Nesta segunda parte do resumo dos encontros do Grupo de Estudos em Antropologia e Finanças – GEAF, descreveremos os temas abordados nas últimas três unidades, ocorridas em 2018.

4. A INFRAESTRUTURA, AS TEORIAS E AS TECNOLOGIAS DAS FINANÇAS

O livro de Zaloom aborda as mudanças ocorridas no final da década de 90 e que permaneceram vigentes na primeira década do século XXI, demonstrando como as novas tecnologias deflagram rearranjos organizacionais nos mercados de comercialização de mercadorias e futuros. As mudanças tecnológicas cambiaram o modo como os trabalhadores do mercado realizam suas trocas, substituindo o modelo “face-a-face” por componentes digitais, impessoais. Nesse sentido, o texto permitiu que as discussões do GEAF focassem no impacto das novas tecnologias no mercado financeiro e como estas novas configurações implicam em uma reinvenção das práticas consolidadas do mercado.

Bibliografia:

Zaloom, C. (2005). Out of the Pits: Traders and Technology from Chicago to London. Chicago: University of Chicago Press.

5. ENDIVIDAMENTO E POLÍTICAS GOVERNAMENTAIS

Os autores do livro chamam atenção de como as configurações locais imprimem sentidos diferenciados para as práticas de endividamento. Desse modo, as significações das dívidas não podem ser remetidas somente aos seus aspectos financeiros, pois deve-se levar em consideração os laços sociais gestados nas práticas cotidianas em torno do endividamento. Por exemplo, o empréstimo entre familiares pode ser visto como uma prática que diminui a utilidade ou o bem-estar individual do ponto de vista estritamente econômico, porém estabelece laços de reciprocidade ou de apoio mútuo.

Bibliografia:

Guérin, I; Morvant-Roux, S & Villarreal, M. (2013). Microfinance, debt and over- indebtedness: juggling with money. London: Routledge.

6. REGULAÇÃO E CRISES DO MERCADO

Com base nas análises de Appadurai, o grupo de estudos discutiu o funcionamento dos derivativos. Inspirado em uma pragmática da linguagem, o autor explora os efeitos performativos de linguagem nos usos dos derivativos, isto é, consequências que extrapolam simples significados e que funcionam como promessas em torno da commodity mais abstrata, o dinheiro. A característica mais evidente dos derivativos, portanto, parece ser a possibilidade de se criar promessas em cima de outras promessas, ocasionando um efeito “bola de neve” que permite a circulação monetária sem liquidez. Neste sentido, os derivativos incitam discussões a respeito das possibilidades e limitações da regulação do mercado financeiro para este tipo de ativo.

Bibliografia:

Appadurai, A. (2015). Banking on words: the failure of language in the age of derivative finance. Chicago: University of Chicago Press.

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