De onde veio e para onde vai a Economia Comportamental? Para responder a essa pergunta, Magda Osman examina as origens dessa ciência e seu parentesco com a Psicologia, partindo do princípio de que o futuro de ambas se move na mesma direção.

Em seu artigo intitulado Behavioral Economics: Where is it heading?, Osman analisa o conceito de Economia Comportamental, mostrando como ele variou ao longo do tempo, porém mantendo, como eixos centrais, a sólida fundamentação empírica da disciplina e o foco no estudo dos processos psicológicos.

Para mostrar como tudo começou, a autora destaca como pontos-chave a 2ª Guerra Mundial e as grandes crises econômicas. A 2ª Guerra, por ter demandado políticas públicas mais eficazes e diretamente orientadas aos problemas reais e imediatos, como a fome e a pobreza. As grandes crises, por terem posto em dúvida o modelo do ser humano como agente racional e maximizador de utilidade.

Nesse sentido, Osman cita a contribuição seminal de Herbert Simon, por ter apontado as limitações cognitivas do ser humano na tomada de decisões e desenvolvido a abordagem conhecida como Modelo da Racionalidade Limitada.

Ao invés de ver o tomador de decisões como um agente racional e maximizador de utilidade, Simon o descreve como alguém que não consegue ter uma compreensão completa do problema, nem acesso a todas as escolhas disponíveis e que nem sempre é capaz de maximizar a utilidade esperada.

De acordo com Osman, a história da Economia Comportamental, a partir de Simon, teria se ramificado em dois caminhos distintos: o da continuação de seu percurso, no sentido de transferir descobertas da Psicologia para a Economia (como os trabalhos de Akerloff, Roth, Shilling e Vernon Smith), e o caminho contrário, da importação de conceitos da Economia para a Psicologia (Kahneman).

No que se refere ao futuro, a autora defende que as novas tendências em Psicologia apontarão o caminho para o desenvolvimento da Economia Comportamental, que continuará em ascensão por pelo menos mais uma década, impulsionada pelo sucesso de “gurus” como Thaler e Sustein.

Outra previsão de Osman é que o modo como os dados de pesquisa são coletados irá sofrer importantes mudanças nos próximos 50 anos, especialmente no que diz respeito ao processamento de grandes conjuntos de dados (big data) e aos jogos online.

O primeiro, por possibilitar o rastreamento do comportamento financeiro de grupos populacionais extensos e por longos períodos de tempo. Os últimos, por permitir o monitoramento do desempenho cognitivo e social de amplas redes de usuários e, com isso, facilitar a realização de experimentos que envolvam interação entre pessoas e grupos.

A autora também prevê o aprofundamento da investigação das bases neurológicas e genéticas do comportamento econômico, pois chados nesses campos poderiamm não só ajudar a desvendar a estrutura neurológica por trás de determinados processos mentais, mas também a identificar eventuais vulnerabilidades e predisposições comportamentais.

Finalmente, Osman ressalta que o futuro da Economia Comportamental depende, em grande parte, de sua capacidade de se destacar da Psicologia e de se consolidar como uma disciplina específica, cujo foco é a compreensão do comportamento econômico, a fim de poder fornecer subsídios às instituições envolvidas com a economia.

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