Ilusão de controle (Illusion of control, em inglês) consiste em acreditar na própria capacidade de afetar eventos futuros, ainda que não se possua qualquer controle sobre eles.

Os pesquisadores Amos Tversky, Daniel Kahneman e David Hirshelifer afirmam que este viés pode ter origem nas necessidades humanas de conforto, segurança, proteção da autoestima e bem-estar emocional.

A Ilusão de Controle se relaciona com outros vieses, como o Otimismo Exagerado, a Autoconfiança Excessiva e o Viés de Confirmação. Este último faz com que a pessoa interprete as informações e os acontecimentos de modo a confirmar suas próprias convicções. Desse modo, a autoconfiança e o otimismo são reforçados a ponto de achar que tem poder sobre os eventos futuros.

Um exemplo prático é quando a pessoa costuma dirigir embriagada e não sofre qualquer revés decorrente disso. Quanto mais ela incorre neste tipo de ação – que as estatísticas afirmam ser extremamente arriscada – e sai ilesa, mais começa a crer que tem mais sorte do que os outros, que dirige melhor, que é menos suscetível aos efeitos do álcool, que tem reflexos mais apurados, etc.

Assim, ao repetir determinada atitude, o indivíduo se sente encorajado a continuar tal ação e tende a generalizar a ilusão de controle para outros comportamentos, levando a uma exposição exagerada a vários prejuízos potenciais.

Um experimento realizado pela Australian Securities & Investment Commission (ASIC), órgão regulador do mercado de capitais australiano, descobriu que os indivíduos mais afetados pela Ilusão de Controle possuíam tendência a investir mais em produtos híbridos (hybrid securities). Por pagarem retornos fixos e misturarem características de ações e renda fixa, esses produtos provavelmente atraíam investidores interessados em maiores taxas de juros sem compreenderem os riscos adicionais. Os participantes do teste pensavam ter maior controle sobre os resultados dos produtos híbridos por serem fixos, porém subestimavam a chance de ocorrer um evento extraordinário que interrompesse o pagamento dos juros.

Consequentemente, as pessoas sujeitas a este viés tendem não só a se arriscar demasiadamente, mas também a se proteger insuficientemente. Isto porque elas pensam ter mais controle do que realmente possuem sobre as situações, além de acreditarem que, caso algo ruim aconteça, terão capacidade de resolver facilmente o problema.

Do ponto de vista do consumo, o viés motiva a pessoa ignorar as precauções usuais, como pesquisar sobre a empresa e o produto, comparar preços, negociar descontos, exigir garantias e fazer seguros, entre outras. Cabe lembrar que, como a pessoa geralmente não tem consciência de seu comportamento, é difícil convencê-la das possíveis implicações financeiras.

Por fim, há casos em que a Ilusão de Controle pode se manifestar apenas em uma determinada área ou em menor grau – o que provavelmente é o caso da maioria das pessoas. Ainda assim, é preciso ficar atento.

Para tanto, a fim de contornar este viés, é recomendável que o consumidor:

  • Tente medir sua habilidade de modo objetivo, comparando seus resultados obtidos e demais métricas com as de outras pessoas, a fim de ter uma noção mais realista da própria capacidade (tendo cuidado com o Viés de Confirmação);
  • Liste as decisões de consumo passadas que poderiam ter sido melhores se tomadas as precauções necessárias (pesquisa, comparação de preços, negociação, etc.);
  • Ouça opiniões de outras pessoas, principalmente as contrárias, e compare-as honestamente com as suas;
  • Evite tomar alguma decisão em momentos de fragilidade emocional, pois a necessidade de segurança emocional e proteção da autoestima poderão influenciar suas escolhas. Por exemplo, tome cuidado com decisões tomadas para “mostrar aos outros que está certo”;
  • Seja realista com as possibilidades de ganho em jogos de azar ou em loterias, pois os ganhos passados e a possibilidade de escolher números ou cartelas não influenciam as chances atuais de sucesso;
  • Da mesma forma, tome cuidado ao tomar novas decisões de investimento imediatamente após ter realizado lucro em uma aplicação. A sensação positiva de ganho pode gerar ilusão de controle ou excesso de autoconfiança; e
  • Similarmente, observe se a alegria de conseguir uma promoção ou desconto está motivando uma compra seguinte desnecessária ou impensada. Por exemplo, aceitar ofertas de acessórios ou seguros depois de adquirir um veículo com desconto.

E você? Lembra-se de algum episódio em que pensou ter capacidade de controlar as circunstâncias e as coisas acabaram não acontecendo do jeito que esperava? Isso lhe levou a correr mais riscos do que o necessário?

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