E-mails informativos são capazes de aumentar a contribuição previdenciária?

A Mathematica Policy Research, em abril de 2017, publicou o estudo denominado “Using Behavioral Insights to Increase Retirement Savings”[1], que estudou formas de aumentar o nível de poupança para aposentadoria dos funcionários do Departamento de Trabalho dos Estados Unidos (DOL) com o uso de “insights” comportamentais.

Dado que, pelo plano de aposentadoria Thrift Savings Plan – TSP, o governo americano deposita o mesmo valor da contribuição mensal do servidor (benefício também conhecido como “matching”) em sua conta de aposentadoria individual até o limite de 5% do salário, é de se esperar que ele aproveite plenamente esta vantagem. Entretanto, em 2015 mais de 25% dos funcionários públicos do DOL contribuíram abaixo desse limite, o que abriu espaço para uma intervenção comportamental. Logo, a pesquisa procura entender se e-mails informativos são capazes de influenciar as pessoas a pouparem mais. Continue lendo

Como avaliar o sucesso de programas de empoderamento e capacitação financeiros?

Em 2017 a área de empoderamento financeiro do CFPB (órgão norte-americano de proteção ao consumidor financeiro) publicou um relatório[1] com a iniciativa de equalizar as métricas de avaliação dos diferentes programas existentes de empoderamento financeiro[2] e de capacitação financeira.

O relatório estabelece uma lista com recomendações de resultados desejáveis (“outcomes”) para informar aos prestadores de serviços sobre os benefícios de integrar iniciativas de empoderamento financeiro aos seus programas, disponibilizar um conjunto comum de métricas de empoderamento financeiro, além de promover a consistência entre diferentes iniciativas criando uma estrutura única de resultados desejáveis (“framework”) e uma linguagem comum. Continue lendo

Série CVM Comportamental – Vol. 3 – Vieses do Consumidor

Na introdução ao 1º volume desta série explicamos o que são heurísticas e vieses. Por sua importância na compreensão do conteúdo que apresentaremos a seguir, lembramos novamente esses conceitos:

As heurísticas são regras de bolso (ou atalhos mentais) que agilizam e simplificam a percepção e a avaliação das informações que recebemos. Por um lado, elas simplificam enormemente a tarefa de tomar decisões; mas, por outro, podem nos induzir a erros de percepção, avaliação e julgamento que escapam à racionalidade ou estão em desacordo com a teoria da estatística. Esses erros ocorrem de forma sistemática e previsível, em determinadas circunstâncias, e são chamados de vieses.

Nesse 3º volume, não apenas comentamos novos vieses, mas procuramos fazer isso sob a ótica do consumo consciente, mostrando em que sentido eles podem ser obstáculos entre a nossa intenção e as ações de adquirir produtos e serviços que efetivamente atendem nossas necessidades, sem comprometer nosso bem-estar financeiro e levando em conta aspectos de sustentabilidade.

Download: CVM Comportamental vol. 3

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Grupos de apoio podem ajudar pessoas em superendividamento?

O relatório “Moving forward together – peer support for people with debt problem”[1][2], publicado pelo Money Advice Service – MAS (órgão público responsável pela educação financeira no Reino Unido) em fevereiro de 2017, procurou entender como os grupos de apoio podem auxiliar as pessoas superendividadas na resolução de seus problemas financeiros.

O grupo de apoio é definido como um ambiente de compartilhamento de conhecimento, experiência e ajuda prática entre indivíduos, além de benefício mútuo, baseado na empatia e validação que advêm de experiências similares. Tem como objetivo promover a confiança mútua, auxiliar os indivíduos na autocura e tornar uma situação supostamente anormal em algo mais natural. Continue lendo

5ª Conferência de Ciências Comportamentais e Educação do Investidor

Além dos habituais temas relacionados a educação do investidor e estudos comportamentais, os eventos da semana de 6 a 14 de dezembro deste ano incluirão o Seminário Brasileiro de Sustentabilidade e Investimento e o Seminário Brasileiro sobre Fintech.

A 5ª Conferência de Ciências Comportamentais e Educação do Investidor e o 2º Seminário Regional sobre Novas Tendências em Educação Financeira, como habitualmente, contarão com a participação de renomados acadêmicos, pesquisadores nacionais e internacionais, bem como representantes de órgãos reguladores e autorreguladores, a fim de proporcionar uma abordagem multidisciplinar nos campos da psicologia, economia, antropologia, educação e outros, além de debater estratégias e políticas públicas inovadoras de educação financeira. Neste ano, serão discutidas também ferramentas financeiras para permitir o avanço do desenvolvimento sustentável no Brasil e novas tecnologias financeiras (Fintech).

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Revolução informacional: os avanços tecnológicos afetaram a teoria econômica?

Paul Ormerod, em seu paper Economics[1], realiza uma breve crítica sobre os modelos macroeconômicos da escola dominante ou convencional (“mainstream”), apontando as falhas no pressuposto da racionalidade dos agentes econômicos e na hipótese de que as preferências são fixas no tempo. O autor começa citando como exemplo a crise europeia de 2010, durante a qual os modelos financeiros foram incapazes de prever e explicar o comportamento do ciclo econômico da época.

Os modelos “real business cycle” de Kydland e Prescott e os modelos DSGE (“Dynamic Stochastic General Equilibrium”) são mencionados como ferramentas populares ao redor do mundo, ainda que tenham falhado em prever os efeitos da crise financeira mundial de 2008. A essência desses modelos envolve um arcabouço matemático complexo e microfundamentos baseados na escolha ótima dos indivíduos entre lazer e trabalho. Continue lendo

A geração Y e o letramento financeiro: uma perspectiva global

O artigo[1] publicado por Lusardi e Oggero em maio de 2017 discute o papel crescente da geração Y (ou “millennials” em inglês) na economia. Em menos de dez anos espera-se que a força de trabalho seja composta majoritariamente por indivíduos nascidos entre a década de 80 e 90. Assim, os autores procuram entender o grau de maturidade dos “milenares” para a tomada de decisões financeiras a partir do seu nível de letramento financeiro.

A importância do letramento financeiro vem aumentando com a diminuição do Estado de Bem Estar Social, de forma que os indivíduos dependerão mais de si mesmos para sua seguridade financeira. Isso pode ser explicado pelo desejo de redução das despesas futuras dos governos nacionais com aposentadorias e pelo aumento da expectativa de vida, por exemplo. Por esses motivos, a educação financeira é importante para o investimento, poupança e consumo conscientes. Continue lendo