A OCDE divulgou no mês passado o relatório OCDE-INFE International Survey of Adult Financial Literacy Competencies, que reúne os resultados de um estudo sobre conhecimento, atitude e comportamento financeiro de 51.650 adultos, entre 18 e 79 anos, de 30 países¹.

Esse estudo é importante para comparar o grau de educação financeira do Brasil com o de outros países. Nesse sentido, ainda que os resultados tenham indicado que o grau de letramento financeiro é baixo no mundo inteiro, a pontuação do Brasil ficou 1,2 pontos percentuais abaixo da média mundial.

A medição do nível de letramento financeiro foi feita através de 21 perguntas, divididas em três áreas: conhecimento financeiro (7 questões), comportamento financeiro (9 questões) e atitude financeira (5 questões).

No quesito Conhecimento Financeiro, menos da metade dos adultos brasileiros conseguiu acertar a pontuação mínima desejada, de pelo menos 5 dos 7 itens apresentados.

Esse baixo resultado aponta uma falta de conhecimento em geral, que é ainda maior no que se refere a juros compostos, assunto no qual os brasileiros demonstraram menor conhecimento: apenas 30% acertaram uma questão sobre esse tema e somente 18% responderam corretamente uma pergunta que envolvia a combinação de juros simples e compostos.

No que se refere à diferença de gênero, apesar de o resultado global ter apontado que uma quantidade maior de homens (61%) atingiu a pontuação mínima em comparação com as mulheres (51%), no Brasil a diferença foi menor (52% contra 44%, respectivamente).

Ainda assim, o resultado chama atenção para a necessidade de ações direcionadas ao público feminino, muitas vezes responsável pela administração das finanças da família e pelas decisões de consumo.

Já no que diz respeito ao Comportamento Financeiro, 51% dos respondentes dos 30 países alcançaram o nível mínimo esperado (6 pontos em um total de 9), sendo que menos de 40% dos respondentes brasileiros atingiram esse limite.

A pesquisa revelou também que poucas famílias têm o hábito de elaborar um orçamento (43% dos respondentes, no caso do Brasil), sendo que somente metade tem metas de longo prazo. A maioria dos pesquisados não realiza pesquisa de preços antes de adquirir produtos financeiros e não costuma buscar aconselhamento financeiro.

Por último, na medição das Atitudes Financeiras, o resultado foi que apenas metade dos participantes atingiu a pontuação mínima, incluindo os brasileiros. Do ponto de vista qualitativo,

a análise das atitudes em relação a finanças concluiu que há uma tendência mundial ao imediatismo.

A lição que podemos tirar desses resultados é que – considerando a importância do conhecimento financeiro para a vida das pessoas, de todas as faixas de idade e renda – o baixo nível de letramento financeiro merece uma reflexão profunda e madura.

Como a pesquisa destaca, a educação financeira não envolve apenas a aquisição de conhecimento, mas tem que ser capaz de promover a mudança de atitude e de comportamento para que seja efetiva.

Portanto, dada sua complexidade, não existe resposta simples para o problema e é provável que uma única solução não seja suficiente, sendo preciso um esforço conjunto, no sentido de reunir várias ações, por parte de diferentes segmentos do governo e da sociedade, além da utilização de abordagens  adequadas a cada público, dependendo da necessidade.

E você? Já fez algum teste para medir seu grau de educação financeira? O que acha que governo e sociedade devem fazer para solucionar o problema?

Queremos saber sua opinião!

[1] África do Sul, Albânia, Áustria (OCDE), Belarus, Bélgica (OCDE), Brasil, Canadá (OCDE), Coreia do Sul (OCDE), Croácia, Estônia (OCDE), Finlândia (OCDE), França (OCDE), Geórgia, Hong Kong, Hungria (OCDE), Ilhas Virgens Britânicas, Jordânia, Letônia (OCDE), Lituânia, Malásia, Nova Zelândia (OCDE), Noruega (OCDE), Países Baixos (OCDE), Polônia (OCDE), Portugal (OCDE), Reino Unido (OCDE), República Checa (OCDE), Rússia, Tailândia e Turquia (OCDE).

2 thoughts on “Estudo da OCDE Compara Letramento Financeiro em 30 Países

  1. Para melhorar esta condição no país, devemos pensar em melhorar a educação.
    Somente conseguiremos uma mudança positiva, se houver investimento na educação. Não só investimento, mas, principlamente, respeito
    Para tanto, os governantes do país, “grandes entendidos”, deveriam incluir a educação financeira nas escolas. Iniciando este programa nas séries iniciais até as séries finais.
    Se queremos um país forte, precisamos de uma educação forte!
    Ângela Colossi

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