Estamos começando hoje a publicação de uma série de artigos semanais sobre vieses comportamentais, explicando o que é cada um, apresentando exemplos e fornecendo recomendações para evitá-los.

O primeiro da série é o viés conhecido como Lacunas de Empatia, muito importante quando se trata de tomada de decisões de investimento e bastante estudado por um dos maiores nomes da Psicologia Econômica, o Dr. George Loewenstein.

Assim, nossos leitores já podem ir se familiarizando com os assuntos a serem tratados na 3ª Conferência de Educação Financeira e Comportamento do Investidor, que acontecerá em 7 e 8/12, no Rio de Janeiro.

O viés comportamental conhecido como “lacunas de empatia quente-frio” (em Inglês, hot-cold empathy gaps) diz respeito ao fato de que nossa capacidade de interpretar os acontecimentos é profundamente dependente de nosso estado emocional.

Em outras palavras, quando estamos em um determinado estado, temos dificuldade de nos colocarmos no lugar de quem está em um estado diferente, incluindo nós mesmos. Por exemplo, quando estamos alegres não conseguimos nos lembrar do que sentimos quando estamos tristes, nem sentir a tristeza de outras pessoas.

Esse viés faz com que as pessoas subestimem a influência do próprio estado emocional no momento de tomar decisões, levando-as a se arrependerem de determinadas escolhas feitas no calor da emoção. As expressões “quente” e “frio” são relativas à intensidade das emoções, sendo o estado quente mais intenso do que o frio.

Quando estamos em estado frio, sem a presença de fortes emoções, podemos estabelecer, como limites aceitáveis para a oscilação de um determinado investimento, por exemplo, os patamares de até 20% de ganho e até 10% de perda.

No entanto, ao entrarmos em um estado quente – que pode ser provocado por eventos diversos, tais como o nascimento de um filho, a perda de um emprego ou qualquer outro emocionalmente relevante – podemos entrar em pânico e liquidar nosso investimento diante de uma perda inferior ao patamar que fixamos inicialmente, sabotando nossa estratégia.

Nesse caso, as soluções possíveis envolvem a atuação nos dois extremos. Por um lado,

podemos aproveitar os momentos em que estamos no estado frio para organizar nossos investimentos, de modo a evitar a autossabotagem nos momentos em que as emoções fiquem mais acaloradas.

Por outro lado, podemos tentar evitar que o estado quente seja despertado, no que diz respeito a decisões de investimento.

Algumas possíveis táticas seriam, por exemplo:

  • Programar operações para acontecerem de forma automática, como as aplicações e resgates, no caso de fundos, e as ordens do tipo stop gain e stop loss, no caso de ações, a fim de garantir que a operação siga os critérios preestabelecidos;
  • Estabelecer prazos de carência (48 horas, por exemplo), ou incluir propositalmente algum trâmite burocrático (como a assinatura de um documento), para que uma determinada decisão de investimento possa ter efeito, a fim de garantir que seja tomada em estado frio;
  • Fixar uma periodicidade mínima para acompanhamento do investimento, a fim de evitar o estresse provocado pelas oscilações diárias;
  • Antes de tomar qualquer decisão, perguntar a si mesmo se ela é consequência de uma análise racional do investimento, a fim de ter certeza de que não está se autossabotando; e
  • Adiar as decisões financeiras em momentos de crise ou de forte impacto emocional, a fim de proteger seus investimentos dos efeitos nocivos de tais situações.

3 thoughts on “Série Vieses Comportamentais – Lacunas de Empatia

  1. Muito bom o site, adorei a série! Vocês estão sendo meu principal meio de aprender mais sobre finanças comportamentais.
    Sou estudante de economia e sei que está corrente é um grande avanço para a economia.

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