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Como tornar as crianças mais confiantes financeiramente?

Existe uma preocupação mundial em promover o letramento financeiro de crianças e adolescentes e, por conseguinte, um número considerável de pesquisas se destina a analisar quais são os métodos mais efetivos de intervenções. Este é o caso do estudo “Four Bright Coins Shining at Me – Financial Education in Childhood, Financial Confidence in Adulthood” (em português “Quatro moedas brilhantes reluzem para mim – educação financeira na infância, confiança financeira na vida adulta”), que evidenciou, de forma estatisticamente significativa, que o recebimento de mesada durante a infância pode ajudar a produzir maior confiança financeira na idade adulta.

O objetivo desse estudo foi estimar se a prática de administrar pequenas quantias na infância é capaz de produzir efeitos a longo prazo, em termos de maior habilidade e confiança para lidar com assuntos financeiros na vida adulta.

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Evento de inauguração do Grupo de Estudos de Antropologia das Finanças

No dia 5 de setembro, ocorreu a sessão inaugural do Grupo de Estudos de Antropologia das Finanças (GEAF), organizado pelo Centro Educacional CVM-OCDE de Letramento Financeiro para América Latina e Caribe em parceria com o Núcleo de Pesquisas em Cultura e Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (NuCEC-UFRJ). O GEAF é uma iniciativa promovida no âmbito do Núcleo de Estudos Comportamentais da CVM (NEC-CVM), cujos objetivos incluem a imersão em diferentes campos das ciências comportamentais.

No evento foram apresentados os chamados estudos sociais das finanças e suas diferenças em relação aos trabalhos produzidos pelos economistas, administradores e psicólogos. Foram também esclarecidas as condições de participação no grupo.

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Colocando “nudges” em perspectiva

O artigo “Colocando nudges[1] em perspectiva” escrito por George Loewenstein e Nick Chater, publicado em junho de 2017, traz uma visão crítica sobre a aplicação da economia comportamental nas políticas públicas.

O uso de nudges tem sido bem sucedido para promover o bem-estar dos cidadãos, mas os autores fazem uma ressalva quanto à tendência dos órgãos e formuladores de políticas públicas de reduzir a economia comportamental aos nudges. Isto porque são uma solução rápida e de baixo custo que utiliza atalhos no processo de decisão individual (heurísticas) para induzir os indivíduos a fazerem escolhas melhores. No entanto, problemas na tomada de decisão podem ser de ordem estrutural (e não comportamental), de forma que intervenções de contato leve, como os nudges, podem ser soluções insuficientes no longo prazo.

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Por que é tão difícil para o consumidor dizer não?

Quando compramos algum produto, é comum que o vendedor ofereça seguros e acessórios, de que não necessariamente precisamos, em busca de aumentar sua comissão com a venda.

Com base nisso, a CVM australiana (ASIC) estudou as pessoas que contrataram seguros complementares ao adquirir veículos novos, a fim de compreender tanto as técnicas usadas pelos vendedores quanto a experiência de compra de tais produtos pelos consumidores.

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CVM Comportamental Vol. 3 – Vieses do Consumidor: Viés do Ponto Cego

O Viés do Ponto Cego (bias blind spot, em inglês) é a propensão a acharmos que nossos julgamentos são imparciais, enquanto os das demais pessoas são tendenciosos.

Em outras palavras, falhamos sistematicamente em reconhecer que nossas decisões são afetadas por preferências, crenças, cultura, preconceitos e outros fatores pessoais. No entanto, ao analisamos as decisões alheias, acreditamos que estão sujeitas a tais vieses. Continue lendo

Regras de bolso funcionam?

O Consumer Financial Protection Bureau (CFPB), órgão público norte-americano para a proteção financeira do consumidor, publicou o estudo intitulado “The Power of Light-Touch Financial Education” em janeiro deste ano, em que testou se as regras de bolso podiam ser usadas como instrumento de educação financeira.

A chamada educação financeira de contato leve (“light-touch”) tem como objetivo alcançar vários indivíduos a custo reduzido e com o uso de ferramentas tecnológicas. Um exemplo de abordagem oposta seria o coaching financeiro, que estabelece objetivos individuais e trabalha de forma personalizada. O método de contato leve transmite conteúdos educacionais mais simples e/ou usa mecanismos que facilitam o processo de decisão, como lembretes, compromissos e “defaults”. Portanto, demanda menor carga cognitiva dos consumidores e consequentemente os ajuda a tomar boas decisões financeiras. As regras de bolso podem ser consideradas como um tipo de abordagem de contato leve.

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