A Royal London realizou o estudo denominado “Looking after the pennies: A Royal London study into the impact of regular monitoring on household spending and saving”[1], entre julho e novembro de 2016. O objetivo do trabalho é testar o impacto do uso de meios de controle financeiro sobre o gerenciamento de sua vida financeira. Para isso, 411 cidadãos do Reino Unido que participaram da pesquisa foram convidados a registrar cada centavo gasto diariamente utilizando aplicativos de celular ou o simples método de anotação em papel.

No começo do estudo, os participantes responderam a um questionário para medir sua capacidade financeira. 93% dos respondentes disseram que é importante monitorar gastos domésticos e 84% afirmaram ter controle sobre suas finanças. No entanto, 30% possuíam problemas em manter em dia as contas de casa, e 31% não tinham nenhum tipo de planejamento de seu consumo, o que demonstra certo nível de contradição.

Foi constatado que 49% dos participantes que utilizaram aplicativos ou controle em papel desenvolveram suas habilidades de monitoramento sobre seus gastos, enquanto 37% afirmaram ter um melhor entendimento sobre seus orçamentos. O que explica esse desenvolvimento é o fato de que a grande maioria apenas estimava seus fluxos de caixa antes de adotar as ferramentas. O fato de anotar cada centavo gasto, no papel ou no aplicativo, permitiu-lhes obter valores concretos de suas despesas.

Com as ferramentas, as pessoas passaram a identificar as áreas em que estavam gastando mais do que gostariam, como alimentação fora de casa, transporte e lazer. Os participantes também começaram a se dar conta de gastos que não estavam sendo considerados nas suas estimativas ou eram esquecidos, como pequenos agrados para os filhos, doações ou idas ao cabeleireiro. Alguns indivíduos perceberam padrões de consumo antes inconscientes, p.ex. gastar com supérfluos no dia do recebimento do salário, hábito que foi transferido para o final do mês para evitar estouro de orçamento.

O estudo também procurou entender se o uso de controle de gastos foi capaz de alterar o comportamento financeiro. Além de tornar os participantes mais atentos às próprias despesas, 26% deles disseram que se sentiram motivados a poupar e encontraram formas para tanto ao monitorarem seus orçamentos. Usar a bicicleta em vez do carro, fazer compras em supermercados mais econômicos em vez dos maiores, cancelar assinaturas esquecidas e evitar lazer fora de casa durante a semana antes do recebimento foram estratégias de poupança que os participantes passaram a adotar para ter sobra de salário de um mês para o seguinte. Entretanto, não foi encontrada evidência de que as ferramentas de orçamento os ajudaram a ficar em dia com as próprias contas.

Cada pessoa possui preferência por um tipo diferente de ferramenta de controle financeiro. Alguns preferem o aplicativo pelo fato de ser prático e por poder ser utilizado a qualquer hora do dia desde que estejam com o celular.

Um problema fundamental apontado pelos usuários dos aplicativos foram os “bugs” (problemas de experiência de uso) e a necessidade de se inserir os custos fixos na plataforma todo mês, ainda que eles não sofressem variações marginais. Uma das possíveis soluções para aprimorar a ferramenta eletrônica seria criar uma ligação direta entre ela e as contas bancárias dos usuários, o que tornaria possível observar as transações automaticamente em tempo real. Já existem no Brasil alguns aplicativos com essa funcionalidade. No entanto, após realizar algumas entrevistas sobre essa possibilidade, foi apontado que a grande maioria das pessoas se sentiu desconfortável em fornecer seus dados bancários para terceiros.

Os entrevistados foram divididos em dois grupos, os financeiramente estáveis e os vulneráveis, para identificar qual deles obteve mais benefícios com o controle financeiro. As métricas para a categorização foram os níveis de confiança, bem-estar e resiliência financeiras, além da situação financeira. As famílias mais vulneráveis declararam, em maior proporção, que passaram a ter mais capacidade de efetuar orçamento financeiro e monitorar gastos, além de recorrer menos ao cheque especial e a dívidas no cartão de crédito para cobrir falta de recursos.

Por demandar tempo e dedicação, é desafiador estimular os indivíduos a adotarem algum método de controle de gastos. No entanto, o estudo mostrou que as ferramentas de orçamento, ainda que utilizadas por apenas três meses, podem proporcionar benefícios reais principalmente para as famílias mais vulneráveis.

 

 

[1] Clique aqui para acessar o estudo original.

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