências para a prestação de serviços, sob a forma de tarefas simples e complexas, como pagamentos em dinheiro e em cartão, atendimento telefônico e em agências, monitoramento de contas, gerenciamento financeiro, “online banking”, entre outras. Continue lendo

E-mails informativos são capazes de aumentar a contribuição previdenciária?

A Mathematica Policy Research, em abril de 2017, publicou o estudo denominado “Using Behavioral Insights to Increase Retirement Savings”[1], que estudou formas de aumentar o nível de poupança para aposentadoria dos funcionários do Departamento de Trabalho dos Estados Unidos (DOL) com o uso de “insights” comportamentais.

Dado que, pelo plano de aposentadoria Thrift Savings Plan – TSP, o governo americano deposita o mesmo valor da contribuição mensal do servidor (benefício também conhecido como “matching”) em sua conta de aposentadoria individual até o limite de 5% do salário, é de se esperar que ele aproveite plenamente esta vantagem. Entretanto, em 2015 mais de 25% dos funcionários públicos do DOL contribuíram abaixo desse limite, o que abriu espaço para uma intervenção comportamental. Logo, a pesquisa procura entender se e-mails informativos são capazes de influenciar as pessoas a pouparem mais. Continue lendo

Série CVM Comportamental – Vol. 3 – Vieses do Consumidor

Na introdução ao 1º volume desta série explicamos o que são heurísticas e vieses. Por sua importância na compreensão do conteúdo que apresentaremos a seguir, lembramos novamente esses conceitos:

As heurísticas são regras de bolso (ou atalhos mentais) que agilizam e simplificam a percepção e a avaliação das informações que recebemos. Por um lado, elas simplificam enormemente a tarefa de tomar decisões; mas, por outro, podem nos induzir a erros de percepção, avaliação e julgamento que escapam à racionalidade ou estão em desacordo com a teoria da estatística. Esses erros ocorrem de forma sistemática e previsível, em determinadas circunstâncias, e são chamados de vieses.

Nesse 3º volume, não apenas comentamos novos vieses, mas procuramos fazer isso sob a ótica do consumo consciente, mostrando em que sentido eles podem ser obstáculos entre a nossa intenção e as ações de adquirir produtos e serviços que efetivamente atendem nossas necessidades, sem comprometer nosso bem-estar financeiro e levando em conta aspectos de sustentabilidade.

Download: CVM Comportamental vol. 3

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5ª Conferência de Ciências Comportamentais e Educação do Investidor

Além dos habituais temas relacionados a educação do investidor e estudos comportamentais, os eventos da semana de 6 a 14 de dezembro deste ano incluirão o Seminário Brasileiro de Sustentabilidade e Investimento e o Seminário Brasileiro sobre Fintech.

A 5ª Conferência de Ciências Comportamentais e Educação do Investidor e o 2º Seminário Regional sobre Novas Tendências em Educação Financeira, como habitualmente, contarão com a participação de renomados acadêmicos, pesquisadores nacionais e internacionais, bem como representantes de órgãos reguladores e autorreguladores, a fim de proporcionar uma abordagem multidisciplinar nos campos da psicologia, economia, antropologia, educação e outros, além de debater estratégias e políticas públicas inovadoras de educação financeira. Neste ano, serão discutidas também ferramentas financeiras para permitir o avanço do desenvolvimento sustentável no Brasil e novas tecnologias financeiras (Fintech).

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Revolução informacional: os avanços tecnológicos afetaram a teoria econômica?

Paul Ormerod, em seu paper Economics[1], realiza uma breve crítica sobre os modelos macroeconômicos da escola dominante ou convencional (“mainstream”), apontando as falhas no pressuposto da racionalidade dos agentes econômicos e na hipótese de que as preferências são fixas no tempo. O autor começa citando como exemplo a crise europeia de 2010, durante a qual os modelos financeiros foram incapazes de prever e explicar o comportamento do ciclo econômico da época.

Os modelos “real business cycle” de Kydland e Prescott e os modelos DSGE (“Dynamic Stochastic General Equilibrium”) são mencionados como ferramentas populares ao redor do mundo, ainda que tenham falhado em prever os efeitos da crise financeira mundial de 2008. A essência desses modelos envolve um arcabouço matemático complexo e microfundamentos baseados na escolha ótima dos indivíduos entre lazer e trabalho. Continue lendo