O comportamento do investidor em cenários de crise

 

A crise do coronavírus tem impactado a economia de países do mundo todo. Diariamente lemos notícias que mostram sinais de instabilidade no cenário econômico de diversos países, inclusive do Brasil.

Nesse momento de incertezas, é comum que o investidor se sinta inseguro e ansioso, criando um quadro que favorece a tomada de decisões irrefletidas e impulsivas. Isso não é exclusivo de momentos de crise: neste blog, já discutimos em diversos posts que decisões financeiras podem não ser tomadas com base em argumentos racionais, e sim orientadas por vieses comportamentais que nem sempre conduzem ao melhor resultado. Neste post, pretendemos debater a tomada de decisão especificamente em cenários de crise. Listamos como os vieses comportamentais podem estar orientando as decisões dos investidores nesse contexto de instabilidade.

Ancoragem

A exposição frequente a notícias reportando crise, queda nas bolsas e instabilidade econômica pode levar o investidor a ancorar-se nesse cenário pessimista ao analisar sua carteira de investimentos.

Viés de confirmação

Tem sido comum que o investidor entre em contato com informações novas sobre o mercado e até contraditórias entre si. Trabalhar com a contradição exige muito esforço mental. Por isso, o investidor pode ter a tendência de ignorar informações novas e relevantes sobre o cenário econômico quando elas contradizem suas convicções.

Autoconfiança excessiva

O investidor pode superestimar suas estratégias e escolhas, acreditando que é mais capaz de controlar os eventos e riscos do que de fato é.

Aversão a perda

Somos mais impactados por perdas que por ganhos. Se temos um investimento em declínio, é muito comum nos recusarmos a aceitar sua perda e insistir nele pelo medo de ter prejuízos. Da mesma forma, podemos liquidar um investimento promissor, com receio que ele comece a apresentar quedas.

Falácia dos custos irrecuperáveis

Pode ser que alguns dos seus investimentos tenham apresentado uma queda, causando um prejuízo que não pode ser reavido. Mas aceitar essa perda irrecuperável previne que você tome atitudes precipitadas em busca de reverter a situação e se exponha a maiores prejuízos. Planeje seus novos investimentos baseado no que pretende ganhar e não no que já perdeu.

Lacunas de empatia

Muitas vezes subestimamos o impacto que nossas emoções têm em nossas decisões, inclusive as financeiras. Evite agir no calor do momento, espere um momento em que não se sinta tão emocionalmente impactado para tomar decisões, a fim de proteger seus investimentos.

E o que o investidor pode fazer diante desse cenário?

  • Evite tomar decisões baseado na emoção. Saiba diferenciar se suas decisões estão baseadas em argumentos lógicos e racionais ou na insegurança e no medo causados por esse momento.

 

  • Em cenários de crise, uma certa maleabilidade é desejável para, se necessário, revisar suas estratégias de investimento. Amenize os efeitos da autoconfiança excessiva e do viés de confirmação buscando informações confiáveis sobre sua carteira de investimento e permitindo-se revisar suas decisões financeiras se julgar necessário.

 

  • Busque informações específicas sobre sua carteira de investimentos. Informações generalizadas sobre a economia nem sempre refletem a situação específica de cada companhia. A CVM divulgou um ofício recomendando que as companhias abertas reportem os impactos do COVID-19 em seus negócios, esclarecendo os riscos e incertezas identificados nessa análise.

Essas informações podem se originar das seguintes fontes, dentre outras:

A notícia e o ofício estão disponíveis aqui. Lembrando que o ofício circular é uma recomendação ao mercado, não se constituindo uma obrigação das companhias.

 

  • Uma fonte adicional de informação é esta página da CVM, que tem divulgado notícias relacionadas ao coronavirus.

 

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