A FINRA Investor Education Foundation, fundação americana dedicada à educação financeira, realizou uma pesquisa para entender quais os custos indiretos e os aspectos psicológicos relacionados às fraudes financeiras do ponto de vista das vítimas.

A pesquisa, intitulada “Non-Traditional Costs of Financial Fraud”, foi respondida por 600 americanos, a partir de 25 anos, de ambos os sexos, de diferentes perfis demográficos e vítimas de golpes, a respeito das consequências não financeiras do golpe sofrido.

Embora os respondentes tenham em comum o fato de terem sofrido algum tipo de prejuízo financeiro, o relatório apontou que a maioria declarou ao menos um dos seguintes efeitos não financeiros em grau elevado: stress (50%); ansiedade (44%); insônia (38%); perda da autoconfiança (38%); e depressão (35%).

As reações emocionais mais relatadas pelas vítimas foram sentimentos de raiva (74%), arrependimento (70%), desamparo (69%) e traição (68%). Além disso, 48% dos entrevistados recriminavam a si mesmos por terem caído em um golpe.

No que diz respeito às atitudes tomadas em relação ao ocorrido, apenas 35% levaram o fato às autoridades. Os motivos mais alegados para isso foram: “não faria diferença” (48%); “queria deixar para trás” (35%) e “tive vergonha” (29%), sendo que apenas 26% relataram não saber aonde reclamar.

Um dos dados mais curiosos da pesquisa é que os que mais relataram ter sofrido os efeitos não financeiros das fraudes foram aqueles para os quais os detalhes do que aconteceu eram mais confusos (29%). Embora 61% tenham respondido ter certeza de que haviam sofrido uma fraude, 28% relataram nunca ter compreendido exatamente o que aconteceu.

Perguntados sobre estarem confusos a respeito dos detalhes da fraude, chama atenção a diferença entre os sintomas nos dois grupos:

Sintoma SIM NÃO
Stress 69% 33%
Ansiedade 65% 27%
Insônia 63% 18%
Perda de Autoconfiança 62% 20%
Depressão 57% 20%

Uma das possíveis explicações para isso pode ser encontrada em um estudo anterior, realizado por Knutson e Samanez-Larkin (2014), que demonstrou que, ao contrário do se poderia supor, as vítimas de fraude não eram mais limitadas cognitivamente e nem possuíam uma maior propensão ao risco do que as não vítimas. No entanto, tinham uma dificuldade significativamente maior de controlar seus impulsos diante da promessa de ganhos vultosos.

Na pesquisa de 2015, a maior parte das vítimas tinha certeza de que havia sido fraudada, reconheceu que foi excessivamente crédula e sabia que a oferta era “boa demais para ser verdade”. Talvez, por esse motivo, a maioria tenha recriminado a si mesma pelo ocorrido, tanto que nem sequer reportou o fato às autoridades, o que pode ser um indício da consciência de ter perdido o controle emocional naquela situação.

Espera-se que futuros estudos envolvendo controle inibitório e regulação emocional possam não só desvendar os fatores psicológicos que tornam alguém mais suscetível a fraudes, mas ajudar a criar mecanismos para diminuir essa propensão.

4 thoughts on “Pesquisa da FINRA Analisa Aspectos Psicológicos das Fraudes Financeiras

  1. Oi Alex. Se existe, não temos conhecimento. Estamos preparando uma pesquisa em moldes semelhantes e divulgaremos aqui no blog e nos canais educacionais da CVM assim que ficar pronta.

  2. Muito interessante os números, e rebate muito bem a forma de agir das pessoas. Pois atualmente está se tornando comum cair em fraudes, e os sentimentos assim como as atitudes perante as fraudes acaba sendo os citados acima. Estão de parabéns por ter divulgado essas informações!

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