Monthly Archives: setembro 2015

Já respondeu à Pesquisa sobre Educação Financeira e Fatores de Personalidade?

Há 2 meses lançamos a pesquisa e, desde então, já obtivemos mais de 2.000 respostas. Os participantes do blog ajudaram intensamente e por isso agradecemos.

Mas ainda precisamos de mais dados, principalmente de pessoas:

  • acima de 35 anos, de qualquer região do Brasil;

OU

  • de todas as idades e que morem nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Conhece alguém com este perfil? Ajude-nos a divulgar!

A pesquisa pode ser respondida pelo link: https://pt.surveymonkey.com/r/pesquisaeducacaofinanceiraCVM2015_blog

O Que Faz Investidores Tomarem Decisões Ruins?

Quem está acostumado a acompanhar o mercado financeiro sabe que o comportamento dos investidores muitas vezes se desvia da lógica e da razão. Um exemplo disso é o famoso “comportamento de manada”, que frequentemente se vê no mercado de ações, quando investidores individuais, ao invés de analisarem o cenário econômico e a situação das empresas, tomando suas decisões de compra ou venda com base na razão, simplesmente resolvem agir impulsivamente, seguindo a multidão.

Esse tipo de conduta é fruto dos chamados vieses comportamentais. Ao longo de sua evolução, os seres humanos desenvolveram “regras de bolso” (também chamadas heurísticas) a fim de permitir a tomada de decisões em momentos de incerteza ou forte emoção, quando a capacidade de julgamento pode ficar comprometida.

O problema é que tais heurísticas, muito úteis para economizar tempo e energia com processamento cerebral na tomada de decisões rotineiras, podem levar a erros sistemáticos quando se trata de decisões complexas como, por exemplo, as relativas à alocação eficaz de recursos financeiros.

Os vieses comportamentais se dividem em dois tipos: cognitivos e emocionais. Os cognitivos referem-se a tendências a pensar ou agir de determinadas formas pré-definidas, que levam a desvios sistemáticos dos padrões de racionalidade e bom julgamento. Os emocionais são os que resultam na tomada de decisão com base em sentimentos e não em fatos. Como há certa sobreposição entre ambos, costuma-se chamá-los simplesmente de vieses comportamentais.

Para mostrar que todos estamos sujeitos a sofrer os efeitos dos vieses comportamentais, Cass Sunstein, autor do famoso livro “Nudge: o empurrão para a escolha certa”, conta como, mesmo sendo autor de livros sobre o assunto e de conhecer muito bem as armadilhas comportamentais a que estamos sujeitos, conseguiu incorrer em pelo menos três erros clássicos nesse sentido.

No artigo intitulado Why Do Investors Make Bad Choices?, ele relata que se apavorou com alguns “solavancos” do mercado de ações e, ainda que soubesse que sua estratégia de investimentos estava correta (investir em fundos de índices passivos e altamente diversificados), resolveu vender grande parte de suas cotas, sem dar ouvidos a seu colega Richard Thaler, coautor de “Nudge”, que não só o desaconselhou como avisou “releia seu próprio livro!”. O que aconteceu foi que o fundo cresceu 66% nos 3 anos seguintes e ele se arrependeu amargamente da decisão tomada por impulso.

Analisando o ocorrido, ele concluiu que o primeiro erro do qual foi vítima foi o conhecido como “viés da disponibilidade”. Esse viés é relativo ao fato de que algo importante, que tenha acontecido em um passado recente, costuma continuar cognitivamente disponível, fazendo com que as pessoas exagerem a probabilidade de aquilo acontecer novamente. No caso de Sustein, como o mercado havia entrado em colapso no ano de 2008, o medo de um novo colapso se fez muito presente, ainda que, do ponto de vista probabilístico, não fizesse sentido nenhum pensar em uma nova ocorrência tão cedo.

O segundo erro cometido pelo autor envolveu o viés conhecido como “aversão a perdas”, que diz respeito ao fato de as pessoas preferirem evitar perdas a obter ganhos, pois o sofrimento com a perda costuma ser sentido com muito mais intensidade do que o prazer com o ganho. Assim, como Sustein havia vivenciado o “crash de 2008”, além de estar com 2 filhos pequenos e mais um a caminho, deixou-se levar pelo medo da perda, por menos provável que fosse.

A questão da chance de ocorrer a catástrofe que ele esperava nos leva ao terceiro erro do autor: “negação da probabilidade”. Sua atenção estava tão focada no que aconteceria caso acontecesse o pior cenário que ele se esqueceu de analisar a probabilidade de esse pior cenário realmente acontecer.

Em adição a tais vieses, Sustein menciona ainda o “efeito disposição”, que leva as pessoas a venderem rápido demais as ações que estão em alta e demorarem demais a vender as que estão em baixa. Além do que, a maioria dos investidores – e nisso os homens são piores do que as mulheres – é excessivamente autoconfiante em relação ao seu próprio desempenho no que diz respeito a investimentos.

Por fim, o autor destaca que o melhor conselho sobre investimentos, aplicável à maioria das pessoas, é simplesmente: tenha um portfólio diversificado, formado na maior parte por fundos de índice de baixo custo e com maior peso em ações; invista mais à medida que obtiver novos recursos e siga diversificando da mesma forma; finalmente, mantenha com liquidez a parte que julgue necessária.

Acima de tudo, se suas emoções começarem a pressionar no sentido de grandes mudanças, simplesmente diga não.