O Efeito Halo (halo effect, em inglês) é um viés cognitivo em que nossas primeiras impressões sobre determinadas características de uma pessoa influenciam nosso julgamento sobre outras características não necessariamente relacionadas.

Por exemplo, uma pessoa gentil pode nos parecer mais bela do que pareceria se fosse rude. É um atalho mental (heurística) que nosso cérebro utiliza para definir alguém em sua totalidade baseado em poucas informações disponíveis.

Esse viés se aplica também às nossas impressões sobre empresas, produtos e marcas, sendo particularmente explorado na área do marketing. Se a publicidade for bem sucedida em criar uma impressão positiva, é bem provável que ela se estenda ao produto por associação.

Outro exemplo é o uso de celebridades para promover um produto ou marca, pois são pessoas cuja beleza e/ou fama cria tamanho halo em torno delas que as torna especiais em todos os sentidos.

O Efeito Halo pode se estabelecer com uma força tal que a avaliação racional sobre a qualidade do produto é simplesmente ignorada. Isso pode acontecer pelo resultado da combinação desse efeito com o Viés de Confirmação, que é a tendência a interpretarmos as informações de modo a confirmar nossas próprias convicções.

O efeito também ocorre quando transportamos nossa experiência positiva com um produto para outro da mesma marca, mesmo que não tenhamos informação alguma sobre o último.

Para evitar o Efeito Halo, é importante que o consumidor:

  • Se conscientize de que nem todos os produtos de uma empresa são necessariamente bons e que é preciso analisar caso a caso;
  • Lembre-se que, por mais que um artista seja incrível, não significa que ele esteja capacitado para atestar a qualidade de um produto e nem que o mais adequado para ele seja também o melhor para outras pessoas;
  • Pesquise concorrentes que possam oferecer alternativas similares por menor preço, pois a aura que cerca uma marca famosa é resultado de um investimento em marketing que pode tornar o preço do produto excessivo em relação ao seu benefício;
  • Procure identificar quais características do produto são realmente importantes, a fim de concentrar seu julgamento nelas, ao invés de se restringir ao mostrado pela propaganda ou pelo vendedor;
  • Dê uma segunda chance para suas primeiras impressões, tanto boas quanto ruins. Analise a opção com maior detalhe antes de aceitá-la incondicionalmente ou descartá-la completamente;
  • Busque qualidade e boa relação custo x benefício em suas decisões de compra;
  • Lembre-se de que a reputação pode ser um bom indicador de qualidade, mas é preciso ficar atento a determinadas opiniões, como a das publicações especializadas, por exemplo, que podem se beneficiar da realização de críticas tendenciosamente positivas; e
  • Por fim, experimente e decida por si mesmo suas preferências, evitando julgar o conteúdo somente pela embalagem.

E você? Já comprou um produto por causa da embalagem? Já acreditou em uma pessoa por ser simpática? Conte para nós.

Aguardamos seu comentário!

One thought on “CVM Comportamental Vol. 3 – Vieses do Consumidor: Efeito Halo

  1. Por muito que estudos e conclusões de artigos, como o acima (Efeito Halo) sejam realizados e divulgados jamais vão contrabalançar o efeito danoso da propaganda. Propaganda enganosa, por sinal. Também omissa.
    Por esse motivo não sou um bom consumidor. Detesto a conversa irracional de vendedores que ao invés de responder meus questionamentos sobre o produto, ficam contando que é usado por pessoas famosas. ]
    Se a pessoa é famosa, geralmente é famosa em seu ramo de atividade. O que não a qualifica para opinar sobre qualidade de produtos.
    Mas esse tipo de propaganda irracional é bem aceito por pessoas irracionais.
    E os demais são obrigados a ouvir um calhamaço de asneiras quando se dispõem a adquirir o produto.

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