Em 2017 a área de empoderamento financeiro do CFPB (órgão norte-americano de proteção ao consumidor financeiro) publicou um relatório[1] com a iniciativa de equalizar as métricas de avaliação dos diferentes programas existentes de empoderamento financeiro[2] e de capacitação financeira.

O relatório estabelece uma lista com recomendações de resultados desejáveis (“outcomes”) para informar aos prestadores de serviços sobre os benefícios de integrar iniciativas de empoderamento financeiro aos seus programas, disponibilizar um conjunto comum de métricas de empoderamento financeiro, além de promover a consistência entre diferentes iniciativas criando uma estrutura única de resultados desejáveis (“framework”) e uma linguagem comum.

Uma das etapas para a elaboração do “framework” unificado foi revisão de literatura. O CFPB observou que os programas do governo e os de organizações não governamentais sem fins lucrativos avaliavam diferentes resultados. Enquanto programas públicos empregavam medidas relacionadas a emprego e renda, aqueles promovidos por ONGs acompanhavam indicadores de comportamento financeiro.

O CFPB também promoveu um fórum para discutir medidas de resultados financeiros. Nessa etapa, os resultados mais mencionados foram: ter uma reserva de emergência, poupar regularmente, pagar contas regularmente e gastar menos que as próprias receitas, além de indicadores de comportamento financeiro e atitude.

Assim, o “framework” unificado proposto pelo CFPB elege comportamentos ligados ao gerenciamento das finanças pessoais como foco para avaliar os resultados e o sucesso de programas de empoderamento financeiro. O principal motivo da escolha é o caráter rotineiro de tais comportamentos, por exemplo, pagar contas regularmente. Por outro lado, medidas como total de dívidas existentes podem não retratar bem a saúde financeira de um indivíduo, pois o endividamento pode tanto ocorrer em busca de um objetivo (como a casa própria) como por descontrole financeiro.

O “framework” do CFPB lista cinco categorias de resultados básicos, para os quais os programas poderão determinar suas próprias métricas:

  1. Planejamento e definição de metas. Medidas que busquem entender o posicionamento do individuo frente aos seus objetivos financeiros são importantes, pois planejar e estabelecer metas costumam ser os primeiros passos para se tomar as rédeas da própria vida financeira.
  2. Poupança. Avaliar o comportamento de poupança é relevante porque este está relacionado à capacidade de lidar com choques financeiros e atingir objetivos.
  3. Pagamento de contas. Os hábitos de pagamento de contas são importantes indicadores de habilidade de gerenciamento de recursos financeiros.
  4. Perfil de crédito. O histórico de crédito e métricas para avaliar os comportamentos correspondentes (p.ex., conhecer ou buscar saber o próprio histórico de crédito) são informações importantes para avaliar a capacidade de atingir objetivos financeiros, como comprar um carro ou uma casa.
  5. Bem-estar financeiro. O CFPB desenvolveu uma escala para mensurar o bem-estar financeiro com dez itens e que utiliza a noção individual de sucesso (e seus fatores como confiança e satisfação) a partir das preferências e objetivos pessoais[3].

O CFPB defende que o bem-estar financeiro deve ser o objetivo final de qualquer esforço de educação, capacitação ou empoderamento financeiro. A definição de bem-estar financeiro enquadra:

  • Seguridade financeira no presente e no futuro: ter as próprias finanças sobre controle e possuir uma reserva de emergência
  • Liberdade financeira de escolha no presente e no futuro: ter a possibilidade de fazer escolhas para aproveitar a vida (ex: almoçar num restaurante mais caro, sair de férias), além de possuir objetivos financeiros e estar no caminho para alcançá-los.

A partir desse conjunto proposto de resultados básicos, o CFPB ressalta a importância de estabelecer critérios na hora de escolher os “outcomes” a serem trabalhados pelos programas educacionais, além de levar em conta os objetivos dos programas ao desenvolver as métricas correspondentes.

 

 

 

 
[1]Para acessar o artigo original clique aqui.

[2] O “empoderamento financeiro” se refere ao uso do conhecimento e habilidade para gerenciar recursos financeiros para ativa e efetivamente controlar as próprias finanças.

[3] A escala de bem-estar financeiro do CFPB foi comentada anteriormente no blog, cujo artigo pode ser acessado aqui.

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