Recentemente, publicamos um post  anunciando a realização da palestra “Victimology and Internet Fraud Deterrence“, pelo Dr. David Modic – Psicólogo e pesquisador da universidade de Cambridge e do King’s College.

O trabalho do Dr. Modic se concentra especificamente nas fraudes realizadas via internet, a partir das quais ele procura estabelecer uma vitimologia e entender até que ponto determinadas características poderiam tornar uma pessoa mais ou menos suscetível a golpes.

Antes de sua apresentação, David Modic comentou com a CVM algumas das contribuições que acha que a pesquisa sobre fraudes pode trazer para as políticas públicas, especialmente no caso da regulação financeira.

Entre seus principais resultados, o Dr. Modic aponta o autocontrole (tanto como traço quanto como estado) como uma das competências chave para tornar as pessoas menos suscetíveis a fraudes e como algo a ser desenvolvido desde cedo, ainda na infância.

Uma das metáforas usadas para descrever o autocontrole é a que o compara a um músculo: o uso intensivo o deixa fadigado, mas o hábito de exercitá-lo o deixa mais forte e resistente. Nesse sentido, são necessárias políticas públicas que atuem, por um lado, para desenvolver essa competência nas pessoas o mais cedo possível e, por outro, para proteger o cidadão da tomada de decisões financeiras por impulso, nos momentos em que seu autocontrole esteja enfraquecido.

Outro importante ponto mencionado pelo pesquisador diz respeito à comunicação com o cidadão, no que se refere às campanhas e alertas sobre fraudes. Ele defende o uso de mensagens simples, claras, diretas e específicas, capazes de serem entendidas até por crianças, destacando sua maior eficácia no sentido de alertar a população, por exemplo, contra algum golpe que esteja se tornando comum no mercado.

Algumas das sugestões propostas por Modic incluem o uso de mnemônicos e de mensagens engraçadas, que atraiam  a atenção das pessoas e que tenham maior chance de ficarem gravadas na memória.

Por fim, Modic destacou a importância de proteger o cidadão da vitimização secundária, ou seja, de ser apontado como culpado por ter caído em um golpe. O pesquisador lembra que todos somos passíveis de sofrer fraudes e que jamais se deve culpar a vítima pelo acontecido – o que só conduz ao sofrimento emocional, prejudicando ainda mais quem já incorreu em prejuízo financeiro. Além disso, a vitimização secundária é também responsável pelo baixo número de notificações às autoridades, uma vez que a vítima tem medo de ser ridicularizada por causa do golpe sofrido.

Feita essa pequena introdução, disponibilizamos a apresentação e o áudio da palestra, ministrada em inglês, dia 18/12/2015, no auditório da CVM:

Dr. David Modic: Palestra Modic CVM 18122015.pdf

 

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