O Efeito Avestruz (The Ostrich Effect, em Inglês) consiste na tendência a ignorar informações potencialmente ruins, a fim de evitar o desconforto psicológico decorrente.

Esse viés explica, por exemplo, o comportamento de quem reluta em verificar a fatura do cartão de crédito, por saber que exagerou nas compras, ou o do aluno que prefere não ver o resultado de uma prova que fez sem estudar.

Deixar de acompanhar os próprios investimentos quando estão com desempenho ruim ou postergar a abertura de notificações de contas em atraso também podem ser listados como exemplos de manifestação do Efeito Avestruz.

No primeiro caso, existe relação com o viés de aversão a perda¹, pois desconhecer o tamanho exato do prejuízo pode nos dar impressão de que estamos perdendo menos do que estimamos ou oferecer esperança de que nossa perda é inferior a dos outros.

Uma variante desse comportamento é abandonar de imediato uma notícia ruim, sem se aprofundar ou buscar informação adicional. Dessa forma, a qualidade da tomada de decisão sai prejudicada.

Principalmente quando mantido por um tempo prolongado, esse tipo de comportamento pode levar a situações financeiras de risco, como a perda de controle sobre as próprias finanças ou a prejuízos consideráveis nas aplicações, já que os problemas financeiros continuarão ali, por mais que se tente negá-los.

Ao se recusar a encarar possíveis problemas, normalmente acontece um efeito de bola de neve, em que os prejuízos se acumulam e as dificuldades se tornam mais difíceis de ser solucionadas, principalmente tendo em vista o efeito dos juros compostos.

Além disso, é recomendável que uma pessoa que possui um plano de aposentadoria permaneça atenta às previsões sobre cenários econômicos futuros, sejam eles favoráveis ou desfavoráveis, pois podem envolver eventos com impacto sobre sua vida financeira.

Nesse sentido, é essencial manter-se informado, a fim de se preparar para o futuro e evitar consequências indesejáveis, como para aproveitar as eventuais oportunidades de investimento que possam surgir em momentos de crise. Assim, qualquer que seja o prognóstico, bom ou ruim, a falta de informação é quase sempre prejudicial.

Para evitar o Efeito Avestruz, é recomendável que o poupador:

  • Permaneça atento às notícias relevantes, buscando se manter em alerta para as possíveis consequências – positivas e negativas – que elas possam ter em sua vida financeira, o que vai permitir um ajuste melhor aos novos cenários;
  • Caso exagere demais no consumo em um mês ou se endivide, reveja logo em seu orçamento que outro gasto pode ser reduzido ou cortado para compensar o valor extra despendido;
  • Se estourar a fatura do cartão de crédito ou entrar no cheque especial, defina como prioridade máxima resolver tal situação, a fim de reequilibrar suas finanças tão cedo quanto possível;
  • Caso não consiga poupar a quantia estabelecida em um determinado mês, tente poupar o que der e ir recompondo aos poucos suas aplicações;
  • Tenha em mente que em toda crise há também oportunidades, procurando enxergá-las, ao invés de focar em seu lado negativo;
  • Anote todos os seus gastos para evitar perder de vista sua real situação financeira, principalmente nos momento em que passar por reveses.

E você? Já passou por momentos em que preferiu não encarar de frente seus problemas financeiros? Tem alguma dica para enfrentar esse tipo de situação?

Conte para nós! Queremos saber sua opinião!

 

¹ Tratado no primeiro volume desta série, “Vieses do Investidor”.

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