Grupo de Estudos de Antropologia das Finanças (parte 1)

O Centro Educacional CVM-OCDE de Letramento Financeiro para América Latina e Caribe em parceria com o Núcleo de Pesquisas em Cultura e Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (NuCEC-UFRJ) organizou, nos últimos seis meses, o Grupo de Estudos de Antropologia das Finanças (GEAF). Versando temas financeiros a partir das contribuições da antropologia e sociologia, a iniciativa buscou servir como espaço de diálogo e aprendizagem entre profissionais do mercado financeiro, servidores públicos, estudantes, professores e demais interessados.

Com um encontro presencial realizado na sede da CVM-RJ para cada unidade temática, os encontros foram orientados pelos seguintes eixos: 1) Dinheiro e dívida, 2) Profissionais do mercado financeiro e seus trabalhos, 3) A construção das finanças em perspectiva histórica, 4) A infraestrutura, as teorias e as tecnologias das finanças, 5) Endividamento e políticas governamentais, e 6) Regulação e crises do mercado. A seguir vamos compartilhar a bibliografia abordada e os principais temas discutidos nos três primeiros encontros e, na semana que vem, cobriremos as últimas três sessões.

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Finanças comportamentais: os depósitos diários são mais eficazes que os mensais para a realização de poupança de longo prazo?

Em janeiro deste ano, Hal Hershfield, Stephen Shu e Shlomo Benartzi[1] publicaram a pesquisa “Temporal Reframing and Savings: A Field Experiment”[2], que procurou entender se oferecer a uma pessoa a possibilidade de efetuar aportes de forma mais frequente aumentaria a sua chance de aderir a um programa de poupança para a aposentadoria.

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Habilidades não cognitivas podem afetar decisões financeiras?

O Banco de Compensações Internacionais (BIS), em fevereiro de 2017, publicou o estudo “Understanding the Determinants of Financial Outcomes and Choices: The Role of Noncognitive Abilities”[1], que procura entender a ligação entre as habilidades não cognitivas, bem-estar financeiro e a tomada de decisões financeiras.

O relatório menciona uma pesquisa anterior do banco central americano (FED) para contextualizar a importância do tema. De acordo com o FED, metade da população americana está vulnerável a emergências financeiras: uma despesa não esperada de $400 faria com que essas pessoas se endividassem ou vendessem seus bens. Logo, é de grande importância estudar como as habilidades não cognitivas se relacionam com a probabilidade de fazer escolhas que podem levar a dificuldades financeiras. O estudo usou como base uma amostra de 7.000 cidadãos dos Países Baixos que responderam a uma pesquisa longitudinal de domicílios entre 2008 e 2015. Continue lendo

Apresentações da 5ª Conferência de Ciências Comportamentais e Educação do Investidor e demais eventos.

Estão disponíveis abaixo as apresentações dos palestrantes da 5ª Conferência de Ciências Comportamentais e Educação do Investidor,  2º Seminário Regional sobre Novas Tendências em Educação Financeira e demais eventos.

A programação contou com palestras sobre psicologia, economia, antropologia e educação financeira. Para realizar o download da apresentação desejada clique no assunto da palestra que se encontra ao lado do nome do palestrante.

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Como levar em conta o envelhecimento cognitivo ao prestar serviços financeiros?

Por conta do processo de envelhecimento pelo qual passa a população do Reino Unido e buscando encorajar as empresas de serviços financeiros a melhor compreender como aprimorar seu atendimento aos consumidores mais velhos, o órgão regulador daquele país, Financial Conduct Authority (FCA), iniciou em 2016 o projeto “Ageing Population[1]. Um dos produtos do projeto é uma revisão de literatura destinada a fornecer uma visão geral do espectro de fatores cognitivos que podem afetar a forma com que os idosos lidam com serviços financeiros. A revisão apresenta os achados acadêmicos mais recentes sobre envelhecimento cognitivo e suas consequências para a prestação de serviços, sob a forma de tarefas simples e complexas, como pagamentos em dinheiro e em cartão, atendimento telefônico e em agências, monitoramento de contas, gerenciamento financeiro, “online banking”, entre outras. Continue lendo

E-mails informativos são capazes de aumentar a contribuição previdenciária?

A Mathematica Policy Research, em abril de 2017, publicou o estudo denominado “Using Behavioral Insights to Increase Retirement Savings”[1], que estudou formas de aumentar o nível de poupança para aposentadoria dos funcionários do Departamento de Trabalho dos Estados Unidos (DOL) com o uso de “insights” comportamentais.

Dado que, pelo plano de aposentadoria Thrift Savings Plan – TSP, o governo americano deposita o mesmo valor da contribuição mensal do servidor (benefício também conhecido como “matching”) em sua conta de aposentadoria individual até o limite de 5% do salário, é de se esperar que ele aproveite plenamente esta vantagem. Entretanto, em 2015 mais de 25% dos funcionários públicos do DOL contribuíram abaixo desse limite, o que abriu espaço para uma intervenção comportamental. Logo, a pesquisa procura entender se e-mails informativos são capazes de influenciar as pessoas a pouparem mais. Continue lendo

Como avaliar o sucesso de programas de empoderamento e capacitação financeiros?

Em 2017 a área de empoderamento financeiro do CFPB (órgão norte-americano de proteção ao consumidor financeiro) publicou um relatório[1] com a iniciativa de equalizar as métricas de avaliação dos diferentes programas existentes de empoderamento financeiro[2] e de capacitação financeira.

O relatório estabelece uma lista com recomendações de resultados desejáveis (“outcomes”) para informar aos prestadores de serviços sobre os benefícios de integrar iniciativas de empoderamento financeiro aos seus programas, disponibilizar um conjunto comum de métricas de empoderamento financeiro, além de promover a consistência entre diferentes iniciativas criando uma estrutura única de resultados desejáveis (“framework”) e uma linguagem comum. Continue lendo