A Aversão a Perda (loss aversion, em Inglês) é um viés comportamental que nos faz atribuir maior importância às perdas do que aos ganhos, nos induzindo frequentemente a correr mais riscos no intuito de tentar reparar eventuais prejuízos.

Alguns estudos sugerem que isso se dá porque, do ponto de vista psicológico, a dor da perda é sentida com muito mais intensidade do que o prazer com o ganho.

Essa assimetria na forma como as perdas e ganhos são sentidos nos leva também ao medo de desperdiçar boas oportunidades de investimento, nos deixando expostos a possíveis armadilhas disfarçadas de “oportunidades imperdíveis”.

Além disso, a Aversão a Perda pode fazer o investidor insistir em investimentos sem perspectiva futura de melhora, seja pelo medo da dor de realizar prejuízo, seja pela recusa em admitir eventuais erros na escolha da aplicação.

Outro efeito potencialmente prejudicial desse viés é fazer o investidor liquidar precipitadamente as posições lucrativas e ainda promissoras, por receio de perder o que já foi ganho.

Um exemplo simples de como esse viés se manifesta é o seguinte: imagine que em um jogo de “cara ou coroa”, em que a chance de perder ou ganhar é de 50%, alguém proponha a seguinte aposta: se você perder, paga mil reais, mas se ganhar recebe mil e quinhentos reais.

Se considerarmos apenas o ponto de vista do valor esperado, esse é um jogo que vale a pena jogar. Porém, alguns experimentos desse tipo mostraram que a maioria das pessoas não arriscaria perder mil reais pela idêntica probabilidade de ganhar mil e quinhentos.

A fim de evitar esse viés, é recomendável que o investidor:

  • Procure se informar e avaliar em que pontos seu comportamento financeiro se origina realmente de uma escolha racional ou apenas da tendência natural de aversão a perda;
  • Reavalie periodicamente seu portfólio. Para isso, imagine que seus investimentos tenham sido transformados em dinheiro e se pergunte em qual deles você investiria novamente, sob as condições atuais. Dependendo da resposta, pode ser o caso de liquidar alguma posição, mesmo que implique em realizar as perdas, partindo para alternativas mais promissoras, a fim de recuperar os eventuais prejuízos;
  • Evite conferir cotações com frequência excessiva, especialmente de investimentos de longo prazo, pois isso aumenta o grau de ansiedade e pode gerar uma falsa necessidade de tomar decisões a cada consulta;
  • Estabeleça uma estratégia de investimentos e tente manter-se nela, definindo os limites aceitáveis para prejuízos. Focar no processo, ao invés de se preocupar com o que está acontecendo no momento, diminui a possibilidade de tomar decisões precipitadas nos momentos em que notícias ruins estejam provocando pânico no mercado;
  • Antes de reforçar uma posição perdedora (novas compras destinadas a baixar o custo médio de aquisição), avalie se a decisão não surgiu pura e simplesmente de um desejo de recuperar ou de evitar prejuízos;
  • Diversifique seus investimentos, pois as aplicações lucrativas podem oferecer alívio para o sentimento de perda provocado pelas que derem prejuízo; e
  • Finalmente, evite tomar decisões financeiras sob pressão e desconfie de discursos do tipo “se não decidir agora, perderá uma oportunidade única”.

Referências Bibliográficas:

  1. Ferreira, Vera Rita de M. Psicologia Econômica – estudo sobre comportamento econômico e tomada de decisão. Rio de Janeiro: Campus/Elsevier, 2008.
  2. Kahneman, Daniel. Rápido e devagar: duas formas de pensar. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012.

 

2 thoughts on “Série Vieses Comportamentais – Aversão a Perda

  1. Muito interessante a série de artigos. De um modo geral, as pessoas tendem a achar que sabem mais do que realmente sabem. Tem um estudo que diz que o ser humano tem uma dificuldade imensa em dizer as palavras “eu não sei”. Neste sentido, tendem a buscar explicações para coisas que muitas vezes podem ser frutos do acaso. É preciso, então, que o investidor tenha um setup no qual confie de tal forma a evitar a autosabotagem em seus investimentos. De uma maneira geral, no mercado financeiro a razão jamais deve dar lugar à emoção.

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