Quem está acostumado a acompanhar o mercado financeiro sabe que o comportamento dos investidores muitas vezes se desvia da lógica e da razão. Um exemplo disso é o famoso “comportamento de manada”, que frequentemente se vê no mercado de ações, quando investidores individuais, ao invés de analisarem o cenário econômico e a situação das empresas, tomando suas decisões de compra ou venda com base na razão, simplesmente resolvem agir impulsivamente, seguindo a multidão.

Esse tipo de conduta é fruto dos chamados vieses comportamentais. Ao longo de sua evolução, os seres humanos desenvolveram “regras de bolso” (também chamadas heurísticas) a fim de permitir a tomada de decisões em momentos de incerteza ou forte emoção, quando a capacidade de julgamento pode ficar comprometida.

O problema é que tais heurísticas, muito úteis para economizar tempo e energia com processamento cerebral na tomada de decisões rotineiras, podem levar a erros sistemáticos quando se trata de decisões complexas como, por exemplo, as relativas à alocação eficaz de recursos financeiros.

Os vieses comportamentais se dividem em dois tipos: cognitivos e emocionais. Os cognitivos referem-se a tendências a pensar ou agir de determinadas formas pré-definidas, que levam a desvios sistemáticos dos padrões de racionalidade e bom julgamento. Os emocionais são os que resultam na tomada de decisão com base em sentimentos e não em fatos. Como há certa sobreposição entre ambos, costuma-se chamá-los simplesmente de vieses comportamentais.

Para mostrar que todos estamos sujeitos a sofrer os efeitos dos vieses comportamentais, Cass Sunstein, autor do famoso livro “Nudge: o empurrão para a escolha certa”, conta como, mesmo sendo autor de livros sobre o assunto e de conhecer muito bem as armadilhas comportamentais a que estamos sujeitos, conseguiu incorrer em pelo menos três erros clássicos nesse sentido.

No artigo intitulado Why Do Investors Make Bad Choices?, ele relata que se apavorou com alguns “solavancos” do mercado de ações e, ainda que soubesse que sua estratégia de investimentos estava correta (investir em fundos de índices passivos e altamente diversificados), resolveu vender grande parte de suas cotas, sem dar ouvidos a seu colega Richard Thaler, coautor de “Nudge”, que não só o desaconselhou como avisou “releia seu próprio livro!”. O que aconteceu foi que o fundo cresceu 66% nos 3 anos seguintes e ele se arrependeu amargamente da decisão tomada por impulso.

Analisando o ocorrido, ele concluiu que o primeiro erro do qual foi vítima foi o conhecido como “viés da disponibilidade”. Esse viés é relativo ao fato de que algo importante, que tenha acontecido em um passado recente, costuma continuar cognitivamente disponível, fazendo com que as pessoas exagerem a probabilidade de aquilo acontecer novamente. No caso de Sustein, como o mercado havia entrado em colapso no ano de 2008, o medo de um novo colapso se fez muito presente, ainda que, do ponto de vista probabilístico, não fizesse sentido nenhum pensar em uma nova ocorrência tão cedo.

O segundo erro cometido pelo autor envolveu o viés conhecido como “aversão a perdas”, que diz respeito ao fato de as pessoas preferirem evitar perdas a obter ganhos, pois o sofrimento com a perda costuma ser sentido com muito mais intensidade do que o prazer com o ganho. Assim, como Sustein havia vivenciado o “crash de 2008”, além de estar com 2 filhos pequenos e mais um a caminho, deixou-se levar pelo medo da perda, por menos provável que fosse.

A questão da chance de ocorrer a catástrofe que ele esperava nos leva ao terceiro erro do autor: “negação da probabilidade”. Sua atenção estava tão focada no que aconteceria caso acontecesse o pior cenário que ele se esqueceu de analisar a probabilidade de esse pior cenário realmente acontecer.

Em adição a tais vieses, Sustein menciona ainda o “efeito disposição”, que leva as pessoas a venderem rápido demais as ações que estão em alta e demorarem demais a vender as que estão em baixa. Além do que, a maioria dos investidores – e nisso os homens são piores do que as mulheres – é excessivamente autoconfiante em relação ao seu próprio desempenho no que diz respeito a investimentos.

Por fim, o autor destaca que o melhor conselho sobre investimentos, aplicável à maioria das pessoas, é simplesmente: tenha um portfólio diversificado, formado na maior parte por fundos de índice de baixo custo e com maior peso em ações; invista mais à medida que obtiver novos recursos e siga diversificando da mesma forma; finalmente, mantenha com liquidez a parte que julgue necessária.

Acima de tudo, se suas emoções começarem a pressionar no sentido de grandes mudanças, simplesmente diga não.

13 thoughts on “O Que Faz Investidores Tomarem Decisões Ruins?

  1. Olá tudo bem,gostei muito do artigo sobre finanças,estou estudando este mercado há alguns meses,gostaria de receber mais dicas de vocês no meu email se possível,desde já obrigado

  2. Como já comentaram acima, o grande segredo é de fato não colocar todos os ovos na mesma cesta. Diversificar os investimentos é a chave para o sucesso.

  3. Eu já sofri muito, pensando que era uma investidora corajosa, quando na verdade, nem sempre o medo desde que seja controlado é algo ruim. Ele serve ao menos para deixar a gente com os pés no chão.
    É quase que um ”sinal de alerta”, e muitas vezes pelo fato de eu não ter me atentado para isso acabei fazendo maus investimentos.
    Ao menos serviu de aprendizado. Obrigado pelo belo artigo.

    1. Oi Augusto,

      No nosso material sobre vieses do investidor mencionamos algumas armadilhas comuns que fazem os investidores traírem a si mesmos na hora de tomar decisões. Vale a pena dar uma conferida: Vieses do Investidor

      Abs,
      Equipe COP/CVM

  4. Acredito que a psicologia influência muito, às vezes uma decisão precipitada ou equivocada é tomada sem uma análise profunda do investimento como um todo. E isso, consequentemente leva o investidor a tomar decisões ruins!

    1. Oi Adriano,

      No nosso material sobre vieses do investidor mencionamos algumas armadilhas comuns que fazem os investidores traírem a si mesmos na hora de tomar decisões. Vale a pena dar uma conferida: Vieses do Investidor

      Abs,
      Equipe COP/CVM

  5. A verdade que as pessoas que conseguem diversificar em tempos de crise com certeza se destacam, mantém seus negócios o que não acontece se você investir sem esse olhar pro futuro, conheço várias empresas que quebraram no último ano principalmente por não terem se atentado a detalhes como esse.

  6. Nunca coloque todos os ovos na mesma cesta investimento é algo sério, pois rumores fazem bolsas de valores caírem o ministro da fazenda taxa os juros com viés que possibilitam aumento que podem acabar com seus investimentos.

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