Série CVM Comportamental – Vol. 3 – Vieses do Consumidor

Na introdução ao 1º volume desta série explicamos o que são heurísticas e vieses. Por sua importância na compreensão do conteúdo que apresentaremos a seguir, lembramos novamente esses conceitos:

As heurísticas são regras de bolso (ou atalhos mentais) que agilizam e simplificam a percepção e a avaliação das informações que recebemos. Por um lado, elas simplificam enormemente a tarefa de tomar decisões; mas, por outro, podem nos induzir a erros de percepção, avaliação e julgamento que escapam à racionalidade ou estão em desacordo com a teoria da estatística. Esses erros ocorrem de forma sistemática e previsível, em determinadas circunstâncias, e são chamados de vieses.

Nesse 3º volume, não apenas comentamos novos vieses, mas procuramos fazer isso sob a ótica do consumo consciente, mostrando em que sentido eles podem ser obstáculos entre a nossa intenção e as ações de adquirir produtos e serviços que efetivamente atendem nossas necessidades, sem comprometer nosso bem-estar financeiro e levando em conta aspectos de sustentabilidade.

Download: CVM Comportamental vol. 3

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Grupos de apoio podem ajudar pessoas em superendividamento?

O relatório “Moving forward together – peer support for people with debt problem”[1][2], publicado pelo Money Advice Service – MAS (órgão público responsável pela educação financeira no Reino Unido) em fevereiro de 2017, procurou entender como os grupos de apoio podem auxiliar as pessoas superendividadas na resolução de seus problemas financeiros.

O grupo de apoio é definido como um ambiente de compartilhamento de conhecimento, experiência e ajuda prática entre indivíduos, além de benefício mútuo, baseado na empatia e validação que advêm de experiências similares. Tem como objetivo promover a confiança mútua, auxiliar os indivíduos na autocura e tornar uma situação supostamente anormal em algo mais natural. Continue lendo

5ª Conferência de Ciências Comportamentais e Educação do Investidor

Além dos habituais temas relacionados a educação do investidor e estudos comportamentais, os eventos da semana de 6 a 14 de dezembro deste ano incluirão o Seminário Brasileiro de Sustentabilidade e Investimento e o Seminário Brasileiro sobre Fintech.

A 5ª Conferência de Ciências Comportamentais e Educação do Investidor e o 2º Seminário Regional sobre Novas Tendências em Educação Financeira, como habitualmente, contarão com a participação de renomados acadêmicos, pesquisadores nacionais e internacionais, bem como representantes de órgãos reguladores e autorreguladores, a fim de proporcionar uma abordagem multidisciplinar nos campos da psicologia, economia, antropologia, educação e outros, além de debater estratégias e políticas públicas inovadoras de educação financeira. Neste ano, serão discutidas também ferramentas financeiras para permitir o avanço do desenvolvimento sustentável no Brasil e novas tecnologias financeiras (Fintech).

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Revolução informacional: os avanços tecnológicos afetaram a teoria econômica?

Paul Ormerod, em seu paper Economics[1], realiza uma breve crítica sobre os modelos macroeconômicos da escola dominante ou convencional (“mainstream”), apontando as falhas no pressuposto da racionalidade dos agentes econômicos e na hipótese de que as preferências são fixas no tempo. O autor começa citando como exemplo a crise europeia de 2010, durante a qual os modelos financeiros foram incapazes de prever e explicar o comportamento do ciclo econômico da época.

Os modelos “real business cycle” de Kydland e Prescott e os modelos DSGE (“Dynamic Stochastic General Equilibrium”) são mencionados como ferramentas populares ao redor do mundo, ainda que tenham falhado em prever os efeitos da crise financeira mundial de 2008. A essência desses modelos envolve um arcabouço matemático complexo e microfundamentos baseados na escolha ótima dos indivíduos entre lazer e trabalho. Continue lendo

A geração Y e o letramento financeiro: uma perspectiva global

O artigo[1] publicado por Lusardi e Oggero em maio de 2017 discute o papel crescente da geração Y (ou “millennials” em inglês) na economia. Em menos de dez anos espera-se que a força de trabalho seja composta majoritariamente por indivíduos nascidos entre a década de 80 e 90. Assim, os autores procuram entender o grau de maturidade dos “milenares” para a tomada de decisões financeiras a partir do seu nível de letramento financeiro.

A importância do letramento financeiro vem aumentando com a diminuição do Estado de Bem Estar Social, de forma que os indivíduos dependerão mais de si mesmos para sua seguridade financeira. Isso pode ser explicado pelo desejo de redução das despesas futuras dos governos nacionais com aposentadorias e pelo aumento da expectativa de vida, por exemplo. Por esses motivos, a educação financeira é importante para o investimento, poupança e consumo conscientes. Continue lendo

Finanças pessoais: aplicativos são mais eficientes que anotações no papel?

A Royal London realizou o estudo denominado “Looking after the pennies: A Royal London study into the impact of regular monitoring on household spending and saving”[1], entre julho e novembro de 2016. O objetivo do trabalho é testar o impacto do uso de meios de controle financeiro sobre o gerenciamento de sua vida financeira. Para isso, 411 cidadãos do Reino Unido que participaram da pesquisa foram convidados a registrar cada centavo gasto diariamente utilizando aplicativos de celular ou o simples método de anotação em papel.

No começo do estudo, os participantes responderam a um questionário para medir sua capacidade financeira. 93% dos respondentes disseram que é importante monitorar gastos domésticos e 84% afirmaram ter controle sobre suas finanças. No entanto, 30% possuíam problemas em manter em dia as contas de casa, e 31% não tinham nenhum tipo de planejamento de seu consumo, o que demonstra certo nível de contradição. Continue lendo

Relatório “Educação financeira para além do conhecimento: estratégias de intervenção no comportamento de poupança”

A coordenação de estudos comportamentais da CVM (COP/CVM) publica o relatório “Educação financeira para além do conhecimento: estratégias de intervenção no comportamento de poupança”. O estudo representa o esforço da CVM para compreender os vieses e barreiras que podem afetar comportamentos financeiros, notadamente aqueles relativos à poupança, por meio de revisão bibliográfica. Também são descritas as intervenções encontradas na literatura científica que trabalharam com conceitos de ciências comportamentais para incentivar a formação de poupança e a tomada de decisões financeiras conscientes.

O relatório integra o projeto homônimo, o qual compreende a elaboração e validação de um ou mais produtos/materiais educacionais destinados à população de renda intermediária com potencial de poupança. Os produtos finais do projeto objetivarão estimular e apoiar a formação de reservas financeiras, assim como a promoção de decisões de investimento conscientes e bem informadas. O projeto também se caracteriza pela ampla utilização de “insights” provenientes das ciências comportamentais, sobretudo da psicologia, para que se busque uma efetiva mudança de comportamento financeiro dos usuários dos produtos educacionais a serem elaborados. Continue lendo