Duas características humanas podem atrapalhar enormemente a nossa vida financeira: a impaciência e a procrastinação. A impaciência nos atrapalha em situações cujos benefícios dependam de conseguirmos esperar. E a procrastinação nos prejudica em situações que exijam uma atitude imediata ou que piorem com o passar do tempo.

Por incrível que pareça, os impacientes também podem procrastinar, como mostra o artigo de Reuben, Sapienzab e Zingales, Procrastination and Impatience (2009).

No estudo relatado pelos autores, um grupo de alunos de pós-graduação em Negócios da Universidade de Chicago foi confrontado com a decisão de ter que escolher entre receber um determinado valor no presente ou recebê-lo em duas semanas, com um prêmio de 2% (ou maior, em alguns casos).

A “pegadinha” do experimento consistiu em entregar o valor em cheque e medir o tempo que os sujeitos levavam para descontá-lo. O resultado foi que a maioria não só preferiu receber o valor antecipado, mas demorou mais de duas semanas para descontar o cheque. Ou seja, poderia ter esperado e recebido o prêmio ou ter antecipado e se beneficiado de alguma forma. No entanto, não fez nem uma coisa nem outra.

Uma das explicações possíveis para esse tipo de comportamento é o chamado Viés do Presente:

“a tendência a atribuirmos maior valor a recompensas mais próximas do presente, em detrimento de nossas intenções futuras, ao compararmos situações envolvendo presente e futuro”

Por exemplo: ao ter que escolher o que vai comer amanhã, entre uma fruta e uma barra de chocolates, a maioria das pessoas costuma escolher a fruta (que representa sua intenção de comer o alimento mais saudável). No entanto, ao ser perguntada sobre o que escolheria para comer agora, a maioria costuma preferir a barra de chocolate.

Um dos maiores méritos do experimento foi comprovar, por meio de uma situação real, a correlação entre o viés do presente e a procrastinação. O que nos resta perguntar é: como fazer para conseguirmos tomar as atitudes que costumamos postergar?

Uma estratégia comum, por exemplo, é a programação de aplicações automáticas (permitidas em certos tipos de investimento) para nos obrigar a poupar sem esforço. É uma forma de inverter a situação e usar a procrastinação a nosso favor, já que a atitude, nesse caso, tem que ser tomada não mais para poupar, mas para deixar de fazê-lo.

Mais do que procurar uma resposta ou estratégia única, o mais importante é entender como os nossos vieses funcionam e usar a criatividade para revertê-los a nosso favor, transformando as fraquezas em vantagens que nos façam tomar melhores decisões financeiras.

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