Embora seja comum encontrarmos diferenças significativas de rentabilidade para tipos similares de investimentos, tanto entre instituições financeiras quanto dentro de uma mesma instituição, muitos investidores não costumam comparar taxas, permanecendo longos períodos na mesma aplicação e deixando de ganhar maiores juros.

O que leva o investidor a esse comportamento? Dificuldade de acesso a informações? Exigências burocráticas? Falta de “timing”? Inércia?

A fim de desenvolver políticas públicas para estimular o mercado de poupança, o órgão regulador britânico – a Financial Conduct Authority (FCA) – conduziu um estudo para testar a eficácia de novas formas de divulgação, projetadas para ajudar os consumidores a identificarem os produtos financeiros mais adequados às suas necessidades e para incentivar a concorrência entre instituições.

O teste foi realizado em cinco empresas reguladas e envolveu cerca de 130 mil investidores que, ou estavam prestes a experimentar uma diminuição da sua taxa de juros, ou estavam poupando a uma taxa menor do que a disponível para produtos similares.

Três intervenções foram feitas, envolvendo o fornecimento de: informações sobre produtos equivalentes que rendiam taxas superiores; um formulário previamente preenchido, que simplificava a mudança de aplicação; e um lembrete sobre a diminuição da taxa.

O estudo concluiu que informações “de primeira página” sobre taxas mais elevadas levaram a um aumento na mudança de aplicação, de 3% para 6% dos investidores, enquanto outros tipos de divulgação não surtiram muito efeito.

Em outra amostra, com consumidores diferentes, o formulário pré-preenchido aumentou a troca de investimento de 3% para 12%. Já os lembretes, especialmente aqueles enviados perto de uma data de redução de taxa, levaram a um aumento na troca, da ordem de 8 pontos percentuais − comparável aos efeitos do formulário, embora partindo de um ponto mais alto da linha de base.

O resultado do estudo mostrou que

todas as intervenções provocaram aumento na transferência para outra aplicação dentro do mesmo banco, mas não foram suficientes para estimular a mudança para produtos bancários oferecidos por outras instituições financeiras, ainda que com taxas mais atrativas.

Segundo o relatório da FCA, apesar de a troca dentro do mesmo banco ter levado, em média, apenas 15 minutos, e de os ganhos com a mudança não serem desprezíveis – 127 libras no primeiro ano, em média – ainda assim a atenção que o consumidor deu à comunicação foi limitada. Isso poderia explicar o modesto impacto das novas formas de divulgação testadas.

Por outro lado, há também o fator relacionado à quantia aplicada. Quando estão em jogo valores baixos, em que a diferença de taxa representa pouco ganho em termos absolutos, o investidor pode se sentir menos estimulado a trocar de instituição.

É provável que mais de um fator contribua para a dificuldade de mudar, sendo necessária uma avaliação conjunta de tudo o que pode contribuir para a tomada de decisão do investidor, incluindo o relacionamento com funcionários do banco, a disponibilidade de agências e caixas, a facilidade de uso dos sistemas e a isenção de tarifas, entre outros fatores.

Além disso, é preciso lembrar que muitas vezes a decisão não é puramente financeira – tendo componentes financeiros (como tarifas, taxas e impostos) e não financeiros (como conveniência e confiança), que compõem um “custo global” nem sempre objetivo.

Embora a maneira pela qual cada investidor precifique os fatores não financeiros possa variar enormemente, o papel do regulador é conscientizá-los da importância de avaliar tais fatores de modo racional e de fazer reavaliações periódicas para ter certeza de que o que foi decidido em um dado momento continua valendo a pena.

Por outro lado, é preciso também garantir que as informações necessárias sobre os produtos financeiros (taxas, custos, riscos, etc.) estejam facilmente disponíveis para os investidores, em linguagem simples e clara, permitindo-lhes tomar decisões informadas.

E você? Costuma acompanhar o mercado em busca de melhores oportunidades de investimento? Costuma trocar de aplicação quando as encontra? Chega a mudar de instituição ou compara produtos apenas nas que já tem relacionamento? O que mais dificulta a mudança?

Queremos saber sua opinião!

2 thoughts on “Como Estimular o Investidor a Comparar Produtos e Taxas?

  1. Aqui no Brasil uma razão para não mudar de aplicação é a estrutura de alíquotas variáveis do Imposto de Renda na fonte sobre o rendimento das aplicações financeiras.

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