Ao longo de 2015, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) conduziu estudos para a elaboração de uma norma regulamentadora do mercado de “equity crowdfunding” – um modelo de financiamento coletivo de empresas nascentes, em que a pessoa que contribui recebe como contrapartida o direito de participação nos resultados futuros, geralmente sob a forma de participação societária ou de títulos conversíveis em participação.

Nesse contexto, fizemos um levantamento das opiniões e preferências de alguns investidores sobre essa modalidade de investimento, cujo resultado apresentamos a seguir…

Dos 316 questionários enviados, a pessoas que já consultaram ou consultam habitualmente a CVM, obtivemos retorno de 114, além de 26 que responderam apenas às 4 primeiras perguntas.

Em primeiro lugar, é preciso destacar o perfil dos respondentes: a maioria é do sexo masculino, reside na região sudeste e possui menos de 45 anos, renda acima de 3 salários mínimos e grau de escolaridade superior. Portanto, além de ser uma amostra pequena, não pode ser considerada representativa da população em geral.

Cabe também chamar atenção para outro possível viés amostral, relativo ao fato de que os investidores que já conhecem o assunto, ou têm interesse nele, tendem a ter maior disposição para responder ao questionário – o que talvez possa explicar o fato de que 86% afirmaram ter intenção de investir.

Feitas tais ressalvas, as principais conclusões a que chegamos, a partir dessa pesquisa de opinião, foram que:

  • O setor de Tecnologia é o que atrai  maior interesse, com menções espontâneas também aos setores de Educação e Esporte/Lazer;
  • A maioria dos investidores (63%) estaria disposta a investir menos de R$ 5 mil em uma única oferta, sendo que 25% demonstraram interesse em investir apenas R$ 1 mil;
  • Muitos investidores (56%) esperam obter retorno em até 2 anos; e
  • No que se refere aos riscos, o de fraude é apontado em 1º lugar, quase no mesmo patamar que o de fracasso do negocio (em 2º), e o de falta de informação vem em 3º lugar.

Nesse cenário, a transparência das informações pode ser apontada como uma questão chave para os investidores, uma vez que os riscos mais temidos por eles talvez possam ser mitigados por meio de uma política eficaz de divulgação por parte dos empresários e das plataformas.

Outro ponto que chama atenção é que o prazo esperado de retorno muitas vezes pode ser incompatível com o tempo de maturação de vários dos empreendimentos propostos – o que novamente aponta para uma necessidade de informação, no sentido de tornar claro para o investidor o que ele pode esperar em termos de taxas e prazos de retorno.

O arquivo da pesquisa pode ser baixado por meio deste link: Relatório Pesquisa Crowdfunding CVM.

Recomendamos também a leitura do nosso post anterior sobre o assunto, com o resumo de um estudo sobre a legislação italiana de crowdfunding, que aponta os aspectos comportamentais ligados ao tema: O Regulador como Arquiteto de Escolhas.

Boa leitura!

4 thoughts on “O que Pensa o Investidor sobre Equity Crowdfunding?

    1. Obrigada Agostinho!

      O Programa TOP de formação de professores é organizado na CVM pela Coordenação de Educação Financeira (COE), em conjunto com várias instituições do Mercado, que formam o Comitê Consultivo de Educação. Este blog é desenvolvido pela Coordenação de Estudos Comportamentais e Pesquisa (COP). Porém, ambas fazem parte da Superintendência de Proteção e Orientação aos Investidores (SOI) e trabalham muitas vezes em conjunto para orientar os investidores.

      Provavelmente teremos novas turmas do Programa TOP – Derivativos este ano. Sugerimos que acompanhe este link: http://www.comitedeeducacao.cvm.gov.br/iniciativas/TopPremium.aspx

      Atenciosamente,
      Equipe COP.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *