Na busca de soluções para problemas cotidianos, é comum recorrermos às pessoas à nossa volta que não são necessariamente especialistas. Especialmente quando o tema é finanças.

Partindo dessa premissa, um recente estudo tentou responder a seguinte questão: é válido buscar o conhecimento de pessoas leigas em um assunto (neste caso, finanças) antes de tomar uma decisão?

A fim de testar até que ponto a interação com outras pessoas influencia nossas decisões, seja positiva ou negativamente, os pesquisadores fizeram perguntas sobre juros compostos em dois momentos: no primeiro, os participantes respondiam sozinhos. Já no segundo, eles discutiam o assunto com um parceiro selecionado aleatoriamente.

Durante o estudo, os participantes foram divididos em três grupos:

  1. Comunicação. Os indivíduos desse grupo conversaram em pares após terem tomado algumas decisões, mas antes de tomarem outras, e sem terem recebido instrução sobre educação financeira.
  2. Comunicação com educação. Nesse grupo, apenas um dos membros da dupla recebeu instrução sobre educação financeira antes de conversar com o outro.
  3. Solitários. Serviu como grupo de controle. Seus integrantes só puderam conversar com seus parceiros após terem tomado todas as decisões. Não recebeu educação financeira.

Ao analisar como os participantes reagem após terem conversado com um parceiro que recebeu educação financeira, é possível determinar se a pessoa realmente aprendeu, ou seja, se consegue aplicar o conhecimento em situações novas e transmitir seus novos conhecimentos para um leigo em vez de simplesmente replicar o que aprenderam sem pensar.

Para medir a qualidade da tomada de decisão, os pesquisadores apresentaram as perguntas em dois formatos: complexo e simples. Na situação ideal, o participante respondia às duas perguntas da mesma maneira, pois uma divergência entre as respostas apontaria uma possível falta de habilidade em escolher o que a pessoa realmente desejava para si.

Ao comparar os indivíduos do grupo Comunicação com Solitários, foi possível captar uma melhoria na competência financeira (capacidade de tomar decisões) dos indivíduos que conversaram com um parceiro.

No entanto, a comparação entre Comunicação e Comunicação com educação mostrou que o indivíduo que não recebeu intervenção educacional, após ter contato com um parceiro que recebeu, melhorou sua capacidade de tomar decisão na mesma medida que o indivíduo do grupo Comunicação.  Ou seja, o indivíduo que recebeu educação financeira se tornou mais competente financeiramente (em comparação aos que não receberam), mas não foi capaz de transmiti-la.

Além disso, o estudo utiliza análises que permitem identificar se os indivíduos estão realmente aprendendo uns com os outros, ou se estão apenas seguindo cegamente o que o outro diz.

Ao comparar as escolhas dos indivíduos em Comunicação com Solitários, percebeu-se que os indivíduos do primeiro grupo, de fato, fizeram escolhas baseados nas suas preferências. Ao conversarem entre si sem a influência da educação financeira, os indivíduos melhoraram sua tomada de decisão a partir do que os autores chamaram de aprendizagem conceitual.

Entretanto, para os indivíduos que conversaram com um parceiro que recebeu educação financeira, a aprendizagem conceitual cumpre um papel um pouco menor na tomada de decisão. O estudo aponta que os indivíduos leigos fizeram suas escolhas seguindo as recomendações do parceiro (que não eram necessariamente o melhor para si). Assim, os indivíduos que receberam educação não conseguiram melhorar a compreensão conceitual da sua contraparte.

Em síntese, o estudo concluiu que a comunicação entre leigos não era um caso de “cego guiando cego”, e sim de interação entre indivíduos com mesmo nível de compreensão permitindo que as decisões fossem tomadas com mais qualidade, baseadas na aprendizagem conceitual.

Os autores propõem uma possível explicação para esse fenômeno: os indivíduos com mesmo nível de compreensão financeira são capazes de conduzir uma conversa que aborde dúvidas comuns e de forma que ambos se entendam.

E você? Costuma buscar ajuda de pessoas conhecidas quando o assunto é finanças? O que acontece ao discutir assuntos financeiros com alguém que tem o mesmo nível de conhecimento que você? E com uma pessoa que possui maior conhecimento sobre o assunto?

Aguardamos seu comentário!

4 thoughts on “A Transmissão Social de Conhecimentos Financeiros

  1. Consulto pessoas que saibam mais que eu e que possam me orientar de uma forma mais segura. Mas estou sempre buscando o aprendizado para tomar minhas decisões de investimento de forma autonoma e confiante.

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