A versão deste ano do Behavioral Economics Guide já está disponível para download.  Enquanto as edições passadas tratam da teoria (2014) e da prática (2015), o intuito desta (2016) é fornecer diferentes perspectivas e falar das mais recentes inovações no campo da Economia Comportamental.

Quem faz a introdução é Gerd Gigerenzer, psicólogo alemão que estuda o uso de heurísticas na tomada de decisões. O Guia traz ainda uma seção de perguntas e respostas com Richard Thaler e Varun Gauri, artigos e estudos de caso por autores de ciências comportamentais aplicadas, um glossário de conceitos de Economia Comportamental e listas atualizadas de eventos, cursos e publicações.

No artigo introdutório ao BE Guide 2016, Gigerenzer ensina que a heurística, ao contrário do que alguns pensam, não é produto de uma falha de processamento da mente humana, mas um recurso indispensável para enfrentar situações de incerteza.

No editorial, Alain Samson discute as perspectivas para o campo da Economia Comportamental, incluindo questões como: generalização e replicabilidade dos estudos; efetividade dos nudges  no longo prazo; aplicabilidade nas políticas públicas; redução de vieses; comportamento do consumidor e neurociência; e limites do nudging em finanças e regulação.

Na seção de perguntas e respostas com Richard Thaler, originalmente publicada em português, no Guia de Economia Comportamental e Experimental, o autor define a Economia Comportamental como “Economia baseada em evidências”, argumentando que se trata de uma disciplina com maior poder explicativo do que a Economia tradicional porque os modelos e os dados estão mais ajustados uns aos outros.

No que diz respeito às aplicações práticas da Ciências Comportamentais, Hollingworth e Barker afirmam que os especialistas estão pensando bem além de simples nudges e, para atingir uma mudança de comportamento que seja tanto efetiva quanto sustentável, começaram a seguir quatro regras de ouro:

  1. Encarar a intervenção como um problema comportamental: em outras palavras, já que a intenção de mudar nem sempre se traduz em uma mudança efetiva, o foco deve ser no comportamento, mais do que na atitude;
  2. Entender a importância do contexto: antes de tentar modificar um comportamento é necessário primeiro entendê-lo, assim como o ambiente e os fatores que podem influenciá-lo (estímulos, vieses e percepções);
  3. Compreender o impacto da intervenção de um ponto de vista amplo: ou seja, é preciso atentar para o fato de que seus efeitos podem extrapolar o comportamento que a ser mudado. Portanto, é preciso avaliar suas consequências em outros comportamentos (spillover effects); em outros locais (displacement effects); na permissividade da pessoa (licensing effects); e na tendência a compensar um comportamento com outro (compensating effects); e
  4. Mirar no longo prazo e na sustentabilidade da mudança: não basta a intervenção conseguir modificar o comportamento, é preciso torná-lo um hábito.

Segundo Hollingworth e Barker, as Ciências Comportamentais passaram da era da disseminação e compreensão para uma nova era de aplicação efetiva com foco em impacto, refinamento e modulação. Agora que a importância da área já está provada e consolidada, tem crescido a demanda para que sejam desenvolvidas melhores diretrizes no sentido de que sua utilização se torne mais efetiva e responsável.

O BE Guide deste ano ano traz ainda uma série de estudos de caso, incluindo uma aplicação do Modelo dos 4Ps de mudança comportamental nos funcionários do Google, a fim de incentivar a escolha de alimentos saudáveis.

Por fim, a edição 2016 do Guia traz ainda um glossário com 25 páginas de definições de conceitos básicos da Economia Comportamental e listas de programas de pós-graduação (ensinados na língua inglesa), eventos internacionais e periódicos da área (também em Inglês).

E você? Já leu o guia? Qual seção, artigo ou autor achou mais interessante? Qual gostaria de ver comentado em maior detalhe aqui no blog?

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