Monthly Archives: setembro 2016

Série CVM Comportamental – Viés do Crescimento Exponencial

O Viés do Crescimento Exponencial (em Inglês, Exponential Growth Bias) descreve a dificuldade de raciocinar em termos de juros compostos, o que pode nos levar a subestimar seus efeitos no longo prazo.

Isso acontece porque, dada a falta de familiaridade como o tipo de raciocínio matemático envolvido em seu cálculo, muitas pessoas calculam os juros compostos de modo linear, projetando retornos bem abaixo da realidade e, por isso, menosprezando a importância de poupar.

Por outro lado, esse viés pode fazer com que um tomador de empréstimo perca o controle sobre sua vida financeira, por exemplo, ao contrair uma dívida cujo valor a ser pago cresça mais rapidamente do que o esperado.

Outra consequência é que, além de projetar um crescimento inferior ao real para suas aplicações, subvalorizando os ganhos futuros e minimizando as vantagens de ter uma reserva, quem falha em visualizar o crescimento exponencial também tem dificuldade de compreender a importância do fator tempo para a poupança e o conceito de valor do dinheiro no tempo. Assim, esse indivíduo tende a adiar o momento de começar a poupar e, ao fazê-lo, possui preferência por investimentos de curto prazo.

No Brasil, é comum que o rendimento de determinados investimentos seja tributado a alíquotas que diminuem conforme o prazo da aplicação. Uma tributação mais favorável, aliada à escolha do produto de investimento adequado, pode gerar diferenças de rentabilidade que, mesmo pequenas à primeira vista, se tornam significativas no longo prazo, devido ao efeito dos juros compostos.

Em comparação, aquele que supera essa dificuldade se sentirá estimulado a poupar não apenas um valor superior, mas também por um período de tempo mais longo, maximizando seu retorno financeiro.

Embora os conhecimentos de matemática financeira sejam úteis para a tomada de decisões, atualmente existem diversas ferramentas disponíveis que auxiliam a projetar o saldo futuro dos investimentos ou a estimar o tempo necessário para amortizar uma dívida, sem a necessidade de efetuar cálculos complexos.

Por fim, para evitar o Viés do Crescimento Exponencial, é recomendável:

  • Utilizar simuladores, aplicativos e planilhas disponíveis na internet e no celular para observar o efeito dos juros compostos no longo prazo;
  • Compreender os benefícios de começar a poupar o mais cedo possível e deixar o valor aplicado pelo maior tempo que puder;
  • Aproveitar as oportunidades de ganhar juros e evitar pagá-los (por exemplo, quitando suas contas em dia);
  • Evitar atrasar o cartão de crédito ou pagar o mínimo por longos períodos, deixando os juros se acumularem mês a mês;
  • Caso seja realmente necessário contrair um empréstimo ou financiamento, procurar informar-se sobre o Custo Efetivo Total e negociá-lo para que seja o mínimo, assim como contratar pelo menor prazo possível;
  • Trocar as dívidas mais caras (com maior taxa de juros) por outras com menor taxa;
  • Ficar sempre atento aos contratos de empréstimo, em que normalmente se especifica o regime de juros vigentes, seu valor, periodicidade, forma de reajuste e demais informações relevantes;
  • Em caso de dificuldade, buscar a orientação de profissionais especializados ou de pessoas que tenham maior experiência e familiaridade com decisões financeiras.

Envelhecer afeta a capacidade de tomar decisões?

A vulnerabilidade financeira é um dos problemas aos quais estamos sujeitos com o envelhecimento. O assunto abrirá o Seminário “Qualidade de vida e bem-estar financeiro para maiores de 50 anos”, a ser realizado pela CVM no dia 7/10, a partir das 8h30, no Rio de Janeiro.

O encontro é gratuito, aberto ao público, e reunirá professores e pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento.

Palestras sobre tomada de decisões no curso de uma demência e sobre violência contra o idoso farão parte da programação da manhã.

À tarde, será realizado um workshop em que grupos de discussão debaterão questões como qualidade de vida e bem-estar financeiro.

A participação no workshop estará sujeita à lotação máxima de 50 pessoas, que serão selecionadas por ordem de inscrição.

Acesse a programação e inscreva-se para debater conosco.

Aguardamos sua presença!

Evento: Seminário Qualidade de vida e bem-estar financeiro para maiores de 50 anos
Data: 7/10
Hora: 8h30 às 16h
Local:
Hotel Windsor (Av. Atlântica 1800, Copacabana – Rio de Janeiro)

 

 

Conferência de Ciências Comportamentais e Educação do Investidor: Bill Maurer

Bill Maurer é um antropólogo cultural que realiza pesquisas nas áreas de direito, propriedade, dinheiro e finanças, com foco nas infraestruturas tecnológicas e nas relações sociais de troca e pagamento. Além disso, possui experiência específica em formas emergentes, alternativas e experimentais de moeda e finanças, tecnologias de pagamento e suas implicações jurídicas.

Na próxima Conferência de Ciências Comportamentais e Educação do Investidor, irá participar do painel dedicado à Antropologia, programado para o dia 8/12, às 12h, no qual falará sobre Antropologia do Dinheiro, sua especialidade.

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Como Estimular o Investidor a Comparar Produtos e Taxas?

Embora seja comum encontrarmos diferenças significativas de rentabilidade para tipos similares de investimentos, tanto entre instituições financeiras quanto dentro de uma mesma instituição, muitos investidores não costumam comparar taxas, permanecendo longos períodos na mesma aplicação e deixando de ganhar maiores juros.

O que leva o investidor a esse comportamento? Dificuldade de acesso a informações? Exigências burocráticas? Falta de “timing”? Inércia? Continue lendo

Por que medir a capacidade financeira dos cidadãos?

Desde 2009, os americanos vêm conduzindo levantamentos periódicos, representativos de sua população, para medir a capacidade financeira de seus cidadãos.

O termo “capacidade”, que optamos por traduzir livremente do inglês “capability”, é um conceito multidimensional que abrange tanto o conhecimento quanto a habilidade e tanto o acesso a recursos quanto sua posse.

Assim, medir a capacidade financeira significa saber se as pessoas estão ganhando o suficiente para o próprio sustento; acessando e utilizando corretamente os produtos financeiros; tomando decisões financeiras conscientes e informadas; e planejando seu futuro.

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