O comportamento financeiro dos millennials difere de outras gerações?

Pessoas nascidas após a década de 1980 até um pouco depois do novo milênio (embora não haja um consenso sobre a data exata) pertencem à chamada Geração Y, e podem ser denominadas também como millennials. Segundo um estudo realizado em 2018 nos Estados Unidos por Bolognesi, Hasler e Lusardi (2020a), millennials – definidos pelos autores como indivíduos com idades entre 18 e 37 anos, naquele ano – têm o potencial de moldar o futuro da economia americana pelos próximos 30 anos, a partir de suas decisões econômicas.

Utilizando dados obtidos pelo NFCS (National Financial Capability Study, Estudo Nacional de Capacidade Financeira, em tradução livre), pesquisadores analisaram millennials em comparação com adultos mais velhos (de 38 a 64 anos) em relação a seus comportamentos, conhecimentos e situação financeira, e seu gerenciamento de dinheiro e finanças quando comparados com jovens adultos da mesma faixa, mas em anos anteriores, como 2009, 2012 e 2015.

Os resultados da pesquisa encontraram que millennials possuem mais dívidas, como hipoteca e empréstimo estudantil e possuem comportamentos mais caros no gerenciamento do dinheiro que adultos mais velhos e jovens adultos da década anterior (referentes à tomada de crédito, por exemplo).

West e Friedline (2016) acrescentam que esses comportamentos são mais arriscados em millennials de baixa renda, pois estão mais propensos a adquirir dívidas e menos propensos a reunir recursos para alavancarem sua situação financeira. O cenário é ainda pior com a chegada da parentalidade: millennials com filhos relataram 17% a mais de probabilidade de ter dívidas mais altas que aqueles sem filhos.

Bolognesi, Hasler e Lusardi (2020a) descreveram, ainda, o público-alvo da pesquisa como menos provável a criar uma reserva de emergência que adultos mais velhos (embora mais prováveis que seus pares de 2009 – 41% versus 30%) e reportaram em grandes números a sensação de estresse e ansiedade com suas finanças pessoais (68%).

Essa sensação pode ser causada por muitos comportamentos que foram descritos como comuns entre os millennials. Entre eles estão o uso ingênuo de cartão de crédito, de serviços financeiros alternativos, como empréstimos salariais e lojas de penhores, o gasto mais alto que os ganhos, a falta de planejamento em longo prazo e falta de habilidade de lidar com um choque financeiro.

Esta população também demonstrou possuir baixo letramento financeiro. Ao responder três questões básicas sobre conceitos financeiros, apesar de uma taxa elevada acreditar ter um bom conhecimento, apenas 16% se mostraram letrados, mostrando um alto nível de autoconfiança entre os pesquisados.

Letramento financeiro de jovens adultos. Fonte: Bolognesi, Hasler e Lusardi, 2020a.

Os pesquisadores apontam a geração Y como a maior geração, em números populacionais, na história dos Estados Unidos. Descritos como educados e etnicamente diversos, eles passaram e passam por momentos financeiramente complexos, desde um período de expansão de produtos de investimentos, para mudanças no sistema de aposentadoria, enquanto cercados por abundantes tecnologias do consumidor.

Em acompanhamento da pesquisa aqui explorada, publicado pelos mesmos autores (Bolognesi, Hasler e Lusardi, 2020b), analisando os efeitos da crise em andamento do COVID-19 e comparando-o com a pesquisa de 2018, os pesquisadores afirmam que as dificuldades financeiras já apresentadas pelos millennials foram aprofundadas pelo efeito da pandemia, uma vez que eles representam grande parte da massa trabalhadora dos EUA.

Segundo os autores, em 2020, 21 dos 50 estados estadunidenses requerem que alunos do ensino médio tomem aulas de finanças pessoais. O aumento geral das expectativas de vida e mudanças, pelo mundo, nos sistemas de aposentadoria reflete a importância da educação financeira para jovens e seu melhor preparo para o futuro.

Desta forma, West e Friedline sugerem a educação financeira direcionada a millennials de baixa renda por meio de trabalhos sociais e de forma contínua, associando experiências práticas com educação formal. Bolognesi, Hasler e Lusardi (2020b) constatam, de forma similar, que programas de educação financeira direcionados às necessidades de determinadas populações-alvo, como é o caso dos millennials, podem melhorar o conhecimento financeiro e impactar seu comportamento, em relação ao seu bem-estar e segurança financeira. Isso é de suma importância, pois, como afirmam em sua pesquisa “A crise atual deixou bem claro o valor da resiliência financeira” (Bolognesi, Hasler e Lusardi, 2020b).

E você, leitor? Também percebe uma diferença no modo com as gerações lidam com o dinheiro?

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